Capítulo 4 - um jantar por um show

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Naquela hora Gabriela olhou pra mim sem hesitar. Digo, parece que ela entrou em mim com aquele olhar que fora tão penetrante. Riu, franziu o cenho e voltou a ler o jornal.

-A não ser que queira mandar o acordo das quatro paredes. Não vou me importar de relembrar noite passada.

E aquilo era tudo o que eu precisava ouvir pelo resto do meu sábado.

-Quando e onde você quiser. –Eu disse com um sorriso maroto e ela apenas olhou pra mim, e para meus lábios, sorrindo.

Foi quando ela fez o que eu menos esperava. Foi jogando seu corpo –por cima da mesa mesmo –pro meu lado, e aproximando nossos lábios. Gabriela me deu uma ultima olhada e logo após, fez o que eu tanto esperava; grudou nossos lábios em um longo e delicado beijo.

-

-Tem problema se você me levar pro meu irmão depois do almoço?

-Não, claro que não. –Respondi, colocando as xícaras na pia.

-É porque ele provavelmente vai estar com uma garotinha indesejada.

Ri com o “garotinha indesejada”. Como se ela já fosse uma adulta, mas né.

-Sem problema. –Dei de ombros, guardando as coisas. –Mas vamos ter que almoçar na rua. 
Problema?

-Não, pra mim tanto faz.

Gabriela se recostou no sofá da sala, e eu passei por ela, avisando:

-Vou lá pra cima arrumar minhas coisas, e resolver outras pra faculdade. Qualquer coisa, se precisar de algum remédio..

-Tudo bem, to bem.

Notei que ela estava se sentindo deslocada. Com vergonha.

Mas não era culpa minha isso tudo.

Bem, não tecnicamente.. né?

Subi, arrumei a cama, minhas coisas, preparei uns questionários pras minhas provas e fiquei fazendo 
umas pesquisas no computador.

Quando comecei a ouvir que estava tocando Forever Halloween na sala. Não pode ser.

Fui devagarzinho pra sala e quando chego vejo Gabriela ainda deitada, e reparei que seu celular que devia estar usando o dispositivo pra reproduzir as músicas dele na TV.

-The Maine? –Eu cheguei na sala incrédulo.

Eu já conheci garotas hippies, rappers e de todos os estilos musicais possíveis e foi somente uma, em toda minha vida que também curtia The Maine, uma ex minha. E agora, Gabriela.. Caralh*.

-Oi? –Gabriela riu parando a música. –Perdão, não ouvi

-VOCE CURTE THE MAINE! –Eu afirmei, coçando minha nuca –Caralho!

-É? –Ela riu, sem graça. -Que diabos tem isso?

-Eu adoro esses caras! –Comecei a rir, sacudindo ela –Jesus! Eu comprei dois ingressos mês passado pro show que eles vão fazer aqui.. mas não tava arrumando um amigo pra ir comigo!

-SERIO? Meu Deus! O problema é que meus pais não deixam eu ir no show nem morta.

-EU VOU FAZER ELES DEIXAREM! Preciso ir nesse show, cara.

-Vamos fazer um trato. –Ela me olhou com aquele olhar malicioso e um arrepio passou pelo meu corpo.

- Outro trato, garota?

-Mas é pra algo que você quer, senão..

-Ta bem, Gabriela. Que trato? –Cruzei meus braços de frente a ela e Gabriela veio em minha direção, deslizando seu dedo em meu braço

-Então.. Eu preciso te apresentar aos meus pais. Como namorado. –Assenti, fazendo sinal pra que ela continuasse. –Eu vou convencer eles a ir a esse show SE você for num jantar em família comigo, e eu te apresento e fim.

-Mas e depois, Gabriela? Você vai chegar do nada e dizer que terminamos?

-É. –Ela deu de ombros.

Com certeza Gabriela já deveria ter dito isso muitas vezes para seus pais e devia estar acostumada.

-Certo. Temos OUTRO trato então, né.

-Ótimo. –Gabriela e eu ficamos por um tempo nos olhando, quando demos conta que estávamos bem perto um do outro.

Ela apenas abaixou a cabeça bem sem graça e voltou a se sentar no sofá.

-Quando é esse jantar?

-Quando é o show?

-Bem... É na quarta, a noite. –Cocei a nuca, eu sabia que ela não gostaria muito da ideia.

-DESSA SEMANA? –Assenti, me sentando de frente a ela, em outro sofá. –Eu to em prova! Como 
vai ser?

-Eu posso estudar com você.

-Estudar? –Ela deu uma risada irônica –Nós dois? Juntos?

-Na biblioteca, se preferir.

-É, é bem mais aconselhável. –Nós dois rimos, sem graça. –Certo. Eu falo com meu pai isso também.

-E que dia vai ser, então?

-Terça. –Ela deu de ombros e eu fiquei arrepiado por um momento.

Nunca tive que encarar os pais de minhas namoradas.

Pera aí, eu nunca tive namorada. Porque nunca tive nada sério com ninguém.

Ah, que ótimo.

-Certo. Eu tenho uns trabalhos, mas adianto tudo amanhã. É.

-Se precisar de algo que possa te ajudar..

Gabriela estava sentada com uma das pernas dobradas, e eu só dei uma olhada pra aquele seu corpo. 
É, minha recompensa seria mais tarde. Sem dúvida alguma.

-Então, vamos almoçar logo? Estou faminto.

-Claro. –Ela deu de ombros, se levantando –Vou só trocar de roupa, ok?

-Claro.


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