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Roommate - Capítulo 17

quarta-feira, 8 de julho de 2020 Nenhum comentário






Sexta feira chegou e era o dia que eu tinha combinado de Erik ir pro bar comigo e uns amigos da faculdade. Consegui despistá-lo desde o começo da semana, vivendo momentos intensos com Noah. Eu tenho o ajudado no processo do cliente maluco (e revoltado) dele, fazendo a gente ficar mais conectado ainda.

Mas eu sabia que precisava conversar o quão antes com Erik. 

À noite, Noah comentou que iria ficar em casa, descansando, porque teve uma semana estressante graças às ordens de seu pai para que resolvessem o quanto antes a questão do processo do restaurante, e eu havia o avisado que iria pro bar, encontrar uns amigos.
Antes de sair de casa, Noah perguntou:
sozinha?
Não. - olhei nos olhos dele enquanto dizia. Noah pareceu incomodado, mas eu não iria mentir. E nós tínhamos deixado claro que não estávamos tendo algo sério. Né?!

Então por que eu me sentia tão culpada?!

Ele pediu pra que eu tomasse cuidado e que iria me esperar acordado. 

Saí de casa e encontrei Erik na porta do bar. Nos cumprimentamos com um selinho demorado e entramos no bar de mãos dadas. Vimos meus amigos sentados em uma mesa, e outros em pé, jogando sinuca. 

Meus olhos rapidamente se encontraram com os de Thomás, que estava em pé, com uma menina ao seu lado. Ele rapidamente viu que eu e Erik estávamos de mãos dadas e tirou seu braço que estava apoiado na menina que estava com ele.

ei, gente. Esse é Erik. - eu disse, chegando perto do pessoal sentado, apresentando-o. Todos sorriram, animados e responderam de volta.

Jess logo se levantou, vindo me abraçar e dizendo em meu ouvido:
ele não parava de olhar pra porta, ansioso, esperando você chegar. - ela se referia a Thomás.

Suspirei, dando de ombros.

Sentei- me perto dela e com Erik ao meu lado. Cumprimentei Thomás com um aceno de cabeça, mesmo. Ele retribuiu da mesma forma.



Passamos a noite dessa forma: meio afastados um do outro, mas nos divertindo com nossas companhias.

Depois de  muitos drinks, e nos divertirmos bastante, a noite estava chegando ao fim e eu e Thomás mal tínhamos nos falado a noite toda. O que era bem incomum: nós éramos próximos, além da próximidade íntima, éramos amigos. Eu notei que ele não tirava os olhos de mim a noite toda, porque, óbvio, eu também não tirava os olhos dele a noite toda. Fiquei preocupada por ele não ter demonstrado muito interesse pra falar comigo. O que isso queria dizer?!

Antes de me despedir do pessoal, fui ao banheiro que ficava mais afastado de onde eu estava com todos e na volta dei de cara com ele, que me esperava no corredor que tinha em frente ao banheiro feminino e masculinho. 

Estava de pé, mas parecia ventando: o que o alcool faz, né. 

Eu já imaginava que coisa boa não vinha. 

-Oi. - eu disse, suspirando e me virando pro espelho para arrumar meu cabelo. 

-E esse cara?  - ele disse, chegando mais perto de mim. 

-Que é que tem?

-Vocês estão juntos mesmo? - suspirei, me virando pra ele séria. - Ué, não posso perguntar?

-Eu vim com ele. E você já sabe que sim. 

-Qual é, Alice... eu sinto sua falta. - Thomas colocou uma de suas mãos em minha cintura, me puxando pra perto. - e você sabe que eu faço bem melhor. - falou no meu ouvido, afastando meu cabelo e beijando meu pescoço.

Eu e Erik não tinhamos nada sério e tinhamos deixado bem claro isso um pro outro. Não seria problema eu ficar com Thomas novamente, mas não ali, junto com Erik e óbvio, com a "namorada" dele (que tenho certeza que não é a mesma situação minha e de Erik, com certeza eles estão sérios). 

-Eu sei disso. Não duvido, nunca disse o contrário. - eu disse, tirando sua mão de minha cintura.  - Eu e Erik não estamos sérios. Diferente de você e da menina que trouxe hoje, né?!

Ele fechou a cara na hora. 

-Você nao percebe? - perguntou, cruzando os braços. 

-Percebo o quê, Thomas? 

Ficou um silêncio mortal entre nós. Até Erik aparecer no final do corredor, dizendo: 

-Alice? Vamos? 

Eu dei uma última olhada pra ele, esperando ele dizer mais alguma coisa, mas quando vi que nao iria dizer, desisti. 

Passei por ele e dei a mão para Erik. 

-Tudo bem?

-A gente costumava ficar. - eu disse, olhando pra Erik. Ele pareceu um pouco incomodado. - Mas ele está com uma menina agora, e bem, eu vim com voce, o que nao é problema pra mim. Mas ele achou um problema. - revirei os olhos. - só vamos embora. Amanha é outro dia, e sem alcool, será melhor conversar com ele. 

-Concordo. 

Despedi-me de todos e Erik me deixou em casa, na porta do prédio. Mas quando eu estava terminando de me despedir dele, um Thomas transtornado surgiu, gritando:

-Ela não te merece, você sabe disso, né? - ele olhava pra Erik com um olhar mortal. 

Me arrepiei dos pes a cabeça. Era quase 4 da manhã. A rua deserta. Não precisava de uma confusão e ser expulsa do predio o qual acabei de me mudar.


-Thomas? - me virei, rapidamente, tirando as mãos de Erik. 

-Cara?  - Erik olhou pra ele, nervoso.

-Você é um lixo, e voce sabe bem disso. - Thomas chegou perto em segundos, dando um soco em Erik. 

Sim, um soco, bem no meio da cara dele.

-Você ta maluco?!  - Erik caiu por um segundo, mas logo partiu pra cima de Thomas.

Pronto, era so o que me faltava agora.

-Me admiro muito voce, Alice. - Thomas disse, se livrando do Erik por um segundo.

Thomas falava como se conhecesse Erik já, o que pra mim nao fazia sentido algum. Eu nao estava entendendo nada o que estava acontecendo. 

-Parem com isso, agora!  - eu gritei, tentando afastar os dois e acabei levando uma cotovelada no olho, de Erik, que sem querer estava tentando chegar pra tras e se desvenciliar de Thomas.

Em poucos segundos já tinham varias luzes acesas dos apartamentos e apareceu um Noah correndo, me levantando (a cotovelada foi forte real, acabei sendo jogada no chao) e tentando apartar os dois garotos que estavam tentando se matar. 

Tudo aconteceu muito rapido: de repente tinha uma mulher me ajudando, Thomas e mais um cara tentando conter Erik e Thomas e muita gritaria. Eu nao entendia nada. 

De tanto nervoso, acabei desmaiando. 

Roommate - Capítulo 16

quarta-feira, 24 de junho de 2020 Nenhum comentário


- sinto que quero estar com ele o tempo inteiro. - eu dizia pra Jess, enquanto saiamos da aula.

Era terça feira, mais um dia que eu tinha marcado de encontrar Erik. A diferença é que hoje ele me chamou pra almoçar na casa dele.

- e sobre Erik?

- sei lá. - dei de ombros, - tem uma energia. Um fogo... Algo eletrizante, sabe?

- e Thomás?

- ele e Noah estão basicamente no mesmo lugar. Se fosse pra ter algo sério... Teria com os dois. Com Erik, não.
 
- é, mas não dá pra ter algo sério com dois caras e vez ou outra pegar um terceiro, né, Alice? Você precisa se decidir. Vai acabar magoando os 3. Ficando sem nenhum.

- eu moro com um deles, estudo com outro e malho com outro. O clima vai ficar tenso independente de quem eu escolher.

- então escolha de forma sábia, - disse Jess. Estávamos conversando sobre isso hoje porque eu não aguentava mais me sentir indecisa. E estava cansada. Não queria ficar saindo com mil carinhas ao mesmo tempo. 

Não sou assim.

- por eliminação, eu tiraria logo Erik. E Thomás está comprometido já, então... - olhei pra casa de Jess, em duvida. - eu acho que é sério.

- vamos ver isso, né. 

Ri, me despedindo de Jess.

Erik morava ali por perto, então fui a pé mesmo para seu apartamento. Ao chegar no prédio, toquei interfone, ele me liberou e ao passar pelo porteiro, ele sorriu, dizendo:

- ei! - todo caloroso, me olhando. - não era só Erik que estava doido pra te ver. - e veio me abraçar. Sério, abraçar.

Nada contra abraçar porteiros, mas... Eu nunca vi esse homem na minha vida. Eu nao abraçava, tipo, nem Noah. Será que era doido?

Eu só ri, retribuindo o carinho, claro.

Subi logo pro elevador de Erik sem entender muito bem. Ele parecia ser de idade, então vou relevar. Ao tocar sua campainha, fui recebida por um Erik de blusa branca, bermuda verde e um avental de cozinha de bichinhos por cima. Ri, debochando.

- quem vê aquele lutador de ontem até acredita. - eu disse rindo e entrando no apartamento.

Aquela porta, dava pra parte da sala, que era gigantesca, toda de vidro, digo, eu conseguia ver toda a cidade dali. Era perfeito. Ali também dava acesso a uma cozinha americana perfeita.

Que TV gigante era aquela na sua sala?! Jesus. De onde vinha todo aquele dinheiro, da academia não poderia ser!

ei, aqui é incrível. - eu disse, entusiasmada, olhando pelo vidro da sua sala que dava pra cidade inteira.

A vista é ótima. - eu ouvi sua voz atrás de mim, Se aproximando.

Eric chegou com uma mão em minha cintura, me puxando pra perto dele e me beijando. Foi eletrizante. Sua mão em minha cintura,e a outra na minha nuca... Parecia tudo tão certo. 
Mas não posso mentir. O beijei pensando um pouco em Noah. 

Por eles serem amigos, aquilo parecia um pouco errado. Bizarro é super nada a ver, eu sei. Mas é o que eu sentia.

oi. - ele disse sorrindo e se afastando.
Oi. - eu falei, sorrindo e indo atrás dele pra cozinha.

Apesar de certa bagunça na pia, tudo estava perfeitamente limpo e organizado: as panelas dispostas em sua pia de mármore, tudo perfeito e limpo.

o que teremos pra hoje? - perguntei, sentando à mesa, na bancada da cozinha.

risoto de cogumelos com batata corada. Gosta? - sorri, animada. - eu imaginei, você tem um estilo de vida bem saudável, então sabia que não ia ter como errar. Fico feliz.
Não sabia que você cozinhava.
Ainda tem muitas coisas sobre mim que você não sabe. - ele disse, piscando pra mim, do fogão. - vem cá, experimentar.

Pulei do banquinho e fui até ele. Erik assoprou e colocou um pouco do risoto em minha boca. 

Revirei os olhos, suspirando. Estava delicioso.

nossa, que delicia. - eu disse, sorrindo. - arrasou.

- obrigado. - falou, limpando meu queixo com um dedo.

Depois de alguns minutinhos, Erik me ajudou a me servir, nos sentamos na mesa da sala e começamos a comer. Estava tudo tão gostoso!

Comemos e Erik me contou um pouco sobre sua rotina: ele fazia um curso de gastronomia (por isso cozinhava tão bem!) e seu pai era um militar aposentado que adorava pagar por tudo pra ele (por isso a casa enorme e super chique). Ele também fazia um curso de administração porque ele pretendia se tornar dono da academia em que trabalhava: ele e o atual dono eram super amigos e já conversavam sobre isso.

Depois do almoço, decidimos sentar no sofá pra assistir uma série, enquanto eu ainda tinha um tempinho antes de ir pro trabalho. 


- Acho que nunca gostei de alguém tão rápido assim. - Erik disse, sorrindo e jogando seu braço em cima de meus ombros, chegando um pouco mais perto de mim. 

Eu só ri, sem graça, olhando pra ele. 

Chegamos mais perto um do outro para que nossos lábios pudessem se encontrar. Começamos um beijo rápido, envolvente e bem quente. Ficamos trocando beijos, carícias e explorando o corpo um do outro até meu chefe me mandar uma mensagem, pedindo pra que eu fosse pro escritório o quão antes, porque precisaria ajudá-lo. 

-Te vejo mais tarde, na academia? - Erik perguntou ao me acompanhar até o elevador. 

-Sim. Qualquer mudança de planos, te aviso. - eu disse, beijando-o e me despedindo. 



Depois de umas duas horas de chegar no trabalho, precisei mandar a seguinte mensagem para Erik: 

"Mudança de planos! Vou trabalhar até mais tarde hoje. Não vou conseguir te ver mais tarde". 

Ele respondeu com uma carinha triste e eu voltei a me concentrar no trabalho: tinha muito o que fazer! 

Fiquei até tarde trabalhando naquele dia. 

Cheguei em casa, já quase 22 da noite e encontrei um Noah preocupado, no sofá, olhando pra uma tela de computador.

-Ei; - eu disse, colocando minha  bolsa em cima da mesa da sala e tirando meus sapatos.

-EEi. - ele disse, um pouco mais longo, me observando ir até a cozinha. - eu estranhei o tempo que levou pra chegar, mas achei que ainda eram 18h. Acabei d perceber que já sao quase 22h. 

O que aconteceu?

Noah pegou o computador e o levou pra bancada da cozinha, sentando-se de frente pra mim, enquanto eu buscava um copo de água na geladeira, 

-Meu chefe. - suspirei, colocando um copo com força na pia para me servir. - muitas peças para nós arrumarmos de estagiários fazendo besteiras. Mas, pelo menos, acho que fiz um trabalho tão bom que serei recompensada!

-Boa, Alice! - Noah sorriu, me olhando. Parecia realmente feliz por mim. 

-Temos algo pra jantar? Estou tão cansada e faminta. Só fiquei comento biscoitos por lá. 

-Sim. Fiz um ensopado com uns legumes, tem um bife, deixei arroz pra voce e uma salada na geladeira.

-Ja jantou?

-Estava esperando voce chegar, na verdade. - ele  disse, coçando a cabeça e me olhando. 


Parecia um pouco envergonhado por isso. Sorri, olhando pra ele. Achei aquilo genuíno.

Enquanto começava a esquentar a comida, Noah disse:

-Eu sei que voce acabou de chegar do trabalho, está super cansada e tudo mais, mas... pode me dar uma ajuda? Tem um cliente pé no saco processando o restaurante por causa de uma 
situação que aconteceu zilhões de anos atrás. Voce acha que consegue dar uma olhada nesse processo e me ajudar? Rapidinho. Só uma direção. - eu não resistia àquele jeito dele falar todo sério e comprometido. 

Dei a volta pelo bancão e fiquei ao lado dele, olhando a tela de computador. Me curvei um pouco, até ficar basicamente na altura do rosto dele, olhando pra tela. Eu enxergava mal, então precisava ficar bem perto.

Passei os olhos rapidamente no processo para entender um pouco sobre o que se tratava.

O cliente parecia estar processando o restaurante por ter comido alguma coisa estragada, mas pelo que eu podia ver, poderia ter sido N coisas que ele tinha comido naquele dia (de acordo com algumas contra-provas arquivadas no processo). Enfim, tudo parecia meio lúdico.

-Que doideira isso aqui. - eu disse, apontando pra tela e lendo em voz alta a parte em que o cliente dizia ter certeza de que tinha sido o peixe do restaurante que o havia feito passar mal. 

-Nem me fale. Tem uns dois anos que esse processo está rolando, e cada vez mais é arquivado algo mais surreal. 

-Sim. Aqui ele já está acusando o restaurante de que se engasgou, também, há anos atrás com um pedaço de carne mal cozido... - continuei lendo um pouco mais afundo e me peguei distraída. 

Até perceber que Noah estava me olhando e depositou um beijo suave no caminho entre minha 
orelha e bochecha. 

Virei meu rosto pra ele, aos poucos, surpresa. Sorri. 
-Que foi? 

-Voce tá cheirosa. - disse, me olhando. Nossos rostos estavam bem próximos um do outro, conforme ele estava sentado, e eu curvada, olhando pro computador. - Só deu vontade de fazer isso. 

Encarei-o por alguns segundos e foi suficiente: nossos lábios logo estavam colados, ele de pé, me beijando e me preensando contra a pilastra que tinha ao nosso lado. 

Com mãos apressadas, Noah me tirou meu blazer, minha blusa, e logo eu estava de sutiã. calça, e ele só de bermudas. Sua blusa já estava em algum lugar pela sala. Rindo e desajeitados, nos levamos pro sofá da sala mesmo.

Continuamos nos beijando até eu sentir seu corpo completamente nu em cima do meu. Adormeci em poucos minutos depois desenti-lo dentro de mim e de  toda a agitação.

Acordei com uma deliciosa massagem nas minhas costas. Eu estava de bruços. 

-Eu só precisava disso.  - Eu disse meio embriagada de sono e com o rosto quase afundado no travesseiro. 

-Eu sei. - Noah disse, beijando meu ombro e continuando suas massagens. Ele continuava deitado do meu lado, apenas com os braços em cma de mim, massageando meus ombros. - Eu gosto tanto de sentir você. - Noah começou a trilhar vários beijos, do meu ombro, até metade das minhas costas, ficando em cima de novo.

Continuei deitada, mas acordada (nossa, MUITO acordada), sentindo ele de novo dentro de mim, dessa vez.

Depois de alguns suspiros e gemidos, Noah deitou novamente do meu lado.

-São que horas?

Noah olhou no relógio do móvel da TV da sala e disse, com uma voz embargada: 

-3 da manhã. 

-Jesus. Ainda nem jantei. E amanhã preciso acordar cedo. 

-Hoje precisa acordar cedo.

-Hoje preciso acordar cedo. - eu disse rindo e me levantando, olhando em volta e pegando uma blusa dele que achei mais perto de mim e colocando. 

-Fica bem em você. - ele disse, me puxando pra mais um beijo. 

Que quando começou a ficar intenso demais, eu me afastei, dizendo:

-Chega. Eu realmente preciso comer.  - eu disse, rindo e me levantando. 

-Toma um banho enquanto eu esquento a comida de novo. E abro um vinho pra gente.

-É uma ótima ideia.  - eu disse, rindo. 

Enquanto tomava banho me dei conta da sensação que estava sentindo: era tão boa. Era tão bom estar com alguém daquela forma. Eu e Noah estávamos compartilhando momentos que realmente significavam muito pra mim. No sentido de: era aquilo que eu valorizava em um relacionamento. Momentos como os quais acabamos de viver agora. Eu gosto da paixão avaçaladora, da química extasiadora, mas eu gostava principalmente desse conforto. 
De ter alguém pra chegar em casa, cansada depois de um dia de trabalho, e receber uma massagem. De ter alguém que vai beijar cada partezinha do meu corpo e pensar o quanto gosta da mulher com quem está. De ter alguém que vai esquentar/preparar o jantar pra mim enquanto tomo banho e/ou me arrumo porque sabe do  cansaço que aquele dia me trouxe. De alguém que quando me vir com a roupa dele, vai sorrir e pensar "fica bem em você". Que vai me deixar dormir juntinho, tirar cochilos, fazer massagens, comer junto... eu preciso dessa companhia. 
Eu preciso desse cara que vai ser meu companheiro (em todos os sentidos possíveis).
Depois desses pensamentos não me restavam mais dúvidas: era apenas com Noah com quem eu queria ficar. Pelo menos no momento. 

Roommate - Capítulo 15

quarta-feira, 17 de junho de 2020 Nenhum comentário



Encontrei Erik pra almoçar pouco depois que cheguei no escritório. Fui mais cedo pra lá para terminar de resolver umas
questões com meu chefe, que queria antes do almoço.

-ei. - nós cumprimentamos com um beijo demorado o rosto e nos sentamos em um cantinho isolado do restaurante.

Estava um dia bem frio, graças a tempestade que caiu no final de semana e à frente fria que chegou, ou seja, o restaurante
estava bem vazio. Ele era quase na esquina do meu escritório com a academia de treino de Erik, por isso era o local perfeito pra nos encontrar. Todo decorado com flores e de madeira. Eu adorava o cheiro daquele lugar.

- eita, parece que a gripe de Noah passou pra você, huh? - foi a primeira coisa que ele disse quando nos sentamos. Sério. A
primeira.

Franzi o cenho, me fazendo de idioma por um minuto. 

- ele mandou mensagem final de semana cancelando nosso ensaio extra, dizendo que estava bem gripado. Sua voz está bem
fanha e o nariz vermelho... A não ser que andou chorando ?

- ah. - soltei uma arfada disfarçada de riso. - é. A gripe dele deve ter passado pra mim.

Erik riu, me olhando, por alguns segundos antes de pegar o cardápio e encará-lo por uns segundos.

- o que você vai beber?

- um chá gelado está ótimo. - respondi ele.

- você come carne?

- até demais. - sorri, olhando-o.

- o que acha da gente dividir esse bife, com essa salada. - me mostrou no menu. Parecia delicioso. Assenti, positivamente com a
cabeça fazendo ele rir.

Chamamos o garçom e enquanto ele saia, anotando nossos pedidos, perguntei:

- que dia posso aparecer na academia pra fazer um treino legal?

- hoje mesmo. Tenho um horário disponível as 18h - falou, colocando os cotovelos em cima da mesa e cruzando seus dedos.

- bom pra você?

- sim. Vou sair do escritório e ir pra lá.

- mas você tem roupa? - ele disse, apontando com a cabeça pra minha blusa social.

- tenho. - ri, olhando-o. - eu sempre saio com um look de treino na bolsa.

- você costuma fazer exercício todo dia?

- no mínimo 3 vezes na semana. Gosto muito. Meu trabalho me deixa estressada as vezes, meus país me deixavam estressada
todos os dias... Acabei adquirindo essa rotina mais saudável.

- por isso que você se mudou?!

- aham. - falei, enfatizando, bebendo meu chá gelado.

- e quais são seus planos pro futuro?

- me formar. Passar de estagiária a advogada do escritório. Ter grana pra sustentar um lugar só meu.

- maneiro - ele disse, me olhando. - morar sozinho é a melhor coisa do mundo. Lavo a louça quando eu quero, ninguém me
perturba.. É uma maravilha.

- e seus pais?

- são de Winsconsin. Eu os visito umas duas ou três vezes por mês. - ergui a sobrancelha.

- e desde quando você montou a banda com Noah?

- ah, a gente se conheceu no High school. Era uma banda sem muitas pretensões. Até começar,os a abrir os festivais do colégio de
ganhar certa notoriedade. Como não tínhamos emprego ainda, era legal tirar uma grana daquilo.

- muito legal! E hoje vocês continuam ainda.

- é. É bom porque é um laço forte que tenho com meu passado.

Que gosto muito. É como se fôssemos parte do meu passado que eu goste de manter ativa na minha vida.

Nossa comida chegou e comemos e conversamos por mais uma hora. Até eu me dar conta de que precisava voltar pro escritório.

Erik insistiu em pagar a conta e me levou até a porta do escritório.

- te encontro às 17h então, né? - ele disse, segurando em minha cintura.

- promete que vai levar leve? - ele tinha braços fortes e tatuados.

Se esse homem me jogasse no chão, ele me quebraria.

- você vai pedir pra eu pegar pesado.

Com aquele sorriso irresistível na mente, entrei no escritório toda arrepiada.

Trabalhei que nem uma condenada o dia todo. Respondi e-mail, fiz café, conversei com cliente novo... Fiz literalmente de tudo.

Por volta de 17:00 troquei de roupa, colocando uma roupa mais confortável para treinar e fui pra academia de Erik.

Deixei minhas coisas em um canto, e um outro professor começou às instruções: pediu pra que, enquanto Erik terminava de
atender uma aluna, eu fizesse um aquecimento. Alongamento, flexão, abdominal.

- já está assim? - Erik veio na minha direção, rindo de deboche porque eu parecia acabada, descansado entre um abdominal e
outro.

- você não me irrita. - eu disse, olhando pra ele.

- parece que o coelho te deu um perdido.

Demorei a entender, mas logo percebi que ele estava falando do filme.

- porque a Alice do filme ta sempre correndo atrás do coelho. Entendeu? - ele riu, esticando uma mão pra eu pegar e levantar.

- nossa tinha tanto tempo que eu não ouvia piadas com meu nome. - puxei-o, levantando-me.

- vamos logo, coelhinha. - rimos com meu novo apelido.- vou te dar luvas e vamos começar com uns chutes simples no saco, ok?! -
ele apontou com a cabeça pra o saco de espuma pendurado na parede.

- beleza.

Coloquei as luvas, Erik me posicionou e começamos o treino. A forma que ele, vez ou outra, segurava em minha cintura para
me endireitar e me ajudar, me deixava nervosa. Mas era uma boa sensação.

- isso, bora! Anda. - os incentivos dele, também, eram necessários quando eu já sentia minhas forças esgotadas.

Depois de uma hora e meia de treino, terminamos. Eu mal conseguia andar.

Lavei meu rosto no banheiro, arrumei meu cabelo e saímos juntos da academia, seu horário também havia terminado.

Erik tinha um bom senso de humor, eu gostava da forma que ele me fazia rir. Saímos, juntos, ainda conversando e ele me zoando.

Mas fez bastante elogios sobre minha forma física e força, também.

Ao chegar na porta do meu prédio, Erik deu um sorriso e partiu para cumprimentar um senhorzinho que estava saindo dali.

- Sr. thompson! Quanto tempo!

O velhinho, que estava de terno e bem vestido, sorriu, abraçando Erik.

- você não para de crescer, hein, rapaz?! E essa dai, é namorada, é?

Eu sorri, abaixando a cabeça.

- é a roommate do Noah, tio! Alice, esse é o pai de Noah. 

-ah, é um prazer! - eu disse, cumprimentando ele. - deu pra suspeitar a semelhança.

- é. Ele é bonitão que nem o pai. Ne? - eu e Erik rimos, assentindo com a cabeça.- meu filho comentou que você cuidou
dele esse final de semana. Por causa da gripe. Obrigado. Qualquer dia eu venho com mais calma pra você cozinhar a famosa macarronada que você faz que ele tanto me fala.

- pode deixar. - eu disse, corando um pouco.

- até, garotos. Se cuidem. -disse o pai de Noah, sorrindo e se despedindo.

- até. Foi um prazer.

- até a próxima, Tio. Se cuida.

Depois que ele saiu, Erik segurou em minha cintura, dizendo:

- acho que estou ficando um pouco gripado, também.... - fingiu uma tosse.

- uma pena, porque achei que pudéssemos nos ver amanhã de novo. - disse eu, me virando pra entrar no prédio.

- não! Estou ótimo! Eu juro. - nós dois rimos. - até amanhã, Erik

- eu te mando mensagem. - piscou, mexendo no cabelo e indo
embora.

Quando cheguei em casa, Noah estava na cozinha.

- ei. - disse eu, chegando perto.

- ei. - ele disse, por cima do ombro.

- conheci seu pai. - falei, Abrindo a geladeira para pegar um pouco de água.

Ele sorriu, me olhando.

- foi?

- aham. Eu e Erik encontramos ele agora, na porta do prédio.


O sorriso logo foi embora.

- Erik? - ele pigarreou, franzindo a sobrancelha.

- treinei com ele hoje.

- vocês andam treinando bastante, huh? Acho que vou querer entrar nessa amizade saudável. - falou, chegando atrás de mim e colocando meu cabelo de um lado só, beijando minha nuca.

Amizade saudável?
Risos.

Roommate - Capítulo 14

quarta-feira, 10 de junho de 2020 Nenhum comentário


Depois de almoçarmos decidimos passar o dia deitados, vendo Harry Potter. Eu já tinha resolvido e adiantado várias questões de
processos antigos do estágio, então estava livre. Noah não tinha notícias de seu pai desde ontem, o que era bom para mantê-lo
relaxado e se recuperando do resfriado que havia pego.

- eu gosto de ficar assim. - disse ele, enquanto eu estava deitada em seu peito e ele fazia carinho na minha cabeça.

- assim como?

- quieto. Quentinho. Com você. - olhei pra cima, pra ele, e sorri.

- Alice. - ele disse, mais sério. Sentei-me, ajeitando-me no sofá e olhando pra ele com mais atenção. - acho que quero levar isso a
sério.

- você acha?

- tenho certeza. Se você quiser ficar com outros caras, tudo bem. Mas eu quero ficar só com você. Já decidi isso. - sorriu, me
olhando.

- sem surtar?

- só de vez em quando. - falou, baixinho, me puxando para perto de seus lábios pela minha nuca. - só te beijar.

Começamos um beijo intenso, com muitas mãos passeando e descobrindo nossos corpos. Fomos parados por um susto: a luz
piscando e acabando.

Apenas a luz que vinha da janela da sala nos iluminava. Era cerca de 17:00, o sol ainda estava um pouco longe de se por.

Noah deu um risinho e continuamos a nos beijar. Quando dei por mim, estávamos levantando e indo pro seu quarto, sem desgrudar
nossos lábios. Ajudei, sedenta, Noah a tirar sua roupa e não demorou muito pra minhas roupas irem parar no chão, também.

Um preservativo dentro da cômoda de Noah. Ele em cima de mim. Não demorou muito pra eu ir para o paraíso em poucos
minutos.

A chuva caia forte lá fora, um rastro da luz da rua entrava pela janela de Noah, iluminando a lateral de seu rosto que estava pra
cima, outra estava enfiado em meu peito, onde dormia tranquilamente. Sua respiração era forte e barulhenta, graças a seu
nariz entupido. Eu o olhava dormir e só conseguia pensar: o que era toda aquela adrenalina que estava sentindo?

Eu já tinha me apaixonado antes, digo. Já namorei sério durante um bom tempo, até terminar porque simplesmente não estava mais
dando mais certo, não tinha mais choque, fogo, eletricidade.
 
Parece que, com Noah, todo o choque aparece em todo momento. É bizarro o quanto eu me sinto dormente quando sinto o cheiro de
seu perfume. O cheiro dele.

Levantei-me devagarzinho e fui tomar um banho quente e demorado. Quando estava terminando de tirar o shampoo da
cabeça, tomei um susto ao ver Noah abrindo a porta do boxe.

- tem espaço pra mais um?

E mais uma vez eu arfei, com nossos corpos colados um no outro.

Depois do nosso banho, Noah precisou realizar uma reunião via vídeo conferência com fornecedores do restaurante. Aproveitei
para mandar uma mensagem pra Jess:

" fudeu."

" que merda você fez????"

" dormi com ele. "

E, pouco depois, chegou uma mensagem de Erik:

"Vamos se ver amanha?!"

Sorri, pensando:

Por que não?



- o que tá fazendo? - Cheguei por trás de Noah, que estava sentado em sua cadeira, no seu quarto.

- finalizando o mais rápido possível pra poder tirar logo a sua roupa. - ele disse, entredentes, enquanto eu estava pendurada em
seu pescoço, beijando sua bochecha.

- gosto da sua ideia. - dei uma risadinha. - vou te adiantar, então.

Me afastei e tirei minha roupa, ficando só de lingerie atrás dele. Noah percebeu que eu ia fazer algo e virou sua cadeira devagar,
me olhando de cima abaixo. Aquilo fez meu coração disparar, mas foi uma boa sensação.

— Alice... - falou, me olhando nos olhos. Parecia que ele tinha parado de respirar por um momento. - você tá tornando as coisas
bem mais difíceis.

- estou? Então vou me deitar, aqui, esperando.

Ri e me deitei em sua cama. Não demorou nem 3 minutos pra eu ouvir ele se levantando e me virando, já sem camisa, em cima de
mim.

No dia seguinte, acordei com a voz de Noah. Lavei meu rosto, vesti um casaco e cheguei na porta do quarto dele. Vi que ele
estava fazendo FaceTime com uma menina.

"-... É. Não sei muito o que fazer. É. Mas não é assim, também, eu..."- quando ele percebeu que eu estava olhando-o parou de falar
na hora, e disse - depois falo com você. - desligando.

Sai da porta do quarto e fui pra cozinha.

Vi que já tinha café pronto, então me servi com um pouco e me sentei na cozinha. Abri meu notebook pra ver as últimas notícias.
- te acordei?

Um tempinho depois Noah apareceu na cozinha, perguntando. 

- não, tudo bem. - eu disse, sem tirar os olhos do computador.

Não tínhamos nada sério, então... Não precisava perguntar a ele com quem que ele estava falando, né?!

- está melhor? - eu perguntei, olhando-o.

- muito. - sorriu, encostando a cabeça em uma mão e me olhando. - e você? Tudo bem?

- acho que você me passou um pouco. - falei, secando meu nariz, que insistia em escorrer.

- eu cuido de você. - falou, dando a volta pela mesa e beijando o topo da minha cabeça. - 
Ri, aceitando seu carinho.

- o que vai fazer hoje? - Noah perguntou.

- trabalhar. E vou pra faculdade, daqui apouco. - suspirei. - e você?

- encontrar meu pai. Discutir umas coisas com ele. Nada demais.

- deu de ombro. - quer que eu deixe almoço pronto?

Olhei pra Noah por um momento. Eu tinha marcado de almoçar com Erik. Não sabia se deveria dizer isso.

- não. Acho que vou comer algo na rua. - achei melhor dizer.

- beleza. Vou tomar um banho. Bom dia. - nos beijamos e ele foi pro banheiro.

Enquanto isso, lavei minha xícara e fui pro quarto, separar a minha roupa pra sair.

-o que você vai fazer agora? - perguntou jesus, quando estávamos saindo da faculdade.

- vou encontrar Erik perto do escritório pra gente almoçar junto...

- não. - ela me cortou quando eu estava terminando de falar. - agora que você e Noah já fizeram tudo que tinha pra fazer. Se é
que me entende.

Ri, olhando pra ela.

- Jess, eu estaria mentindo pra você se dissesse que tenho algo em mente e que estamos resolvidos. Porque não tenho. E não
estamos.

- e você vai fazer o que? Namorar dois caras ao mesmo tempo?

Puts, vão ser três. - ela disse e eu não entendi muito, até ver

Thomás vir em nossa direção, me olhando.

- me dá um minuto.

Jess fingiu que estava indo falar com uma colega nossa, quando Thomás chegou mais perto de mim, dizendo:

- oi. - falou, mantendo suas mãos no bolso de seu casaco. Meu coração acelerou um pouco, não vou mentir. Eu gostava desse
jeito tímido dele.

- oi. A gente não se fala tem um tempinho. Que ta rolando?!

- eu... Hum, eu e Sabrina estamos juntos. Sexta eu devo levar ela pro bar. Queria te dizer isso pra não...bem, pra não ser
estranho, sei lá. - deu de ombros.

- juntos? - ergui uma sobrancelha.

Sabrina era uma menina que fazia algumas aulas comigo e com Thomás. Fiquei surpresa dele ter vindo me falar isso. Eu e Thomás
mantemos uma amizade colorida desde o começo da faculdade.

Ele nunca esteve sério com alguém (pelo menos não a ponto de achar necessidade de vir me contar!)

- é. Tem poucos dias, estamos nos conhecendo melhor. - sorriu, me olhando.

Parecia até doloroso ele estar contando isso. Porque, bem, parecia que ele não queria contar.

- tudo bem. - assenti. - sem problema algum.

- mesmo?

- talvez eu leve um carinha na sexta, também. - talvez até dois, pensei comigo mesma.

- sério? - Thomás agora parecia desapontado. Definitivamente, desapontado.

- vou ver como vai ser. - dei de ombros, não fazendo daquilo algo grande.

- é sério..? Vocês dois?

- eu e quem? - viajei por um momento. De quem estávamos falando? Noah ou Erik? Eu tinha dito o nome de algum? Ai, jesus.


Eu sou uma péssima mentirosa.

Thomás riu.

- você e o carinha, Alice. É algo sério?

- não. - deixei um riso bobo escapar por meus lábios.

- bom saber. - ele disse, se afastando de mim com um sorriso bobo em seus lábios.


Jesus.

Eu te pedi só um. E você me dá 3?!

- 

Roommate - Capítulo 13

quarta-feira, 3 de junho de 2020 Nenhum comentário






Acordei no domingo me sentindo melhor. Olhei pela janela e as estradas estavam fechadas. Muita neve cobria tudo. Fiquei um
tempo observando, ainda deitada, a vida acontecer lentamente lá fora.

De repente, ouvi dois toques na porta. Me sentei, assustada.

- oi? - falei alto.

- é Noah. Posso entrar?

- aham. - dei uma arrumada rápida no cabelo. Eu devia estar com uma cara péssima. E com bafo. Droga. Deveria ter levantado
e lavado o rosto, e escovado os dentes.

- ta muito frio. As estradas foram fechadas, vi no meu celular que tem uma tempestade vindo. - ele disse, entrando no quarto e
olhando pela janela.

- senta aqui. - eu disse, bocejando, antes que ele ficasse sem graça e um clima tenso se instalasse ali.

Pois era tudo o que ele queria. Noah deitou na ponta da cama, se cobrindo.

- em dias frios assim, eu amava correr pra cama da minha irmã e me cobrir com ela. Ela fazia carinho no meu cabelo até eu dormir
de novo. - ele disse, se aconchegando no meu travesseiro.

Encostei meu antebraço na cama, chegando perto dele.

Comecei a fazer carinho em seu cabelo.

- ela era mais velha?

- na época, sim, e ainda é. Ela não morreu não. - Noah riu, me olhando.

- é. Tive medo de perguntar da forma errada.

- tudo bem. A gente pode dormir só mais um pouquinho? To com frio.

- pode, Noah.

Me deitei ao lado dele e fiquei vendo ele pegar no sono, enquanto eu fazia carinho em seu cabelo.

- O que fizeram com você, Noah? - eu perguntei baixinho, olhando-o.

Por volta de quase meio dia, levantamos. Na verdade, eu arrastei Noah pra fora da cama. Ele não parecia muito bem. Enquanto dias chuvosos/ com neve me traziam boas memórias e sentimentos, não era o mesmo pra ele, pelo visto.

Fiz um café e torradas pra gente e dei pra ele, enquanto ele assistia a TV, completamente em silêncio.

Meu celular acendeu, acusando mensagem, e quem Viu primeiro foi Noah, já que estava ao lado dele. Ele pegou o celular e me deu,
dizendo:

- ta rolando algo entre vocês dois?

Peguei o celular da mão dele e olhei pra tela.

Era Erik, perguntando se eu estava bem.

- talvez. - dei de ombros, - por que?

- se tiver... Vou me comportar de outra forma e.. Você sabe, cair fora.

Eu ri, bebendo meu café e quase me engasguei.

Noah me olhou, franzindo o cenho.

- Noah, você me beijou e caiu fora. E agora ta dizendo isso?

Ele assentiu com a cabeça, abaixando-a.

Depois de longos minutos, disse:

- por causa da relação complicada dos meus pais nunca consegui me envolver com alguém direito. Quer dizer, eu passei
anos com a mesma menina. E ai ela me traiu. Ela simplesmente me traiu. - suspirou- desde então, eu não me envolvo de verdade
com ninguém. E a gente mora junto, né? A gente mora junto. Não quero estragar isso. Eu gostei de você desde quando te vi na
cafeteria, Alice. Eu senti algo muito forte...e então a gente se beijou,e foi melhor ainda. E eu fiquei assustado. Entende? Fiquei
assustado.

- você não pode fugir de tudo que aparece na sua vida, por não saber se aquilo vai ser bom ou ruim. Imagina quanta coisa boa
você já perdeu?

Me levantei e fui pra cozinha, lavar a louça e começar a descongelar umas coisas pro almoço. Ouvi Noah sair da sala, mas
não foi mais de encontro a mim.

Descongelei umas coisas pra fazer pro almoço, enquanto Noah não saiu do quarto.

Respondi a mensagem de Erik e conversamos um pouco.

Por volta de 13:00, e sem sinal de Noah, decidi ir no seu quarto.

Ia bater na porta, mas percebi que estava entreaberta. Então, abri devagarzinho, e em silêncio, e o vi deitado e dormindo.

Dormindo? De novo?

Cheguei ao lado dele, colocando a mão em sua cabeça. Ele estava queimando em febre.

- Noah. - Eu chamei, assustada. Nenhum sinal. - Noah. - falei mais alto, encostando em seu braço.

- ahn. - ele abriu os olhos, assustado e me olhando. - que foi?

- você está ardendo em febre. Precisa tomar um banho. Anda, levanta. - disse eu, puxando ele pra fora da cama.

- eu só tava cochilando, Alice... - falou, meio bravo.

- e está queimando em febre! Anda logo. Antes que piore.

Fiquei parada ao lado da cama dele, pra ele perceber que eu não iria sair dali tão cedo.

Noah se deu por convencido e levantou da cama, estava só de cueca.

- você tá sentindo outra coisa?

- sim. To puto. - falou, me olhando e coçando a cabeça.

Peguei uma toalha que achei na cadeira da escrivaninha dele e o entreguei.

- acha que consegue ir sozinho? - perguntei, preocupada.

Ele não me respondeu, só entrou no banheiro.

Enquanto tomava banho, corri na cozinha e preparei um chá.

Eu não suportava ver pessoas próximas a mim doentes.

Voltei pra porta do banheiro e fiquei parada, esperando, com medo dele desmaiar ou algo do tipo.

Noah abriu a porta do banheiro, uns 15 minutos depois, assustado.

- o que ha com voce? - perguntou, me olhando.

- não sei se está doente. - dei de ombros. - se é algo sério. Só quero ajudar.

Ele percebeu que estava sendo um babaca. Assentiu com a cabeça e entrou no quarto.

Parece que pra me provocar, dessa vez, não fechou a porta.

Tirou a toalha de sua cintura e eu só não arfei bem alto porque ele estava de cueca. Então, foi um susto rápido. Ficou de costas pra
mim o tempo todo. Suspirei, baixinho, vendo a cena. Ele tinha umcorpo lindo, musculoso e que cheiro bom saía do banheiro...

- vê se ainda estou queimando. - ele sorriu, chegando perto de mim. Sim. Só de cueca. Cabelo molhado. Gotas do banho
pingando em seu abdome.

- morno. - eu falei, baixinho, encostando em sua testa e rosto.

- eu acho que vou começar a queimar... - ele sussurrou, abaixando a cabeça e deixando-a bem próxima dos meus lábios. -
agora. - disse, antes de me beijar.

Noah me pegou pela cintura, eu agarrei sua nuca e começamos a travar uma batalha: dentro de nossas bocas. Era um beijo que
não sabíamos quem desejava mais: eu ou ele.

Ficamos nos beijando pelo que pareceu muitos minutos seguidos, mas não o suficiente, até eu me afastar, dizendo:

- fiz chá pra você. Tome antes que esfrie.

E sai do quarto antes que eu tirasse a única peça de roupa que ele estava vestindo.

Depois de uns minutos, Noah apareceu na sala, vestido dessa vez.

- o chá esta em cima da pia. - eu disse do sofá.

-obrigado.

Noah pegou a xícara de chá e sentou-se ao meu lado, no sofá, começando a beber e fazendo uma cara feia.

- parece que você tem 10 anos.

- que que você colocou nisso? - perguntou, com uma voz anasalada.

- tudo o que você precisa pra melhorar. - fui até a cozinha, peguei um comprimido de vitaminas e entreguei a ele. - toma junto
com esse comprimido. O próximo eu dou de madrugada.

- você é minha mãe?

- por que você simplesmente não aceita carinho de bom grado? É chato isso, sabe?

- desculpa. To com dor de cabeça. Cansado que parece que corri o quarteirão todo. Sinto frio. - percebi que ele estava de calça
de moletom e blusa de manga comprida. E não estava esse frio todo.

- quer tentar comer algo? - ele assentiu com a cabeça, fazendo um movimento que ia se levantar. - deixa, eu pego pra você a
comida. Tudo bem.

Fui até a cozinha e quando estava terminando de fazer o seu prato, percebi que ele estava encostado na pilastra, me olhando.

- como eu vou fazer pra não me apaixonar por você? - Noah disse.

Nossa. Esse remédio estava deixando ele bem sincero, pelo visto.

- é inevitável. - eu disse, com um sorrisinho.

Coloquei o prato de comida em cima do balcão e ele foi na direção dele, sentando-se pra comer. Abri a geladeira para fazer
um suco de frutas, enquanto isso.

-


Roommate - Capítulo 12

quarta-feira, 27 de maio de 2020 Nenhum comentário

Eu não estava tentando evitar Noah. Só porque eu estava acordando mais cedo, indo trabalhar com roupa de academia pra
poder correr logo depois do meu turno e chegar em casa, não quer dizer que eu estava evitando ele sobpor medo do clima entre a gente.

Claro que não.

De forma alguma.


Era sábado. Eu não tinha pra onde correr. De manhã. Tomando café, Noah apareceu na cozinha, dizendo:

- ei. - falou com uma voz sonolenta e falhando.

- oi. - olhei pra ele rapidamente, o coração acelerado.

- últimos dias foram corridos, né? Mal nos vimos.

- é. - balancei a cabeça.

Diga alguma coisa, Alice. Qualquer coisa. Vai, diz.

- Alice

- Noah, eu...

Paramos, juntos. Um suspiro.

- desculpe por aquilo, outro dia. -Noah disse, olhando dentro de menus olhos. - não vai se repetir mais. - fui deixando ele falar. - eu não quero me envolver com ninguém agora, sabe? Ando muito estressado. Meu pai me condo,é muito, sabe? Não tenho energia para outra coisa na minha vida.


Outra coisa?

Se envolver?

Cara. Que?

Por que estou tendo a sensação de que tomei um fora?

E eu não disse nada. Nadinha. Nadica.

- ta bem.- eu só consegui dizer isso. Virei-me pra lavar minha xícara de café.

- moramos juntos, não quero que as coisas fiquem estranhas.

Gostei de você, de verdade, Alice. - falou, chegando só meu lado pra pegar sua xícara no armário de frente pra mim.

- que bom, Noah. - eu falei, olhando pra ele e sorrindo, puta da vida.

Seu babaca. Deveria ter pensado nisso antes de falar essas merdas.

Eu ia passar o dia sentada, estudando, mas estava sentindo uma energia tão grande, queria colocar pra fora de alguma forma...

Coloquei rapidamente uma roupa confortável e fui correr. Só passei por ele na cozinha, ele levantou a cabeça, percebi, mas não disse nada. Apenas fui correr.

Corri até não poder mais. Até sentir minhas pernas bambas. Estava um tremendo sol, sentei em um banquinho ali na praça em
que eu estava caminhando/correndo para descansar por uns minutos.

- Alice? - ouvi meu nome sendo chamado e olhei pra cima, curiosa. Eu estava inclinada pra frente, apoiando méis cotovelos
em meus joelhos.

- ei. - sorri, ao ver que era um dos amigos de Noah, da banda. Era Erik o nome dele?

- lembra de mim, né? Eu sou o Erik. Baixista da banda de Noah.

- assenti com a cabeça. - você sempre corre por aqui? Nunca te vi.

Notei que ele estava com roupas de academia, também.nsuado. Cabelo despenteado...uau. Por que eu não havia reparado nele
antes? Erik tinha olhos claros, um azul que não era desse mundo e não era possível ser comparado ao azul dos oceanos porque, bem, não chegava perto. Era tipo um Nate, de Gossip Girl.

- lembro, sim. Não, eu costumo correr na praia. Hoje decidi vir aqui, já que estava mais disposta a ficar perto de casa.

- já acabou, ou topa dar mais umas voltas?

Parei, olhei pra ele. Sorrindo. Bonito. Educado.

Por que não?

Corri com Erik até quase 13 da tarde. Só paramos porque não tínhamos mais fôlego pra continuar, mesmo.

- eu trabalho em uma academia de boxing. Sou professor lá. Se você quiser ir fazer um treino comigo, um dia... Aula experimental é de graça. - sorriu. Eu já disse o quanto o sorriso dele era bonito?

- que maneiro. Eu sempre quis fazer alguma luta. Vou, definitivamente, considerar isso. - eu ri - me passa seu número. Te
aviso quando for dar uma passada lá.

- claro.

Trocamos nossos telefones e um "tchau" de longe, já que estávamos ensopados de suor.

Voltei pra casa e suspirei aliviada, sem sinal de Noah.

Estudei até quase 16:00. Fiz um bife, uma salada e alguns acompanhamentos. Fiz bastante pra que Noah pudesse comer
também, mas acabei almoçando sozinha. Aquilo me deixou triste.

- oi. - estava tão entretida nos estudos que não notei Noah chegando no quarto, só quando ele acusou, dizendo.

- ei. - disse, fechando meu livro e olhando pra ele.

- almoçou sozinha? - disse, entrando no quarto e sentando na cama, de frente pra mim.

- é. Achei que você fosse chegar pro almoço, mas...

- desculpe. Dei um pulo nos meus pais. Mas provei o bife. Tava delicioso. Obrigado, de qualquer forma.

Dei de ombros, com um sorriso meia boca.

- Alice...desculpa pelo jeito que me expressei hoje cedo. Eu achei que interpretei as coisas errado, e..

- Noah. Ta tudo bem. - encostei minha mão na dele, debruçando um pouco meu corpo pra cima do dele. - ta tudo bem.

- os caras vem ensaiar aqui, pouco mais tarde. Tudo bem?

- claro. - fiquei animada. Ia ver Erik hoje, então tudo bem.

Depois de Noah sair do quarto meio confuso, que que ele estava esperando, que eu me jogasse nos braços dele e o beijasse?, fui
pro banho e mandei uma mensagem pra Jess, pedindo pra que ela viesse mais tarde ver o ensaio e ficar um pouco comigo.

Por volta de 19:00 todos chegaram. Coloquei um vestido confortável, arrumei meu cabelo e passei uma maquiagem leve no
rosto. Quando a campainha tocou e eu sai apressada pra sala para atender, Noah ficou me olhando com uma cara esquisita. Certeza que estava pensando "por que essa animação e produção toda?".

- amiga. - Jess me abraçou assim que entrou, parando pra me olhar de longe. - pra que essa produção toda, hein? - disse, me
entregando. - oi, Noah! - cumprimentou Noah, que estava sentado na sala, observando nós duas até então.

- também me perguntei isso. - ele soltou, me olhando. Não esperava ouvir isso da boca dele. - e aí, Jess?!

- quis me arrumar, gente... Tava me sentindo pra baixo. É isso. - dei demorou, indo pra cozinha com Jess.

- ta, agora a verdade. - ela disse baixinho.

- encontrei um dos amigos do Noah hoje quando sai pra caminhar. Erik. Ele é perfeito. Você vai ver.

- agora eu estou entendendo! - falou, meio alto, reprimi ela comum "shh ". - mas e aquele príncipe que parece todo enciumado
na sala?

- Jess. A gente ficou. E a primeira coisa que ele disse depois foi: "ah, não quero me envolver". - Jess me olhou, boquiaberta. - veio pedir desculpas hoje de manhã.

- não acredito. Que babaca!

- é. Então, vou pra onde a vida me levar. - disse eu, dando de ombros e bebendo um gole de vinho.

Quando os meninos da banda chegaram, foi visível o quanto Erik não parava de me olhar ou lançar algum papinho pra cima de mim.

Eles primeiro ensaiaram, eu e Jess ficamos olhando de um cantinho, e depois sentamos todos juntos pra comer uma pizza e
assistir a um filme. Erik sentou do meu lado e Jess do outro. Notei Noah decepcionado ao notar que não tinha como ficar perto de mim. Mas ignorei.

Por volta de meia noite, todos foram embora. Fui até lá embaixo levar Erik e ele se despedi com um beijo demorado em minha
bochecha. Ah, como era cheiroso aquele menino.

Ao voltar pro apartamento, Noah estava de pé, encostado na pilastra da cozinha.

- Levou eles lá embaixo?

- aham. - fui até a geladeira pegar um copo de água pra eu levar pro meu quarto.

- você e Erik pareciam mais próximos essa noite, ou....?

- é. Mais cedo eu sai pra caminhar e nos encontramos. Corremos juntos um pouco.

- por que não me chamou pra correr com você? - Noah soltou rápido demais e foi visível que se arrependeu. Deu as costas pra
mim, fingindo que não disse nada, mas eu não me aguentei e falei:

- depois do fora que você me deu?

E fui dormir.

Roommate - Capítulo 11

quarta-feira, 20 de maio de 2020 Nenhum comentário

Depois de jantarmos, os meninos da banda ficaram um pouco conosco e logo saíram. Foi bem divertido estar com todos de novo.

Fui pro meu quarto para ter,inçar de fazer uns trabalhos da faculdade, enquanto Noah disse que ficaria na sala, assistindo à
alguns episódios de uma série.

Acabei pegando no sono e dormindo em cima da escrivaninha, no meio da papelada do escritório e da faculdade. Acordei
incomodada porque estava suada e morrendo de calor. Olhei em volta, tentando me situar.

3 da manhã de quinta-feira. Notificação no celular dizendo que tem uma tempestade vindo. Meu celular estava na tomada,
carregando, antes deu dormir. Percebi que não estava mais com o ícone de "carregando". Meu coração deu uma muni acelerada.
Jesus, se meu carregador estiver pifado...a morte doeria menos.

Fiz uns ajustes nele e no cabo, e nada. Tinha algo de errado. Estava tudo escuro... Eu não estava estudando de luz acessa?

Noah deve ter desligado, ao me ver dormindo no quarto.

Então, me levantei e fui acender a luz do quarto, pra que pudesse entender melhor o que estava rolando.

Mas a luz não acendia.

Agora entendi o que tava rolando.

Fui até a sala, tudo escuro, mas conseguia ver a silhueta de um Noah sentado no sofá, sem camisa, coçando a cabeça.

- Noah? - perguntei, indo em direção à janela da sala para poder abrir e ver se entrava alguma corrente de ar.

- Oi. - respondeu com uma voz rouca. - tudo bem?

Uma brisa da madrugada entrou na sala, e eu e Noah suspiramos aliviados. Tinha ficado bem quente ali por questão de
minutos.

- acho que a luz acabou. Costuma acontecer isso?

- quando está previsto temporal, sim. Você viu algo sobre? - ele se levantou e veio pra perto de mim, na cozinha, abrindo a
geladeira.

- aham. No meu celular tem um alerta. - ah. O meu descarregou. - ele pegou a garrafa de vinho, abriu e
começou a se servir. - quer um pouco?

Assenti com a cabeça, de forma positiva.

- é o que temos pro momento. - disse eu, segurando uma taça enquanto ele me servia.

- ficar sem luz me lembra bons momentos quando eu era pequeno. - disse ele, se sentando em frente à mim.

- é? Tipo quais? - apoiei um braço no balcão da cozinha, segurando minha cabeça, interessada.

- aonde eu morava a gente não tinha....

E então Noah começou a contar várias histórias sobre a família dele e da casa do interior que eles moravam, que ficava em Cape
May, interior daqui de Nova Jersey. Contou sobre quando acabava a luz eles tinham o costume de se reunir, na sala, e contar histórias. Fossem do passado, de mentirinha.

Em um momento notei que ele falou sobre ter uma irmã. Curiosa, perguntei:

- você tem uma irma?

Notei Noah ficar tenso e abaixar a cabeça, visivelmente arrependido por ter deixado escapar.

- deixa pra lá. Não precisa falar sobre isso. - Noah logo mudou sua postura, parecendo mais aliviado agora. - famílias são
complicadas. Eu estou morando com você, justamente por causa disso.

- as coisas são mais que complicadas lá em casa. Como eu te disse, eu assumi a empresa do meu pai por conta da idade dele.
Mas ainda sim, ele me cobra muito. Ele não largou "o osso", entende? Ele está por trás de tudo ainda e quer relatórios o tempo
inteiro, quer mandar... Sendo que não fui eu quem quis assumir a empresa. Ele me pediu. Minha mãe basicamente me implorou. Eles sabiam do meu conhecimento e preferencia quando os assuntos eram investimentos, administração. Eu, na época, quis ajudar. Fiquei tocado. Mas tem sido um inferno desde então. É estressante.

- você assumiu a empresa há quanto tempo?

- há pouco mais de um ano. - disse, bebendo um gole da sua taça. - e desde o começo ele está lá, me atazanando. - forçou um
riso.

- se você não tivesse fazendo isso, o que estaria fazendo?

- comandando minha própria empresa. - deu de ombros, - ou a empresa de alguém. Que me deixasse estar no comando, de
verdade.

- e porque você não mora mais com eles?

E ele fez a mesma cara que fez quando falamos sobre sua irmã. Deu pra perceber que os assuntos estavam conectados. Parei, de novo.

- certo. Tudo bem. Eu preciso dormir. Você também. - disse eu, descendo do banco da cozinha. - já passa das 3.
Noah arregalou os olhos, surpreso. Também não imaginava que tínhamos conversado por tanto tempo.

Ajudei ele a guardar o vinho e alguns petiscos que tínhamos pegado na geladeira, lavamos as taças e antes de cada um ir pro
seu quarto, no corredor, ele disse:

- Alice.

Me virei, esperando.

- Tinha um tempo em que eu não conversava dessa forma, tão honesta e sincera com alguém. Que alguém não me ouvia, de
verdade, pelo menos, obrigado.

Apenas assenti, sorrindo.

Entrei no meu quarto com aquela imagem do sorriso de Noah na minha cabeça.

No dia seguinte, acordamos super atrasados. E era uma quinta- feira. De aula normal. Trabalho normal. Tudo normal.

Preparei um café rápido para Noah levar pro trabalho e saí na rua comendo meu sanduíche, mesmo. Estava caindo uma
tempestade terrível. Cheguei na faculdade ensopada.

- você veio por baixo das poças, foi?

- engraçadinha. - eu ri, forçadamente, para Jess, tentando me secar no banheiro.

Assim que cheguei, a chamei pra que viesse me socorrer. Eu estava muito molhada.

- por que se atrasou dessa forma? Você nunca se atrasa. - ela me lançou um olhar inquisidor.

Demorei pra responder.

Ela logo entendeu.

- ah. - botou a mão na boca, surpresa.

- não aconteceu nada. Só acordei de madrugada, sem luz... ele também.... dividimos um vinho e conversamos. Só isso.

- aí, aí, aí, Alice. Isso não vai prestar.

Dessa vez, não refutei as palavras de Jess.

O que a fez ficar mais chocada ainda.

E pra minha surpresa, eu também.


Por conta da tempestade, tudo foi fechado e/ou mandado fechar.

Cheguei em casa, junto com Noah. Nos encontramos na porta do prédio, ensopados.

Olhei pra cara dele, rindo.

- quando você acha que acordar um dia atrasado não pode piorar.... uma chuva dessas cai.

- e piora seu dia todo. - eu completei, dizendo.

Noah fez sinal pra que eu passasse na frente dele e entrasse no prédio. Assim eu fiz.

No elevador, ele perguntou:

- sabe se tem algo pra gente jantar?

- tem uns legumes na geladeira. - fiz uma cara feia, enquanto tentava fechar meu guarda chuva. Consegui comprar um no meio
do caminho pra casa.

- vamos pedir algo. O que você gosta de comer?

- tudo, basicamente. - eu disse, entrando em casa com ele.
Noah riu.

- pode ser comida japonesa? - meu coração acelerou quando ele perguntou.

Além de ser bonito, inteligente, educado... ainda come comida japonesa?

Eu estou definitivamente ferrada.

Pedimos comida e comemos juntos na sala. Conversamos sobre o quanto o dia foi corrido e, em um momento distraído, apoiei
minha cabeça no ombro de Noah. Estávamos descansando do almoço, assistindo a uma série na TV.

Eu estava me sentindo tão confortável, tão em casa, que achei o ato mais natural possível. Ainda bem que Noah pareceu achar
também, já que apoiou sua mão/antebraço em minha coxa.

Mas não pareceu algo natural pra mim: me causou uma adrenalina bizarra no corpo todo. Eu queria seu toque.

Entao, em um ato repentino de coragem, levantei a cabeça e olhei pra Noah. Ele pareceu perceber o que está a acontecendo ali.

Olhou pra mim na hora. Levou sua mão até meu rosto, aproximando nossos lábios e finalmente colou eles dois.

O que começou com um beijo rápido, se prolongou para duas línguas dançando juntas, numa sintonia e ritmo perfeito. Levei,
também, minhas mãos até sua nuca. Era tão bom sentir seu cheiro tão de perto, sentir a descarga elétrica que percorria pelo meu corpo enquanto nos beijávamos... era tudo perfeito. Tudo parecia perfeito.

Fomos diminuindo nosso beijo com vários beijos curtinhos, a sensação que eu tive naquele momento foi a de que não queria
que acabasse nunca aquele momento.

Noah se afastou de mim, parecia confuso, perdido.

Não o culpo.

Eu também estava.

-

Roommate - Capítulo 10

quarta-feira, 13 de maio de 2020 Nenhum comentário

Segunda-feira fui pra faculdade e encontrei meus amigos. Thomas estava justamente no círculo com todos, então, foi meio
inevitável não falar com ele.

-e aí. - Eu disse pra ele, chegando do seu lado, depois de cumprimentar todos

-Tudo bem? - riu, me olhando.

-Aham. 100% livre da ressaca.

-Eu ainda estou chegando lá... me disseram que eu estava bem ora de mim. Desculpa alguma coisa. - deu de ombros. Ele estava
bem tímido. Gosto e prefiro ele dessa forma, sem se jogar pra cima de mim.

Jess veio na minha direção, fez um movimento com a cabeça para Thomás, como se me pedindo a permissão dele para me
pegar emprestado. Permissão concedida, ela me empurrou um pouco pra longe dali, aonde podia perguntar:

-e aí?

-E aí o que? - eu ri, olhando-a como se eu não soubesse do que ela estava falando.

-Noah, Alice, o Noah!

-Está bem, saímos pra caminhar ontem de manha, fizemos almoço.... tudo tranquilo.

Tenho certeza que ela estava esperando a merda acontecer, certeza.

E até que não demorou muito pra começar a acontecer....

Quarta de tarde, fui liberada mais cedo do estágio já que eu estagiava em um escritório (de direito, né) e meu chefe precisou
fechar o local porque precisaria viajar para resolver assuntos familiares e achou melhor não deixar ninguém “no comando” como sempre fazia, e sim, dar-nos o dia de folga, já que não teríamos nenhuma peça para resolver, nem nada urgente, éramos apenas 4 estagiários: eu cuidava da captação de clientes, Anne cuidava da parte financeira, John da parte jurídica mais avançada e Arthur, era tipo o braço direito de Vinicius (meu chefe), fazia de tudo um pouco.

Estava sentada no chão da sala, terminando uns resumos, quando Noah chegou com uma toalha cheia de sangue na cabeça,
ele pressionava com uma mão a toalha, quando entrou na sala e deu um passo pra trás, surpreso de me ver.

-ei.. meu chefe me liberou hoje. O que aconteceu? - me levantei na hora, indo em sua direção.

-Ah. Achei que estaria sozinho. Acidente de trabalho. Nada demais.

-deixa eu te ajudar. - ajudei-o a tirar a bolsa carteiro que ele usava e fomos pro banheiro.

Assim que tirou a toalha da cabeça, eu quase caí pra trás. Noah estava com um corte muito profundo na testa/quase no cabelo.

-que tipo de acidente foi esse? - perguntei, receosa. Não parecia um “acidente”

-Estava arrumando umas prateleiras na dispensa, dei uma porrada na prateleira de cima e caíram umas coisas na minha
cabeça...

-Algumas coisas?

-Pratos.

-De vidro?

Noah riu, me olhando. Eu balancei a cabeça, como se dissesse “deixa pra lá”.

-acho que precisa levar ponto.

-Não precisa não. Já aconteceu antes. Só cobrir e gelo.

Lavei a toalha que ele estava usando na pia, torci e ajudei-o a limpar, limpar o sangue que escorria enquanto eu estava limpando.

-ouch. - Noah reclamava as vezes, conforme eu apertava.

-é. Se você é sócio do lugar, que é que estava fazendo arrumando a dispensa?

-Faltou um pessoal hoje. Precisei fazer outras coisas. - falou com dificuldade - aí, minha cabeça dói.

-Toma um aspirina. - falei, me virando para lavar de novo a toalha.

Quando estava torcendo, Noah, que estava sentado na privada, ficou de pé e de frente pra mim.

-não precisa fazer isso...

-Não vou deixar você desse jeito, né? - eu disse, ficando um pouco na ponta dos pés pra poder continuar limpando sua cabeça.

Me desequilibrei (Noah era um tanto mais alto que eu) e num reflexo, ele me segurou pela minha cintura. Fomos pra trás e eu
acabei encostada na parede do BOX, e seu corpo, bem colado ao meu.

Fui abaixando a mão com a toalha aos poucos e Noah abaixando a sua cabeça, indo em direção aos meus lábios. Sim, os
meus labios. Ficamos uns segundos cara a cara, há poucos centímetros um do outro, com nossos lábios pouco separados um do outro. Eu podia sentir seu coração bater acelerado em seu peito, sentia o vento de sua respiração.

Até seu celular começar a tocar em sua bolsa. Noah levantou seus olhos até os meus e me observou por um instante que
pareceu durar horas. Aquele olhar definitivamente ficaria na minha mente por um bom tempo.

-deve ser meu chefe, querendo saber se estou bem. - ele riu, de afastando pra ir pra sala pegar o celular.

Precisei de alguns minutos ali pra me recuperar daquele momento.

Depois disso, voltei pra sala e ele estava deitado no sofá, com uma bolsa de gelo na cabeça.

-você tá legal?

-Aham. Mas confere se daqui há pouco não vou desmaiar, ok?

Ri, de nervoso.

Voltei pro chão e a organizar meus resumos, enquanto Noah descansava.

Cerca de 20minutos depois, que eu estava distraída terminando de organizar minhas coisas, me toquei que Noah estava muito
quieto. Estranhamente quieto. Olhei pra trás, pro sofá, e percebi que ele estava dormindo.

Preocupada, resolvi acorda-lo. sacudi ele algumas vezes e chamei pelo seu nome. Noah foi abrindo os olhos, meio perturbado, e de cara feia.

-que foi?

-Você dormiu. Fiquei preocupada. - falei, me levantando e indo até a cozinha pegar um copo d’água. - quer água?

-Aham, MEU DEUS, são que horas? - ele levantou, assustado.

-Quase 16h. Por que?

-17:30 tem ensaio da banda aqui. Tudo bem?

-Sem problemas. Está na hora deu conhecer eles, também. Vou tomar um banho e guardar minhas coisas.

-Tudo bem.

Juntei minhas coisas da sala, arrumei tudo no meu quarto e fui tomar um banho.

Por volta de quase 18:00 conheci o pessoal da banda. Me receberam com sorrisos calorosos e abraços apertados: amo gente
assim!

Percebi que no momento em que dei as costas para eles e Noah, ficaram cochichando no ouvido do meu companheiro de
quarto (casa), provavelmente sobre mim.

Enquanto eles ensaiavam, decidi fazer um lanche pra que comessem depois do ensaio.

Enquanto deixei o forno ligado e assando uma pizza que eu

Havia preparado (sempre tinha mesa de pizza apenas esperando tempero e recheio na nossa geladeira, justamente para momentos como esses), fui pro quarto terminar de fazer umas coisas.

Peguei meu celular tocando, e ao ver que era Jess, logo atendi.

-tudo bem? - ela não costumava me ligar, e sim passar mensagens, então logo fiquei preocupada.

-Eu to te mandando mensagem mas você não responde, garota!

-Desculpa! Os amigos do Noah estão aqui ensaiando pra banda música alta e eu tava na cozinha preparando um lanche pra gente.
Que houve?

-Ms. Green liberou as notas de tributário! Vai lá ver! - socorro.

Era a matéria que eu estava quase que pendurada.

-Ta, ta! Depois te ligo! - eu disse, desligando o telefone.

Peguei meu computador que já estava ligado, apenas no modo de espera, e entrei no site da faculdade pra conferir minha nota.

8.7! Aprovadossima!

Suspirei, aliviada.

Era meados de setembro, o semestre havia acabado de começar, eu não podia correr o risco de já começar com uma nota
vermelha. Tinha estudado que nem louca pra essa prova!

Mandei mensagem pra Jess, comemorando:

“APROVADAAAAAA!!!!!!!”

E voltei pra sala/cozinha, feliz da vida.

A pizza estava quase terminando de assar, Arrumei a bancada da cozinha com uns pratos e, também, na mesa que tínhamos.
 
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