-NÃO! –Gargalhei –Não, não. Eu tenho namorado –Foda-se, vou
citar Sebastian assim mesmo! –E não iria mesmo assim.
-Ele é maior gato, e muito gostoso. Pena que não torce pra
mim, mas sou doido pra embebedar ele e fazer umas brincadeirinhas, mas isso
fica entre a gente, ta. –Caímos na gargalhada.
Gabe se levantou, desfilando e ficou fazendo pose na
frente do espelho.
-Mas pelo visto ele gostou mesmo de você. Ele já saiu com
muita estagiaria nova aqui, mas nunca deu uma sala a ela.
-C.. Como assim? –Ele não disse que todos tinham uma sala?
-Ué querida, você é a única aqui que tem esse palácio
aqui! –Ele fez um gesto engraçado com as mãos indicando ao redor –Eu e o
pessoal só temos aquela sala lá, mas lá é bom também.
-Não acredito nisso.
Eu realmente havia ficado assustada. Ele é maníaco ou o
que?
-É, ele ficou doido de pedra depois do lance com a esposa
dele.
-O que houve com a esposa dele? –Perguntei curiosa.
-Ah, ela se matou na frente dele porque disse que ele era
muito compulsivo, com ciúmes e essas coisas. Ela se esfaqueou. E estava
grávida.
Fiquei horrorizada.
Sebastian julgou muito mal ele. E talvez, eu também. Ele
precisava de ajuda, não que as pessoas fujam do mesmo.
-Meu Deus. Então ele agora fica jogando pra tudo quanto é
lado então?
-Bom, literalmente e infelizmente não, se não eu já teria
dado uns bons amassos nele –Rimos –Mas sim, ele ama uma novinha!
-Que é isso, ein!
O vovó tava com tudo. (ok, ele não era tão velho, devia
estar chegando nos 30!)
-Então, já chegou nossa hora. –Ele indicou o relógio que
já marcavam 12h –Vamos?
-É claro.
Peguei minha bolsa, a chave da sala e tranquei-a. Gabe
passou na sala chamando o pessoal e senti que quando passei em frente a sala de
Tom, ele me deu uma olhadela, mas não dei atenção e fingi que nem o vi.
O almoço foi extremamente divertido. Gabe ficava imitando
o jeito todo ´´másculo´´ de Tom, e Anabelle imitava as estagiarias que ficavam
dando em cima dele, na maioria das
vezes. Cheguei ficar com o estomago dolorido de tanto que eu ri.
Quando estávamos voltando pro trabalho, recebi uma
mensagem de Sebastian:
´´Acabei de almoçar com Emily.. Está tudo certo, ok?
Contei a ela sobre você, e ela disse que adoraria te conhecer. Tudo bem aí, não
é? ´´
Subimos no prédio, e fui pelos corredores respondendo ele:
´´Jura? Que legal, haha. Tudo ótimo!´´
Ela queria me conhecer? Só se for pra bater um UFC comigo, né.
Quando parei na porta de minha sala, reparei que a porta
estava aberta. E eu havia a trancado.
Entrei, meio cautelosa, guardando o celular na bolsa, e quase
tomei um susto quando minha cadeira girou e quem estava sentado na mesma? Tom.
E eu ainda esperava que fosse outra pessoa. Qualquer outra
pessoa.
-Oi? –Falei colocando minha bolsa em cima da mesa e fiquei
parada de frente pra mesma.
-Ah, desculpe Ariel, desculpe. –Ele se levantou
rapidamente se recompondo.
Estava chorando, cara?
-Eu vim deixar uma papelada aqui de um novo artigo já pra
amanhã, e acabei ficando aqui olhando suas fotos. –Ele olhou na direção de
minha prateleira com umas fotos que eu havia colocado na mesma. –Desculpe.
-Não, tudo bem. Tudo bem.
-Seus pais? –Seu dedo tocou em um porta-retrato que tinham
um casal –meu pai e minha mãe,
obviamente –em umas férias de verão que fizemos
pra Flórida. Eu nunca me esquecera daquelas
férias. Tinha só 14 anos, mas me
apaixonei por um menino lá, e foi minha primeira paixãozinha. Foi
legal.
-Sim, meus pais.
Odiava ficar remexendo o passado. E Tom ali, olhando
minhas coisas, me fazia abrir aquela cicatriz que estava cicatrizando dentro de
mim.
-Seu pai tem um sorriso igual ao seu. –Ele balançou a
cabeça e eu assenti com aquele comentário, sorrindo.
Mas meus olhos se encheram d’agua. Muita gente me dizia
isso.
-Tinha. –Respondi com a voz meio fraca e Tom logo se virou
completamente pra mim, ainda com as
mãos no bolso e cenho franzido. –Ele
faleceu ano passado.
-Sinto muito.
-É.
-Eu também perdi alguém importante na minha vida, sei que
é difícil. –Assenti, fitando o chão, e secando as lágrimas no meu rosto com as
costas da mão. –Mas a vida segue, não é?
-É. É isso aí.
-


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