Capítulo 34 - nós dois teríamos dado certo

quarta-feira, 11 de abril de 2018

No dia seguinte, acordei com uma terrível dor de cabeça e uma dor no corpo que me limitava a dar apenas poucos passos sem sentir muito incomodo.

Consegui fazer um café e quando estava deitada no sofá, não me aguentando mais, liguei pra minha mãe e pedi pra que ela fosse lá pra casa e ficasse um pouco comigo.

Depois que ela chegou, me deu uns remédios que havia comprado e fiquei deitada em seu colo, conversando.

-Voce tá bem? –Perguntou, me fazendo carinho na cabeça.

-Sim, mãe. É só uma gripe..

-Eu sei que não é só uma gripe, Isabella. Você pode conversar comigo. –Ela falou, preocupada. –É aquele rapaz, não é?

-É. A gente brigou e não estamos nos falando.

-Por que?

-Ele não quer se abrir comigo, não quer me contar o que acontece na sua vida.. Aí fica complicado né, mãe.

-E você já contou a ele o que aconteceu com você e Blake?

-Não. –Minha mãe bufou. –Ué, mãe. Ele também não tinha contado nada..

-Filha, se você não se abriu pra ele, como você esperava que ele fizesse isso?

-Ah, mãe, não sei, ok? Eu só não pensei nisso. Só isso. –Ela bufou de novo, me olhando.

Passei o resto do dia de molho daquela forma e por volta das 18h, resolvi deixar meu orgulho de lado e ir conversar com Alex.

Coloquei uma blusa melhor e fui pra casa dele.

Ao chegar quase em sua porta, percebi que ela estava aberta e ele falando no telefone, perto dela. 
Fiquei parada, no corredor mesmo, tentando ouvir o que ele dizia:

“É.

Isso, mãe.

É. Eu já arrumei minhas coisas, daqui a pouco to indo pra aí..

Sim, já arrumei as coisas do Herus.

Não, mãe. Ela não vai.

A gente brigou, mãe.

É.

Tá.

Ele não ta aí não, né?

-Suspiro-.

Ta.

Já ja eu chego aí”.

Assim que ele desligou, voltei de fininho pro elevador e fui pra minha casa. Ele estava indo pra casa de seus pais e não havia nem me avisado nada. E pra constar, eu tinha certeza que aquele “ele não ta ai não né?” era falando do seu pai.

E mais uma vez, meu orgulho falou mais alto que a voz da razão. 

-

Depois de passar o fim de semana sem notícias de Alex e sem coragem pra lhe mandar uma mensagem sequer, recebi uma sua quando estava na aula, segunda feira.

“Podemos conversar?”

“Agora que você quer conversar?”

“Starbucks, 13h?”

“Ta.”

-Problemas no paraíso? –Blake chegou se sentando de frente pra mim, ao me ver no celular com uma cara não muito boa.

-Isso não é da sua conta.

-Voce não devia se deixar levar tanto assim por esse cara, sabe? Isso me mata. Nós nao eramos assim antes dele chegar..

-Blake, escuta uma coisa. –Eu olhei séria pra ele, cansada dele achando que tinha intimidade o suficiente comigo pra me dar “conselhos amorosos”. –Nós eramos meros amigos, porque nem chegávamos perto disso direito, já que eu nunca dei intimidade o suficiente pra você pra isso acontecer. Então, presta bem atenção, eu não quero nada com você e não é porque Alex entrou na 
minha vida. Ele ter entrado e eu ter começado a ser fria e grossa com você, foi porque você 
simplesmente achou agora que tem o direito de se meter na minha vida! Porra, Blake! Se toca.
As pessoas começaram a olhar –estava no intervalo de uma aula pra outra –e eu fui ficando mais puta ainda.

-O que é, huh? –Olhei em volta, pra eles. Não sabiam cuidar da sua própria vida? –Por favor, Blake. Suma da minha vida, de uma vez por todas. Eu não consigo olhar pra sua cara e achar que podíamos começar de novo. Nós não podemos começar de novo.

-Teria dado certo, sabe? –Ele me olhou com um olhar vazio. Solitário. –Se tivéssemos insistido.. O que aconteceu não precisava ter nos definido..

-Mas definiu. Eu engravidei, perdi a porra do bebê e você tava cagando pra se tinha bebe ou não. Não me venha com essa de consciência pesada por que comigo não rola mais.

Falei, de uma vez por todas. Nunca havíamos tocado no assunto, mas eu sentia que era hora.


Peguei minhas coisas e finalmente, saí da sala.

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