-Você me lembra muito alguém importante pra mim, sabia?
–Tom se aproximou, sorrindo. Sei lá, sua alma estava radiante.
Parecia que eu estava vendo luz no fundo do poço. Não sei,
foi algo especial.
-Sério? –Tomei coragem, e olhei nos olhos dele. Ele
levantou sua mão, e colocou uma mexa de meu cabelo atrás da orelha.
-Sério. –Sussurrou.
-Farei o necessário pra que se sinta acolhida e bem aqui
dentro.
-Obrigada, Tom.
-Você era de Boston.. Está aqui sozinha ou veio com um
familiar?
-Vim com meu namorado. –Ele enrijeceu quando falei e
assentiu, meio mexido. –Nos conhecemos em Boston e ele teve de voltar pra cá, já
que morava aqui. Não tinha o que perder, então voltei com ele.
-Está certo.. Loucuras de amor, não é? –Deu um sorriso
infeliz e eu apenas assenti com a cabeça. –Eu preciso voltar ao trabalho mas..
Eu não quero que tenha uma imagem errada de mim, está bem, Ariel?
O pessoal
aqui me conhece há um tempo, podem surgir comentários mas.. Bom, sinta-se a
vontade.
-Eu não costumo julgar pela aparecia, Tom. –OK, eu estava
mentindo porque ele tinha cara de maníaco (um maníaco completamente gostoso), mas
era verdade. Eu não fui com uma faca pra cima dele, não é?! –Se precisar de
algo, venha falar diretamente comigo.
-Bom ouvir isso, Ariel. –Assenti novamente dando a volta
pela mesa e me sentando em meu lugar.
Tom saiu da sala, encostando a porta sem falar mais nada.
Não houve nada demais na nossa conversa, mas minha mente
não parava de se passar Sebastian falando ontem pra mim ´´Eu confio em você´´, e ao mesmo tempo, Tom sorrindo daquela forma
inexplicável e falando sobre meu sorriso. Ele havia reparado em meu sorriso.
Fiz meu artigo, e deixei uma ideia pra um próximo de
amanhã na mesa de Tom. Era o fim do meu turno quando estava saindo da sala dele
–quando deixei o papel em sua mesa –e ele entrou na mesma.
-O que faz aqui? –Perguntou sério.
-Desculpe. Eu só vim pra deixar uma papelada na mesa e
acabei me.. ah, era só isso.
-Podia ter avisado a secretária e deixado com ela.
–Suspirei. Não iria ouvir bronca logo quando estava indo pra casa, né.
-Com razão.
Fui passar por ele –que idiota, eu achando que tinha
intimidade pra entrar na sala do chefe sem avisar.
Qual meu problema mental?
–mas ele segurou meu braço, e acabei ficando bem perto dele, de frente.
-Desculpe, Ariel. O stress
anda tomando conta de mim, não ando nada bem. Não deveria ter sido tão severo, você
sabe que podia entrar aqui de qualquer forma.
-Tudo bem. –Dei de ombros. Ele ainda estava segurando meu
braço, mas havia afrouxado. –As vezes
exigimos muito de nós mesmos.
-É verdade. Você já está de saída?
-Sim, meu turno acabou agora. Por isso vim deixar a
papelada aqui!
-Posso te levar em casa?
Ah, cara, tem como dizer não pra aquele rosto tão lindo?
-Não precisa, eu posso pedir..
-Eu quero.
-Certo. Vou pegar minha bolsa. Espere um minuto.
Saí logo daquela sala, antes que algo pior acontecesse, peguei
minha bolsa, desliguei o computador e antes de sair, dei um tchau pra todo
mundo.
-Tchau, gata! –Gabe falou enquanto desfilava pela sala, fazendo
todos os outros rirem.
-Tchau Ariel! –O resto falou em coro e eu apenas retribui
sorrindo e acenando com a cabeça.
-Pegou tudo? –Tom perguntou assim que parei na porta dele
-Sim, vamos?
-Claro.
Saímos do prédio, bem afastados um do outro, mas vez ou
outra meu braço roçava no dele e eu ficava um pouco constrangida. No
estacionamento parecia que eu estava prestes a entrar numa carruagem. O carro
de Tom era espetacular.
Entramos, coloquei o cinto, e logo percebi que o carro
estava com seu cheiro de perfume. E limpinho.
-Onde é o prédio?
-


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