Capítulo 52 - seu namorado não gostaria, né?

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019


-Ahn, certo. –Abri minha bolsa, tirei o papel escrito o endereço de Sebastian e entreguei a ele –Aqui.

-Ah, sei onde é.

-Então, me fala de você. –Assim que eu disse, Tom olhou pra mim, rindo e ficou bem sem graça. –O que? Você vai me levar pra casa, e vai ficar esse silencio? Preferia ir até de ônibus. –Apoiei meu braço na janela do carro bufando, e Tom riu um pouco.

-Certo. Eu sou um solitário jornalista que ganha a vida editando jornal, e nas horas vagas, pinta umas telas.

-Você é pintor? Caramba!

-É, só nas horas vagas.

-Gostaria de ver suas telas.

-Poderíamos ir no meu ateliê agora se quiser..-Mas eu já estaria ultrapassando demais. Cada coisa de cada vez.

-Acho melhor não, bem..

-Seu namorado não gostaria, não é? –Sorriu, sem muita felicidade.

-Eu não sei se gostaria. Deixa pra próxima.

-Ok. Bom.. Meu primeiro casamento não deu certo, e estou divorciado agora. –Assenti –Moro sozinho mesmo.

-Em Boston eu morava sozinha também. Sempre gostei.

-Eu também gosto. Mas levar a vida sozinho não é nada bom, sabe? As vezes sinto falta de uma companhia. –Ele parou o carro no sinal, e apoiou os braços no volante, me olhando.

-Entendo.

-Você vai ficar aqui por um tempo?

-Provavelmente sim.

-Só veio por causa de seu namorado? –Assenti –Jura? –Assenti novamente, rindo.

-Uau. Ele é um cara sortudo, Ariel. Acho que outra namorada não largaria tudo assim por causa de um cara, não, ein?

Finalmente alguém que pensava da mesma forma que eu.

-É, acho que sim, não é?

Fomos até o final do trajeto em silêncio, Tom fazia umas perguntas sobre o trabalho, e eu respondia só com poucos comentários, não queria entrar muito em detalhe sobre minha vida.

-É aqui. –Eu disse quando ele diminuiu e parou o carro na porta do prédio. –Obrigada, Tom.

Tirei o cinto, e ele também. Me aproximei, e ele também conforme foram movimentos rápidos, 
paramos bem diferente um ao outro, apenas nos olhando.

Uau, como ele era gato, cara! Seus olhos eram quase verdes, e sua barba estava um pouco grande, o que dava a ele um ar sexy. Seu cabelo estava levemente desfiado pro lado, e no alto, uma franja 
deslizava pela sua testa.  

Tom continuou parado, e se aproximou mais, mas eu deslizei nossos narizes e dei um demorado beijo em sua bochecha.

-Adorei te conhecer, Ariel.

-Até amanhã. –Sorri me afastando e abrindo a porta.

Ele buzinou assim que eu acenei, entrando no prédio e subi com meu estomago bem revirado no elevador. Tom era um homem sozinho e solitário. Uma mulher nunca devia ter o amado da forma certa –isso com certeza estava escrito nos olhos dele! –por isso ele devia se arriscar tanto com novatas.

Mas é claro, como eu já desconfiava, a maioria devia estar de olho somente no seu dinheiro.

Assim que cheguei em casa, Sebastian estava deitado no sofá, e não se levantou pra falar comigo. 

Fechei a porta, coloquei minha bolsa em cima da mesa ali do lado e me aproximei dele.

-Oi amor. –Falei, me sentando na beiradinha do sofá onde ele estava deitado.

-Oi linda. –Se sentou, me beijando. Mas ele continuou perto de mim, e fungou no meu cabelo –Com 
quem você veio, Ariel?


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