-Como sempre. –Revirei os olhos- Mas nada demais. Nem
cheguei a a conversar com ele, estava de saco cheio.
-Ah, entendi. Por que ele está tao no seu pé, agora?
-Nem todo mundo aceita ver quem você ama com outra pessoa,
né? –Ergui uma sobrancelha,
virando-me pra ele e depois de volta pra pia, onde
eu cortava a batata em rodelas.
-Ele ainda ama você?
Nunca serei enganada por aqueles seus olhos verdes. Seu
jeito de puxar papo quando está afim de alguém..
-Acho que sim. Senão, com certeza ele não seria tão
persistente.
-Voces se conhecem desde quando?
-Ele entrou no meu colégio no terceiro ano, ultimo ano. A
gente nem se falava muito, eu era muito tímida e só ficava com meninos em
festas. –Ri, balançando a cabeça e lembrando daquelas memórias antigas. –A
gente ficou na nossa festa de formatura e depois nos separamos, nunca mais nos
vimos e tal.
-Se reencontraram só na faculdade?
-Na verdade, antes disso. Teve uma reunião de reencontro da
turma e a gente se encontrou e ficamos,
também.
-Ah. –Alex estava ficando incomodado com aquele assunto.
Resolvi mudar, querendo matar minha duvida:
-Voce trabalhou ontem, o dia todo?
-Sim. Fui pra casa almoçar e depois voltei pro trabalho.
-Passou o tempo todo no escritório? Que chato, huh? –Eu
disse, fingindo estar preocupada, mas na verdade só queria saber se ele ia me
encontrar sobre ter saído com a tal loira.
-Yep. Mas já me acostumei.
De repente, seu celular começou a vibrar e ele atendeu, se
levantando e indo pra sala pra falar no telefone.
Só pude ouvir ele dizer coisas como “Oi, sim, to de boas.
Certo. Ok, posso sim. Já é. Tchau tchau..”.
Dava pra perceber que tava
forçando.
-Amor, eu vou pra casa, ok?
-Tudo bem?-Virei-me pra ele.
-Sim, sim. Preciso adiantar uns papeis lá e olhar o Herus,
talvez eu saia pra caminhar com ele depois.
-Tudo bem. –Beijei-o rapidamente.
-Tudo bem mesmo? –Ficou do meu lado, me olhando pegar as
batatas e um pano.
-Sim, sim.
-Ok. Amanhã a gente almoça junto? –Assenti, afirmando. –Te
pego que horas?
-12h30.
-OK. Qualquer coisa me liga. Melhoras. –Ele me deu um beijo
na bochecha, demorado, foi pro meu quarto se vestir e depois saiu.
Suspirei. Alex estava mentindo pra mim. De novo.
Peguei as batatas e fui deitar na minha cama, colocando-as
na cabeça e descansando um pouco.
Por volta de duas da tarde, me levantei e me senti bem
melhor. Comecei a fazer a comida e ouvi meu celular tocar.
Era Blake.
-O que? –Eu disse assim que atendi. Não tava afim de papinho
hoje.
-To na porta de sua casa e tenho algo que você precisa ver.
Posso subir?
-Que? Blake, eu não acho que..
-Isabella. Eu sei, ta? Mas você precisa ver.
-Ta, Blake, sobe.
Minutos depois o interfone tocou e eu abri o portão pra ele
subir.
Terminei de cozinhar o que eu estava fazendo, me servi e me
sentei na bancada da cozinha pra comer.
A campainha tocou e eu me levantei, pra atender Blake.
-Entra. –Bufei depois de abrir a porta e deixa-lo passar por
mim.
-Que cheiro bom. Fez comida, huh?
-Sim, Blake. O que você quer, mesmo? –Voltei pro meu lugar e
voltei a comer.
-Bem.. Eu tava caminhando por aqui, como faço todo domingo e
olha a cena que vi na Starbucks,
pouco agora..
Ele então, pegou seu celular e me mostrou uma foto.
Era Alex com a mesma loira do outro dia, reconheci pela cor
de seu cabelo. Fui pro lado, pra próxima imagem, e dava pra ve-la de lado,
falando com o garçom. Depois de ver seu rosto, sabia: Era ela mesma.
Enviei rapidamente aquelas imagens pra mim e guardei-as no
celular. Eu usaria elas futuramente.
Com certeza.
Suspirei e minha vontade era de começar a chorar naquele
momento.
-Eu juro que tirei essa foto não tem nem uma hora, pode
entrar nos detalhes da foto e ver a hora, ver tudo o que você quiser, eu não..
-Blake, eu sei que isso é verdade. –Cortei-o, devolvendo seu
celular.
-Desculpa, Isabella. Eu não queria complicar nada e nem te
deixar mal, mas porra.. Eu não podia te-lo visto daquele jeito, segurando a mão
da menina e com um olhar estranho, suspeito, pra ela e fingir que nada tava
acontecendo. Eu simplesmente não podia!
Eu conhecia Blake há muito tempo, sabia que ele não
suportaria ver alguém sendo enganado ou traído.
-Tudo bem. –Falei, por fim, continuando a comer.
-Eu posso comer? To morrendo de fome.
-Sim, claro. –Ri, assentindo de forma afirmativa. –Pode
comer.
Ele fez seu prato e continuou sentado de frente pra mim.
-Voce já sabia disso?
-Eu o vi ontem com essa menina, na Starbucks.
-E ele disse algo pra você?
-Não.
-Ele mentiu?
-


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