Capítulo 50 - pena que não torce pra mim

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019


-NÃO! –Gargalhei –Não, não. Eu tenho namorado –Foda-se, vou citar Sebastian assim mesmo! –E não iria mesmo assim.

-Ele é maior gato, e muito gostoso. Pena que não torce pra mim, mas sou doido pra embebedar ele e fazer umas brincadeirinhas, mas isso fica entre a gente, ta. –Caímos na gargalhada.

Gabe se levantou, desfilando e ficou fazendo pose na frente do espelho.

-Mas pelo visto ele gostou mesmo de você. Ele já saiu com muita estagiaria nova aqui, mas nunca deu uma sala a ela.

-C.. Como assim? –Ele não disse que todos tinham uma sala?

-Ué querida, você é a única aqui que tem esse palácio aqui! –Ele fez um gesto engraçado com as mãos indicando ao redor –Eu e o pessoal só temos aquela sala lá, mas lá é bom também.

-Não acredito nisso.

Eu realmente havia ficado assustada. Ele é maníaco ou o que?

-É, ele ficou doido de pedra depois do lance com a esposa dele.

-O que houve com a esposa dele? –Perguntei curiosa.

-Ah, ela se matou na frente dele porque disse que ele era muito compulsivo, com ciúmes e essas coisas. Ela se esfaqueou. E estava grávida.

Fiquei horrorizada.

Sebastian julgou muito mal ele. E talvez, eu também. Ele precisava de ajuda, não que as pessoas fujam do mesmo.

-Meu Deus. Então ele agora fica jogando pra tudo quanto é lado então?

-Bom, literalmente e infelizmente não, se não eu já teria dado uns bons amassos nele –Rimos –Mas sim, ele ama uma novinha!

-Que é isso, ein!

O vovó tava com tudo. (ok, ele não era tão velho, devia estar chegando nos 30!)

-Então, já chegou nossa hora. –Ele indicou o relógio que já marcavam 12h –Vamos?

-É claro.

Peguei minha bolsa, a chave da sala e tranquei-a. Gabe passou na sala chamando o pessoal e senti que quando passei em frente a sala de Tom, ele me deu uma olhadela, mas não dei atenção e fingi que nem o vi.

O almoço foi extremamente divertido. Gabe ficava imitando o jeito todo ´´másculo´´ de Tom, e Anabelle imitava as estagiarias que ficavam dando em cima dele, na maioria das vezes. Cheguei ficar com o estomago dolorido de tanto que eu ri.

Quando estávamos voltando pro trabalho, recebi uma mensagem de Sebastian:

´´Acabei de almoçar com Emily.. Está tudo certo, ok? Contei a ela sobre você, e ela disse que adoraria te conhecer. Tudo bem aí, não é? ´´

Subimos no prédio, e fui pelos corredores respondendo ele:

´´Jura? Que legal, haha. Tudo ótimo!´´

Ela queria me conhecer? Só se for pra bater um UFC comigo, né.

Quando parei na porta de minha sala, reparei que a porta estava aberta. E eu havia a trancado.

Entrei, meio cautelosa, guardando o celular na bolsa, e quase tomei um susto quando minha cadeira girou e quem estava sentado na mesma? Tom.

E eu ainda esperava que fosse outra pessoa. Qualquer outra pessoa.

-Oi? –Falei colocando minha bolsa em cima da mesa e fiquei parada de frente pra mesma.

-Ah, desculpe Ariel, desculpe. –Ele se levantou rapidamente se recompondo.

Estava chorando, cara?

-Eu vim deixar uma papelada aqui de um novo artigo já pra amanhã, e acabei ficando aqui olhando suas fotos. –Ele olhou na direção de minha prateleira com umas fotos que eu havia colocado na mesma. –Desculpe.

-Não, tudo bem. Tudo bem.

-Seus pais? –Seu dedo tocou em um porta-retrato que tinham um casal –meu pai e minha mãe, 
obviamente –em umas férias de verão que fizemos pra Flórida. Eu nunca me esquecera daquelas 
férias. Tinha só 14 anos, mas me apaixonei por um menino lá, e foi minha primeira paixãozinha. Foi 
legal.

-Sim, meus pais.

Odiava ficar remexendo o passado. E Tom ali, olhando minhas coisas, me fazia abrir aquela cicatriz que estava cicatrizando dentro de mim.

-Seu pai tem um sorriso igual ao seu. –Ele balançou a cabeça e eu assenti com aquele comentário, sorrindo.

Mas meus olhos se encheram d’agua. Muita gente me dizia isso.

-Tinha. –Respondi com a voz meio fraca e Tom logo se virou completamente pra mim, ainda com as 
mãos no bolso e cenho franzido. –Ele faleceu ano passado.

-Sinto muito.

-É.

-Eu também perdi alguém importante na minha vida, sei que é difícil. –Assenti, fitando o chão, e secando as lágrimas no meu rosto com as costas da mão. –Mas a vida segue, não é?

-É. É isso aí.


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