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So ready - Capítulo 4

segunda-feira, 5 de agosto de 2019 Nenhum comentário


Eu odiava aquela garota.
Principalmente, odiava aquela garota que disse basicamente um “não” para ajudar uma criança de 5 anos.
Ouvimos um movimento no sofá e ao olharmos: Theo estava de pé com o ursinho que dei.
- pelo visto você arrumou um novo amigo aí, né? - disse Dimitri, se levantando e indo abraçar o afilhado.
Theo sorriu, correndo para abraçá-lo.
- você tá melhor? - perguntei, me aproximando. Ele assentiu, confirmando com a cabeça.
- Vamos ver a mamãe?
- Vamos! - Theo respondeu, animado.
- pega sua mochila ali, então. A pasta também.
Dimitri se levantou e se virou pra mim e veio na minha direção, com um sorriso meio bobo.
- Não sei como te agradecer. - e pegou uma mão minha.
Nunca havia feito isso.
- Não precisa. - apertei seus dedos por uns segundos. - faria de novo.
- A gente se fala. - se aproximou e ficou a centímetros do meu rosto. Não sei de onde tirei coragem e olhei dentro de seus olhos.
Dimitri se despediu com um rápido beijo em meus lábios.

No dia seguinte, cheguei toda saltitante na faculdade.
Jesus. Eu não podia estar apaixonada de novo.
- Que carinha é essa, ein? - Jonas né olhou, sorrindo.
- Nada. Cara nenhuma. - dei de ombros, mas um sorriso escapou de meus lábios. Não consegui conter.
- Sei. Dimitri veio me contar todo bobo sobre você sendo baba pro sobrinho dele. Foi bem legal o que você fez, Ayra.
- eu sei. - sorri, virando- me pra frente.

Poucos minutos depois da aula ter começado, um Dimitri de cabelo molhado, roupa amassada e apressado entrou dentro de sala. A melhor coisa do mundo foi te-lo visto olhando em volta e parando seu olhar sobre mim: e sorrindo!
Ah, meu Deus.
Eu me apaixonei.
Sentou-se do meu lado e perguntou baixinho:
- perdi muita coisa?
- nada. Theo esta bem?
- sim. Agora ele quer comer “sua carninha” de novo. - eu ri, baixinho. Tinha feito uma carne com legumes que Theo adora.
- fala pra ele passar lá em casa sexta depois da aula. - eu disse, jogando.
- eu também posso passar lá, sexta, depois da aula? - Dimitri sorriu, me perguntando enquanto tirava seu material de dentro da mochila.
- vou pensar.
Sorri, olhando pra frente e fingindo que ele não estava mais ali.
O que foi difícil pra cacete porque eu sentia os olhos dele sobre mim a aula inteira. A aula inteira.
Na saída, fiquei distraída com coisas de um trabalho que precisava entregar e acabei não falando com Dimitri.
O resto da semana passou num piscar de olhos com nos dois trocando mensagens e sorrisos e olhares entre aulas, mas só isso.

Pelo menos até a sexta feira, que Dimitri deu um berro no meio da aula ao receber um e-mail. Era do trabalho: ele havia sido escolhido no processo seletivo.
Olhei-o assustada, mas ri. Sorte que era um professor bem legal que estava dando aula e apenas riu da reação e quis saber o que tinha acontecido.
- hoje tá de pé, então? - disse Dimitri, sorrindo.
- Hoje está de pé.
Quando a aula acabou fomos todos pro “nosso” bar. Mas tinha algo de diferente naquela saída:
Dimitri não saia do meu lado, não tirava uma mão de minhas costas e não tirava os olhos de mim.
Dimitri era meu. Finalmente, ele era meu.
Dançamos, bebemos e comemoramos.
Por volta de quase 3 da manhã, voltamos pra casa. “Para fazer minha segurança”, insistiu que me deixasse na porta de casa.
- Obrigada por hoje. - ele disse, chegando perto de mim meio trôpego.
- Obrigada por hoje. - sussurrei, antes de puxa-ló pela gola de sua jaqueta e colar nossos lábios.
Nos beijamos como se estivéssemos prontos já há muito tempo.
Talvez porque, de fato, estávamos.
Eu estava pronta pra ele.
...

So ready - Capítulo 3

sexta-feira, 2 de agosto de 2019 Nenhum comentário

- Theo está passando mal, minha irmã presa no trânsito e meu cunhado está viajando. A creche dele fica aqui perto. Mas eu- eu....
Eu nem esperei ele terminar de falar.
- vou buscá-lo. Peça pra Anna avisar ao pessoal do colégio que sua amiga vai buscar seu sobrinho.
- Ayra?  - Dimitri me olhou confuso e surpreso ao mesmo tempo.
- Você precisa ir nessa entrevista, Dimitri. E não vejo problema. Eu busco o Theo e ele fica lá em casa até você sair entrevista e poder buscá-lo. Tudo bem?
Dimitri não respondeu: apenas deu um sorriso, de orelha a orelha, e ligou para sua irmã.
Me passou as informações do colégio e do que eu precisaria fazer com o seu sobrinho doente e parti para lá na hora.
Não pensei nem duas vezes.
Quando estava quase chegando, comecei a suar frio. Eu nunca tinha cuidado de uma criança na minha vida (não sozinha! E não com ela doente!)
Que diabos eu estava fazendo?
Que diabos eu iria fazer?
Encontrei um Theo bem abatido e sonolento na creche.
Em contrapartida com o que eu estava acostumada: feliz, saltitante e sempre com uma história boa na ponta dos lábios.

Conheci o sobrinho de Dimitri já há alguns meses, quando justamente Dimitri precisou cuidar dele para a irmã e o cunhado enquanto nos dois fazíamos trabalhos ou estudávamos pra provas de faculdade. Por isso mesmo que me ofereci sem nem pensar duas vezes para cuidar do garotinho que não teria outra pessoa para buscá-lo.

Comprei um ursinho de pelúcia pra ele no caminho para ver se animava, mas nem assim ele ficou muito pra cima. Ver um garotinho de 5 anos pra baixo por causa de uma gripe era devastador.
Passamos na farmácia, comprei alguns remédios que Anna -mãe de Theo- pediu para dá-lo imediatamente e fomos pra minha casa.

Atualmente eu morava com minha melhor amiga, que estava terminando a faculdade. Morávamos juntas mas mal nos encontrávamos: conforme ela estava fazendo residência (estudava Medicina), eu saia na hora que ela chegava em casa e passava muitas noites sozinhas por conta de plantões dela.
Fiz uma comida bem simples pra ele (me informaram que ele havia almoçado muito pouco no colégio), então tentei dar alguns legumes amassados e um bom suco de frutas. Theo comeu um pouquinho e logo adormeceu, talvez por conta do remédio de gripe que pediram pra eu dar.
Em todo esse tempo, Dimitri (e Anna!) me mandavam mensagem desesperados querendo saber cada segundo sobre Theo. Eu me dividi em 3: olhar o theo, responder Dimitri e responder Anna.
Assim que o garotinho dormiu, tomei um banho rápido, troquei de roupa e sentei para matar umas pendências da faculdade.

Por volta das 17h da tarde, meu celular começou a tocar. Só percebi que eu tinha dormido pelo susto que tomei. Olhei pro sofá (aonde arrumei Theo para dormir) e graças a Deus ele continuava dormindo como um anjo.
- oi. - atendi meio grogue o telefone, mas tentando disfarçar a voz de sono, era Dimitri.
- Ei. Te acordei? Tudo bem?
- eu tirei um cochilo enquanto Theo esta apagadinho. Tudo bem por aqui. E aí, como foi?
- To chegando aí e a gente se fala.
- tá bom.
Desliguei, fui lavar meu rosto e dar uma ajeitada no cabelo.
Poucos minutos depois, ouvi o interfone tocar. Atendi rapidinho para não acordar o Theo e pedi para que o porteiro liberasse Dimitri.
Assim que subiu e deu de cara com Theo dormindo no sofá, abriu um lindo sorriso.
- Você é demais. - me abraçou e me deu um beijo na bochecha. Um beijo demorado na bochecha.
- eu sei. - rimos. - eu estava pra fazer um café. Quer?
- Com certeza.

Fomos pra cozinha e coloquei a água para ferver e preparar as coisa sobre para fazer o café.
- como foi lá? Me conta!
Mas só obtive resposta de Dimitri quando me virei pra ele. Ele estava completamente absorto em seus pensamentos enquanto me olhava separar o pó do café e as coisas.
- Desculpa. - riu, abaixando a cabeça. - ahn, foi muito bom. Eu estava distraído por causa de Theo, claro, mas contei a eles isso e chegaram até a se mostrar preocupados!
Claro. Com um currículo que Dimitri tinha... claro que iam beijar os pés dele para que ficasse e aceitasse a proposta.
- Que bom! E quando você vai ter resposta?
- Semana que vem. - disse, me olhando. - sexta à tarde. Se for positivo a gente pode comemorar. Só eu e você.
Parei, olhando-o e sorri.
- só eu e você.  - eu repeti.
Ficamos conversando mais um pouco até a água ferver e eu colocar no pó de café e na xícara.
- fiquei bastante surpreso com sua atitude hoje. - Dimitri disse, enquanto tomávamos nosso café. Me sentei de frente pra ele, do outro lado da mesa.  Franzi o cenho, não entendendo. - isso já aconteceu antes. Não muito parecido. Mas precisei de alguém para buscar Theo ou levar Theo pra escola, algo assim... te contei... e passou batido.
- sério?
Eu definitivamente não lembrava.
- Sério. Não foi por mal, claro. Talvez você estivesse ocupada com outras coisas... - bebeu seu café, deixando no ar o fim da frase.
Eu sabia exatamente sobre o que ele estava falando: era dele. Que consumia meu tempo todo, que me consumia o tempo inteiro. Que me fazia não ter tempo nem para pensar em mim mesma.
Suspirei, nostálgica.


So ready - Capítulo 2

quarta-feira, 31 de julho de 2019 Nenhum comentário


Sexta por conta de umas tarefas da faculdade acabei me distraindo completamente. Eu tinha até esquecido do que tinha combinado com Dimitri! Só me lembrei quando Jonas, nosso amigo em comum, veio puxar papo no intervalo entre uma aula e outra dizendo:
- Animada pra mais tarde?

Franzi o cenho por uns segundos. Olhei-o com cara de dúvida, me entregando completamente. Arregalei os olhos. Jonas entendeu tudo.
-Aham!
- Você esqueceu, né? Bom eu te dizer para você não ter nenhuma surpresa então: vamos todos juntos ao bar. Vai ser nossa resenha de toda semana.
Assenti, tentando fingir não estar desapontada. Eu sabia que toda semana depois da aula saíamos e bebíamos algumas cervejas juntos. Mas não esperava que logo essa sexta Dimitri iria querer que nos dois saíssemos (com outras intenções em mente) junto com nossos amigos!
- Legal.
- Talvez ele esteja fugindo. - Jonas soltou, arqueando uma sobrancelha. - e você também.
- eu?
- Procurou se ocupar tanto com tanta coisa hoje que acabou se esquecendo, no fim das contas. Mas você nunca iria esquecer, de verdade.
Dei de ombros, fingindo não ligar pro que meu amigo disse. Mas no fundo, sabia. Grandes chances daquilo ser verdade.


- Oi. - Dimitri disse, sentando ao meu lado no bar.
Saímos da aula e fomos direto pro bar em que nos encontrávamos toda semana. Um pessoal ficava cantando no karaokê, outro jogando sinuca, outro paquerando... cada um fazendo sua missão. E eu na minha. Sozinha.
Me afastei um pouco das meninas e fiquei, sentada no balcão, de longe observando todos. Eu gostava desses momentos introspectiva.
- oi. - eu disse, olhando.
Pelo jeito que ele chegou ao meu lado, parecia já alterado.
- tudo bem? Está aqui isolada.
- só pensando um pouco.
- acho que não foi uma boa ideia pra nos dois, né? - ele me olhou como se tivesse pedindo desculpas.
Não respondi, apenas assenti. Dimitri sabia das minhas intenções para com ele, e ainda sim, não quis investir em um tempo pra só nos dois conversarmos sobre.
- talvez eu estava fugindo. Com medo. Nervoso. - ok, definitivamente bebado. Ele nunca diria essas palavras em sã consciência.
- nervoso?
- é. De não saber o que falar, de ficar aquele silêncio... você sabe. - olhou em volta enquanto tomava mais um gole de sua bebida.
Continuei não respondendo. Só olhei em volta, junto com ele. Vi minhas amigas dançando em um canto e parei para perceber que estava tocando minha musica favorita: fui atrás delas sem falar mais nenhuma palavra pra Dimitri.
Depois de dançar a noite toda com minhas amigas, decidimos ir embora.
Dimitri e os garotos nos acompanharam e lembro que ele se despediu com um beijo demorado na minha bochecha.
Não pude perder a oportunidade para dizer:
“Quem não está pronto é você” - deixando-o um pouco envergonhado.

Eu notei que durante a noite ele tentou falar comigo ou tentou dar algum passo. Tentou. Mas não o fez de verdade.
Enquanto isso vou seguir minha vida como devo.
Na semana seguinte, marcamos de almoçar todos juntos depois da aula e é claro que Dimitri estava por lá.
Quieto, parecia nervoso e não estava prestando muita atenção na nossa conversa.
- tudo bem? - chutei seu pé.
- tudo bem. - ele sorriu, me olhando.
Desde aquela noite, passou a sorrir mais e o peguei me observando mais, mas ainda sim... não conversamos mais sobre.
- fala. - eu disse, pressionando-o enquanto nossos amigos conversavam distraídos.
- Tenho uma entrevista de emprego. Em uma hora. - disse enquanto comia.
- que incrível. Por que não comentou nada?
- estou nervoso. - deu de ombros.
- vai dar tudo certo, ei. - encostei em sua mão, fazendo-o olhar pra mim.
De repente seu celular começou a tocar e entre poucas palavras de Dimitri e um olhar assustado, entendi que algo tinha dado muito errado.
- Que foi? Fala comigo!

So ready - Capítulo 1

segunda-feira, 29 de julho de 2019 Nenhum comentário


- Você ainda não está pronta!
-Estou sim!
Essa era eu discutindo com Dimitri.
Eu não era uma mulher “capa de revista”, era um pouco baixinha, magra (até demais, talvez), cabelos loiros e olhos um pouco claros (em um som bem forte juro que da para ver!) mas nunca havia sido dispensada por um cara na minha vida toda.
22 anos de festas (tudo bem que eu terminei um longo relacionamento há pouco), mas digo, mesmo namorando os caras ainda chegavam em mim.
Com Dimitri as coisas sempre foram muito as claras: estudávamos juntos - fazíamos algumas aulas juntos - e sempre rolou um clima gigante entre nós dois. Entre os varios términos que tive ao longos dos anos, quase ficamos e teve uma vez que esse quase foi um “quase” por um fio.
E, de fato, se tivéssemos ficado naquela época... teria estragado tudo o que “temos”. Digo, somos amigos. Muito amigos. Amigos pra cacete. Mas a gente poderia ser mais do que isso.
Ah, e como poderiamos
Mas Dimitri cisma que ainda “não estou pronta” para ficar com ninguém. E desde que eu terminei, óbvio que fiquei com uns carinhas. Nada demais, não estou procurando por outro compromisso (nem tão cedo!), mas com ele é diferente.
Com ele é tudo diferente.
Tao diferente a ponto de estarmos em meio aula de informática discutindo sobre eu estar pronta para ficar com ele, mas ele achar que não. É bem sério.
- não me irrite, Ayra. - ele lançou um olhar bravo com seus olhos castanhos e por baixo de algumas ondas que seu cabelo fazia. Até parece que conseguiria ficar irritado de verdade comigo.
- Vamos só sair, então? Só uma cerveja. Só isso!
- Por que? - ele me olhou, rindo.
Ah, ele devia estar amando aquilo. Com certeza.
- Esquece, Dimitri. Esquece. - virei pra frente, voltando minha atenção a um trabalho que a professora tinha pedido para fazermos.
Ouvi ele suspirar. E juro que vi um sorriso, de lado.
- só uma cerveja.
Sorri, ainda olhando pra tela do computador.
- só uma cerveja.
Sorri, ainda olhando pra tela do computador.


Desde o início da faculdade eu conhecia Dimitri. No início, tínhamos uma vibe mais de dois desconhecidos que queriam se pegar. Agora, e ao longo do tempo conforme nos conhecemos, fomos ficando amigos e deixando um pouco de lado essa coisa toda... mas nunca ficou realmente de lado. Ele era ele.
E eu o queria.
Eu sei que não é algo do tipo “one night stand” porque eu realmente o queria. Eu odiava vê-lo falando com outras garotas (e o quanto elas caiam em cima dele!)
Mas ele nunca retribuía ninguém. Ou melhor, nenhuma.
Enquanto isso... sempre gostava de jogar piadinhas para cima de mim, sempre conversávamos sobre coisas que você - definitivamente- não conversa com quem é “só seu amigo”, do tipo imaginando se fossemos namorados e se ficássemos.
Ou seja, tinha algo de diferente entre nós dois. Mas ainda sim, ele não dava o braço a torcer completamente.
Insistia em dizer que eu “ainda não estava pronta” para ficar com alguém, ficar de verdade. Porque uma coisa sou eu ficar com pessoas aleatória em festas e que nunca mais vou ver... outra é ficar com um cara que eu vejo praticamente todos os dias.
Talvez seja também para preserva-lo. Dimitri me contou todas as vezes em que se apaixonou e não terminou nada bem.
Mas será mesmo se não valia a pena arriscar?
Depois da resposta que me deu, “só uma cerveja”, voltou a prestar atenção a aula. Mesmo olhando para professora, mesmo parecendo 100% atento... eu o pegava me olhando, me observando.
O que será que devia estar pensando?


Na hora da saída, continuamos conversando sobre nada demais. Nessa hora, nossos amigos juntaram-se a nos também, ou seja, não iríamos ficar falando sobre nosso suposto “encontro”.
- Te vejo amanhã, Ayra. A gente se fala. - ele deu uma pequena ênfase no “a gente se fala”, que só eu pude perceber.
- a gente se fala. - respondi, olhando-o. Meu coração estava acelerado de verdade. Parecia que iria saltar pela boca, até.
Voltei pra casa, arrumei minhas coisas e quando estava terminando minhas tarefas, meu celular vibrou.
Sem nem olhar quem era, um sorriso escapou pelos meus lábios.
Peguei-o e ja vi na tela inicial: Dimitri. Ah, agora sim meu coração havia disparado de verdade.
“Sexta, depois da aula a noite?”
Sexta a noite fazíamos uma aula, também juntos.
“fechado.” - respondi.
De repente, cai em mim.
Eu iria sair com ele. Eu iria sair com ele de verdade.
“É só uma cerveja, ok? Não vá colocar suas esperanças lá em cima. Porque eu sei, é muito fácil se apaixonar por mim!” - Dimitri mandou.
Sorri, enquanto o respondia.
“Tarde demais”
“Será?”
Será? - eu repeti, pra mim mesma.


Aprendendo direitinho (parte 2)

quarta-feira, 24 de julho de 2019 Nenhum comentário

Por volta de 2 da manhã, o bar estava começando a ficar insuportável de cheio (e quente!) e para piorar, uma chuva forte começou a cair.
Eu e Yuri não nos aguentávamos mais de beber (pois é, começamos a beber um pouco...talvez muito) e de incomodados de não mais estarmos sozinhos no nosso cantinho (tinha gente passando de um lado para o outro toda hora).
-Vamos embora? – eu finalmente falei, meio enrolado.
-Com certeza. Escuta, eu moro aqui perto. Aqui perto mesmo. Nem precisaria de carro.
-Então vamos a pé, ué. – eu levantei, dizendo. Yuri pareceu meio surpreso. Talvez pensou que tivesse que surgir com uma desculpa para me convidar pra sua casa.
Mas eu realmente não precisava de desculpas no momento.
Dividimos a conta, pagamos e fomos andando meio trôpegos pela rua. De fato sua casa era no final da rua (melhor: seu big apartamento).

Entramos, pela sala do apartamento, e eu senti pena das gotas que caíam em seu piso de rico.
Yuri reparou que eu estava me sentindo fora do ninho e preocupada com a bagunça, então, disse:
-Ei, não se preocupa com isso. – riu, se aproximando e me ajudando a tirar minha jaqueta que estava ensopada. – depois eu limpo.
-Voce limpa?
-E voce acha que eu tenho doméstica, Karol?
Fiquei olhando pra ele como se dissesse: “estou em choque por você ainda esperar que eu não imaginasse isso nessa casa que só faltava um sistema eletrônico tipo Siri para falar ‘você por acaso gostaria de uma toalha?’”.
-Eu não tenho doméstica, Karol. – Yuri riu, indo para um quartinho ao lado da sala para pegar algo. – Aqui somos eu e minha bagunça.
-Voce mora sozinho ha muito tempo?
-É, meus pais me deram esse apartamento quando passei pra direito. Era o sonho do meu pai me ver cursando e se realizou quando eu realmente quis fazer e nao por pura pressão psicologica. – rimos. Yuri veio com uma toalha para me ajudar a me secar.
Enquanto ele ajudava a secar meu cabelo, atrás de mim, parou por um momento.
-Tudo bem? – virei a cabeça de lado, sob meu ombro.
-Você tem um cheiro muito bom. – disse, afagando meu cabelo. Depois daquilo ainda veio um beijo em meu ombro.
Eu ri, achando engraçado o jeito que suas palavras saíram meio tortas e desgovernadas de sua boca.
Mas quando suas mãos encontraram minha cintura e me giraram de frente pra ele, a graça acabou. Com um olhar sedutor ele encarou meus olhos, meio que esperando uma confirmação do que estava prestes a fazer.
Dei permissão a ele, ao colocar minha mão em sua nuca, puxando-o para um longo beijo.
Ali que eu senti faíscas saírem de dentro de mim e se eletrocutarem com as faíscas que saíam de dentro dele.
Ali que eu senti que nossa noite estava começando de verdade.

Acordar na casa de um cara “desconhecido” é estranho, e depois de beber todas na noite anterior, pior ainda.
Voce já acorda enjoada e sem saber o que rolou direito (mentira, eu lembro bem da noite anterior e de como nossas roupas eram arremessadas em cada canto possível da casa), imagina sem saber lembrar aonde exatamente você está?
O cheiro de algo sendo frito e de café (ah! Café! Como eu preciso! Como eu quero!) sendo preparado acabou me despertando.
Eu realmente não estava acostumada com isso tudo (principalmente com a primeira parte de dormir com o cara no primeiro encontro!), então cheguei na cozinha bem tímida (com um coque que fiz no cabelo e a blusa social de Yuri que estava em sua poltrona do quarto) cobrindo meu corpo nu.
-Bom dia. – ele disse sorrindo, me olhando por de trás da bancada de sua cozinha americana.
-Oi. – eu sorri, sentando em um dos banquinhos, em frente a ele e o fogão que estava cozinhando.
-Tudo bem? Quer algum remédio? – Yuri deu a volta e parou em frente a mim, me beijando.
-Não, acho que só café está bom por agora. O que está cozinhando?
-Ovos mexidos. Quer? Com pão?
-Com certeza. – sorri, olhando-o.
-Gostei da camisa. Ficou bem em você. – ele sorriu, piscando e olhando pro decote que se formou em meus peitos conforme não terminei de fechar os botões da blusa.
-Ficou ótima, né? – eu ri, fazendo pose, enquanto servia um pouco de café numa xícara que ele havia deixado separada em cima da bancada.
-Vou te dar meu guarda roupa sempre que estiver por aqui.
-Sempre que eu estiver por aqui? – eu repeti, dando certa ênfase no “sempre”.
-Sempre que estiver por aqui. – ele repetiu também, sorrindo e me servindo um pouco de ovo.
Yuri se serviu, sentou-se ao meu lado, comemos e conversamos um pouco sobre a noite passada.
Quando acabamos de comer, ele disse:
-Nossa, já são quase 10. Eu preciso te deixar. Vou pra uma aula agora...
Quando ele disse isso algo clicou em minha mente.
Aula;
Segunda-feira;
10:15.
-AI, MEU DEUS! – Eu levantei correndo pro quarto dele e fui tomar um banho.
-Tudo bem, aí dentro? – perguntou Yuri, preocupado. Coitado, deve ter pensado que sei lá, esqueci de tomar a pílula ontem a noite.
-Sim, eu só esqueci que eu trabalho!
Ouvi ele rindo.
Terminei de tomar banho (Talvez tenha sido o banho mais rápido da vida), coloquei minha roupa (ele me emprestou outra blusa social sua que acabou caindo bem em mim) e ao pegar minhas coisas, disse:
-Preciso ir, me desculpe por isso. Eu esqueci completamente.
-Sem problema algum. Te encontro pro almoço?
-Com certeza. – eu sorri, beijando-o.

Verifiquei em meu celular, quando estava no elevador, se algum táxi estava disponível no aplicativo. Por sorte, consegui pegar um e fomos voando (quase) pro curso de inglês que eu dava aula.
Cheguei lá, esbaforida, arrumei as coisas pra aula e me sentei.
Por sorte, meus alunos também estavam meio atrasados (a chuva de ontem ainda continuava a cair). Mas conforme hoje eu começaria a dar aula para uma turma nova, não poderia correr o risco de me atrasar tanto assim, ainda mais que era turma de adultos (de 19 a 25 anos).
Quando algumas meninas começaram a entrar na sala, me toquei que havia esquecido uma lista de presença.
Saí da sala e fui até a sala dos professores. Peguei o material e quando voltei pra sala, precisei me sentar pelo choque que tomei.
Sentado, em uma das últimas carteiras e mexendo no celular, estava ele.
Só podia ser ele, era idêntico a ele, até o jeito de arrumar o cabelo.
Yuri.


 
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