-Tom.
Ele na mesma hora voltou a se deitar, e prestar atenção na
TV. Como se eu nem tivesse mais ali.
-Não fica assim, Sebastian.
-Eu já te falei sobre esse cara, Ariel. E você ainda se
aproxima dele?
-Ele é meu chefe, Sebastian. Eu não estou me aproximando, e
muito menos tentando agradar ele, estou longe disso. Ele me ofereceu uma carona
e eu aceitei.
-E se amanhã ele te chamar pra almoçar?
-Eu vou aceitar. –Sebastian bufou, balançando seu pé
nervosamente. –Cara,s e a Emily te chamar pra sair amanhã, de novo? Você vai
dizer o que? Você conheceu Tom mal e porcamente, eu que estou no escritório há
2 dias, já sei bastante coisa dele que você nem desconfia. Emily? O que a Emily
é sua?
Ah, é, sua ex-namorada.
-E o Tom não pode substituir esse lugar que eu mantenho
ocupado?
-Óbvio que não. Não vim pra cá pra te trocar pelo meu
chefe, idiota. –Levantei-me, suspirando.
Eu só precisava de um banho, e relaxar. Só relaxar.
Assim o fiz. Tomei um bom banho quente e demorado, coloquei
uma calça leggin preta, meu sobre-tudo meio amarronzado e meu all star.
Precisava de uma boa caminhada.
Estava terminando de secar meu cabelo quando Sebastian
entrou no banheiro e ficou parado ao meu lado, só me olhando.
Logo ele não se conteve e perguntou:
-Onde você vai?
-Andar.
-E.. Eu posso ir com você?
Suspirei, olhei pra ele e respondi:
-Tem 10 minutos pra trocar de roupa.
E saí do banheiro.
Fiquei sentada na sala esperando, e logo ele desceu de
Jeans, uma jaqueta grossa e pegou a chave do carro em cima da mesa da sala.
-Eu disse que ia andar, não sair de carro.
-Tenho um lugar pra gente ir. Quer ir ou não?
-Ta.
Resolvi ir com Sebastian mesmo. Ele sempre tinha essa crisezinha de meia idade, logo parava de
graça.
-Vamos comer? –Eu perguntei assim que entramos no carro e
ele tirava o mesmo da garagem.
-Calma, também vamos comer, Ariel. –Ele respondeu rindo
com minha pergunta.
Sebastian deu a volta pela rua do prédio e logo pegou uma
avenida ali perto.
Começava a nevar, bem de levinho, e vi muitas pessoas
caminhando e se encolhendo na rua.
Provavelmente devia estar bem frio lá fora.
Ele parou o carro de frente a um restaurante italiano.
Oba, massa!
-Me trouxe a um restaurante?
-Não disse que quer comer?
-Não agora, ué..
Ele na mesma hora arrancou com o carro dali e voltou pra
avenida.
-Você é doente.
-Você não sabe nem falar o que quer.
-Ah, cala boca Sebastian. –Falei irritada, apoiando o
braço na janela do carro.
Quando percebi o caminho que ele estava fazendo, logo
imaginei. Estávamos indo ao London Eye.
Oh meu Deus. Meu sonho desde pequena era ir pra lá!
-Está bem frio, mas acho que dá pra ficarmos lá por meia
hora. –Assenti, saindo do carro com ele.
Subimos naquele grande ponto histórico e ficamos lá em
cima. O lugar estava muito vazio, só tínhamos eu, ele, e um casal um pouco mais
atrás de nós.
-Eu pedia pra minha avó me trazer aqui quando eu era
pequeno. –Sebastian começou a falar. –É como se aqui fosse pra mim, o que
aquele terraço abandonado no prédio da biblioteca é pra você, sabe? –
Assenti e
ele continuou –Eu ficava daqui de cima, olhando quase Londres toda. Era uma
sensação tão boa..
-Era?
-Bom.. Hoje ela se tornou melhor ainda. Só por poder
mostrar a alguém que amo como é que eu me sentia aqui.
Foi a coisa mais linda que Sebastian já me disse, cara.
-Você não pode me deixar sem palavras, poxa. –Fiz biquinho
e Sebastian entrelaçou seus dedos aos
meus e nos beijamos.
Era sempre assim depois de uma briga. A gente falava
sempre o que estava sentindo, brigava mais um pouco, e depois, nossos corações
já se sentiam perdoados.
-


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