-Ahn, certo. –Abri minha bolsa, tirei o papel escrito o
endereço de Sebastian e entreguei a ele –Aqui.
-Ah, sei onde é.
-Então, me fala de você. –Assim que eu disse, Tom olhou
pra mim, rindo e ficou bem sem graça. –O que? Você vai me levar pra casa, e vai
ficar esse silencio? Preferia ir até de ônibus. –Apoiei meu braço na janela do
carro bufando, e Tom riu um pouco.
-Certo. Eu sou um solitário jornalista que ganha a vida
editando jornal, e nas horas vagas, pinta umas telas.
-Você é pintor? Caramba!
-É, só nas horas vagas.
-Gostaria de ver suas telas.
-Poderíamos ir no meu ateliê agora se quiser..-Mas eu já
estaria ultrapassando demais. Cada coisa de cada vez.
-Acho melhor não, bem..
-Seu namorado não gostaria, não é? –Sorriu, sem muita
felicidade.
-Eu não sei se gostaria. Deixa pra próxima.
-Ok. Bom.. Meu primeiro casamento não deu certo, e estou
divorciado agora. –Assenti –Moro sozinho mesmo.
-Em Boston eu morava sozinha também. Sempre gostei.
-Eu também gosto. Mas levar a vida sozinho não é nada bom,
sabe? As vezes sinto falta de uma companhia. –Ele parou o carro no sinal, e
apoiou os braços no volante, me olhando.
-Entendo.
-Você vai ficar aqui por um tempo?
-Provavelmente sim.
-Só veio por causa de seu namorado? –Assenti –Jura?
–Assenti novamente, rindo.
-Uau. Ele é um cara sortudo, Ariel. Acho que outra
namorada não largaria tudo assim por causa de um cara, não, ein?
Finalmente alguém que pensava da mesma forma que eu.
-É, acho que sim, não é?
Fomos até o final do trajeto em silêncio, Tom fazia umas
perguntas sobre o trabalho, e eu respondia só com poucos comentários, não queria
entrar muito em detalhe sobre minha vida.
-É aqui. –Eu disse quando ele diminuiu e parou o carro na
porta do prédio. –Obrigada, Tom.
Tirei o cinto, e ele também. Me aproximei, e ele também conforme
foram movimentos rápidos,
paramos bem diferente um ao outro, apenas nos
olhando.
Uau, como ele era gato, cara! Seus olhos eram quase
verdes, e sua barba estava um pouco grande, o que dava a ele um ar sexy. Seu
cabelo estava levemente desfiado pro lado, e no alto, uma franja
deslizava pela
sua testa.
Tom continuou parado, e se aproximou mais, mas eu deslizei
nossos narizes e dei um demorado beijo em sua bochecha.
-Adorei te conhecer, Ariel.
-Até amanhã. –Sorri me afastando e abrindo a porta.
Ele buzinou assim que eu acenei, entrando no prédio e subi
com meu estomago bem revirado no elevador. Tom era um homem sozinho e
solitário. Uma mulher nunca devia ter o amado da forma certa –isso com certeza
estava escrito nos olhos dele! –por isso ele devia se arriscar tanto com
novatas.
Mas é claro, como eu já desconfiava, a maioria devia estar
de olho somente no seu dinheiro.
Assim que cheguei em casa, Sebastian estava deitado no
sofá, e não se levantou pra falar comigo.
Fechei a porta, coloquei minha bolsa
em cima da mesa ali do lado e me aproximei dele.
-Oi amor. –Falei, me sentando na beiradinha do sofá onde
ele estava deitado.
-Oi linda. –Se sentou, me beijando. Mas ele continuou
perto de mim, e fungou no meu cabelo –Com
quem você veio, Ariel?
-


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