Capítulo 53 - corações perdoados

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019


-Tom.

Ele na mesma hora voltou a se deitar, e prestar atenção na TV. Como se eu nem tivesse mais ali.

-Não fica assim, Sebastian.

-Eu já te falei sobre esse cara, Ariel. E você ainda se aproxima dele?

-Ele é meu chefe, Sebastian. Eu não estou me aproximando, e muito menos tentando agradar ele, estou longe disso. Ele me ofereceu uma carona e eu aceitei.

-E se amanhã ele te chamar pra almoçar?

-Eu vou aceitar. –Sebastian bufou, balançando seu pé nervosamente. –Cara,s e a Emily te chamar pra sair amanhã, de novo? Você vai dizer o que? Você conheceu Tom mal e porcamente, eu que estou no escritório há 2 dias, já sei bastante coisa dele que você nem desconfia. Emily? O que a Emily é sua? 

Ah, é, sua ex-namorada.

-E o Tom não pode substituir esse lugar que eu mantenho ocupado?

-Óbvio que não. Não vim pra cá pra te trocar pelo meu chefe, idiota. –Levantei-me, suspirando.

Eu só precisava de um banho, e relaxar. Só relaxar.

Assim o fiz. Tomei um bom banho quente e demorado, coloquei uma calça leggin preta, meu sobre-tudo meio amarronzado e meu all star. Precisava de uma boa caminhada.

Estava terminando de secar meu cabelo quando Sebastian entrou no banheiro e ficou parado ao meu lado, só me olhando.

Logo ele não se conteve e perguntou:

-Onde você vai?

-Andar.

-E.. Eu posso ir com você?

Suspirei, olhei pra ele e respondi:

-Tem 10 minutos pra trocar de roupa.

E saí do banheiro.

Fiquei sentada na sala esperando, e logo ele desceu de Jeans, uma jaqueta grossa e pegou a chave do carro em cima da mesa da sala.

-Eu disse que ia andar, não sair de carro.

-Tenho um lugar pra gente ir. Quer ir ou não?

-Ta.

Resolvi ir com Sebastian mesmo. Ele sempre tinha essa crisezinha de meia idade, logo parava de graça.

-Vamos comer? –Eu perguntei assim que entramos no carro e ele tirava o mesmo da garagem.

-Calma, também vamos comer, Ariel. –Ele respondeu rindo com minha pergunta.

Sebastian deu a volta pela rua do prédio e logo pegou uma avenida ali perto.

Começava a nevar, bem de levinho, e vi muitas pessoas caminhando e se encolhendo na rua. 
Provavelmente devia estar bem frio lá fora.

Ele parou o carro de frente a um restaurante italiano. Oba, massa!

-Me trouxe a um restaurante?

-Não disse que quer comer?

-Não agora, ué..

Ele na mesma hora arrancou com o carro dali e voltou pra avenida.

-Você é doente.

-Você não sabe nem falar o que quer.

-Ah, cala boca Sebastian. –Falei irritada, apoiando o braço na janela do carro.

Quando percebi o caminho que ele estava fazendo, logo imaginei. Estávamos indo ao London Eye.

Oh meu Deus. Meu sonho desde pequena era ir pra lá!

-Está bem frio, mas acho que dá pra ficarmos lá por meia hora. –Assenti, saindo do carro com ele.

Subimos naquele grande ponto histórico e ficamos lá em cima. O lugar estava muito vazio, só tínhamos eu, ele, e um casal um pouco mais atrás de nós.

-Eu pedia pra minha avó me trazer aqui quando eu era pequeno. –Sebastian começou a falar. –É como se aqui fosse pra mim, o que aquele terraço abandonado no prédio da biblioteca é pra você, sabe? –
Assenti e ele continuou –Eu ficava daqui de cima, olhando quase Londres toda. Era uma sensação tão boa..

 -Era?

-Bom.. Hoje ela se tornou melhor ainda. Só por poder mostrar a alguém que amo como é que eu me sentia aqui.

Foi a coisa mais linda que Sebastian já me disse, cara.

-Você não pode me deixar sem palavras, poxa. –Fiz biquinho e Sebastian entrelaçou seus dedos aos 
meus e nos beijamos.

Era sempre assim depois de uma briga. A gente falava sempre o que estava sentindo, brigava mais um pouco, e depois, nossos corações já se sentiam perdoados.


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