Eu odiava aquela garota.
Principalmente, odiava aquela garota que disse
basicamente um “não” para ajudar uma criança de 5 anos.
Ouvimos um movimento no sofá e ao olharmos:
Theo estava de pé com o ursinho que dei.
- pelo visto você arrumou um novo amigo aí,
né? - disse Dimitri, se levantando e indo abraçar o afilhado.
Theo sorriu, correndo para abraçá-lo.
- você tá melhor? - perguntei, me aproximando.
Ele assentiu, confirmando com a cabeça.
- Vamos ver a mamãe?
- Vamos! - Theo respondeu, animado.
- pega sua mochila ali, então. A pasta também.
Dimitri se levantou e se virou pra mim e veio
na minha direção, com um sorriso meio bobo.
- Não sei como te agradecer. - e pegou uma mão
minha.
Nunca havia feito isso.
- Não precisa. - apertei seus dedos por uns
segundos. - faria de novo.
- A gente se fala. - se aproximou e ficou a
centímetros do meu rosto. Não sei de onde tirei coragem e olhei dentro de seus
olhos.
Dimitri se despediu com um rápido beijo em
meus lábios.
No dia seguinte, cheguei toda saltitante na
faculdade.
Jesus. Eu não podia estar apaixonada de novo.
- Que carinha é essa, ein? - Jonas né olhou,
sorrindo.
- Nada. Cara nenhuma. - dei de ombros, mas um
sorriso escapou de meus lábios. Não consegui conter.
- Sei. Dimitri veio me contar todo bobo sobre
você sendo baba pro sobrinho dele. Foi bem legal o que você fez, Ayra.
- eu sei. - sorri, virando- me pra frente.
Poucos minutos depois da aula ter começado, um
Dimitri de cabelo molhado, roupa amassada e apressado entrou dentro de sala. A
melhor coisa do mundo foi te-lo visto olhando em volta e parando seu olhar
sobre mim: e sorrindo!
Ah, meu Deus.
Eu me apaixonei.
Sentou-se do meu lado e perguntou baixinho:
- perdi muita coisa?
- nada. Theo esta bem?
- sim. Agora ele quer comer “sua carninha” de
novo. - eu ri, baixinho. Tinha feito uma carne com legumes que Theo adora.
- fala pra ele passar lá em casa sexta depois
da aula. - eu disse, jogando.
- eu também posso passar lá, sexta, depois da
aula? - Dimitri sorriu, me perguntando enquanto tirava seu material de dentro
da mochila.
- vou pensar.
Sorri, olhando pra frente e fingindo que ele
não estava mais ali.
O que foi difícil pra cacete porque eu sentia
os olhos dele sobre mim a aula inteira. A aula inteira.
Na saída, fiquei distraída com coisas de um
trabalho que precisava entregar e acabei não falando com Dimitri.
O resto da semana passou num piscar de olhos com
nos dois trocando mensagens e sorrisos e olhares entre aulas, mas só isso.
Pelo menos até a sexta feira, que Dimitri deu
um berro no meio da aula ao receber um e-mail. Era do trabalho: ele havia sido
escolhido no processo seletivo.
Olhei-o assustada, mas ri. Sorte que era um
professor bem legal que estava dando aula e apenas riu da reação e quis saber o
que tinha acontecido.
- hoje tá de pé, então? - disse Dimitri,
sorrindo.
- Hoje está de pé.
Quando a aula acabou fomos todos pro “nosso” bar.
Mas tinha algo de diferente naquela saída:
Dimitri não saia do meu lado, não tirava uma
mão de minhas costas e não tirava os olhos de mim.
Dimitri era meu. Finalmente, ele era meu.
Dançamos, bebemos e comemoramos.
Por volta de quase 3 da manhã, voltamos pra
casa. “Para fazer minha segurança”, insistiu que me deixasse na porta de casa.
- Obrigada por hoje. - ele disse, chegando
perto de mim meio trôpego.
- Obrigada por hoje. - sussurrei, antes de
puxa-ló pela gola de sua jaqueta e colar nossos lábios.
Nos beijamos como se estivéssemos prontos já
há muito tempo.
Talvez porque, de fato, estávamos.
Eu estava pronta pra ele.
...


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