No dia seguinte, acordei com uma terrível dor de cabeça e
uma dor no corpo que me limitava a dar apenas poucos passos sem sentir muito
incomodo.
Consegui fazer um café e quando estava deitada no sofá, não
me aguentando mais, liguei pra minha mãe e pedi pra que ela fosse lá pra casa e
ficasse um pouco comigo.
Depois que ela chegou, me deu uns remédios que havia
comprado e fiquei deitada em seu colo, conversando.
-Voce tá bem? –Perguntou, me fazendo carinho na cabeça.
-Sim, mãe. É só uma gripe..
-Eu sei que não é só uma gripe, Isabella. Você pode
conversar comigo. –Ela falou, preocupada. –É aquele rapaz, não é?
-É. A gente brigou e não estamos nos falando.
-Por que?
-Ele não quer se abrir comigo, não quer me contar o que
acontece na sua vida.. Aí fica complicado né, mãe.
-E você já contou a ele o que aconteceu com você e Blake?
-Não. –Minha mãe bufou. –Ué, mãe. Ele também não tinha contado
nada..
-Filha, se você não se abriu pra ele, como você esperava que
ele fizesse isso?
-Ah, mãe, não sei, ok? Eu só não pensei nisso. Só isso. –Ela
bufou de novo, me olhando.
Passei o resto do dia de molho daquela forma e por volta das
18h, resolvi deixar meu orgulho de lado e ir conversar com Alex.
Coloquei uma blusa melhor e fui pra casa dele.
Ao chegar quase em sua porta, percebi que ela estava aberta
e ele falando no telefone, perto dela.
Fiquei parada, no corredor mesmo,
tentando ouvir o que ele dizia:
“É.
Isso, mãe.
É. Eu já arrumei minhas coisas, daqui a pouco to indo pra
aí..
Sim, já arrumei as coisas do Herus.
Não, mãe. Ela não vai.
A gente brigou, mãe.
É.
Tá.
Ele não ta aí não, né?
-Suspiro-.
Ta.
Já ja eu chego aí”.
Assim que ele desligou, voltei de fininho pro elevador e fui
pra minha casa. Ele estava indo pra casa de seus pais e não havia nem me
avisado nada. E pra constar, eu tinha certeza que aquele “ele não ta ai não
né?” era falando do seu pai.
E mais uma vez, meu orgulho falou mais alto que a voz da
razão.
-
Depois de passar o fim de semana sem notícias de Alex e sem
coragem pra lhe mandar uma mensagem sequer, recebi uma sua quando estava na
aula, segunda feira.
“Podemos conversar?”
“Agora que você quer conversar?”
“Starbucks, 13h?”
“Ta.”
-Problemas no paraíso? –Blake chegou se sentando de frente
pra mim, ao me ver no celular com uma cara não muito boa.
-Isso não é da sua conta.
-Voce não devia se deixar levar tanto assim por esse cara,
sabe? Isso me mata. Nós nao eramos assim antes dele chegar..
-Blake, escuta uma coisa. –Eu olhei séria pra ele, cansada
dele achando que tinha intimidade o suficiente comigo pra me dar “conselhos
amorosos”. –Nós eramos meros amigos, porque nem chegávamos perto disso direito,
já que eu nunca dei intimidade o suficiente pra você pra isso acontecer. Então,
presta bem atenção, eu não quero nada com você e não é porque Alex entrou na
minha vida. Ele ter entrado e eu ter começado a ser fria e grossa com você, foi
porque você
simplesmente achou agora que tem o direito de se meter na minha
vida! Porra, Blake! Se toca.
As pessoas começaram a olhar –estava no intervalo de uma
aula pra outra –e eu fui ficando mais puta ainda.
-O que é, huh? –Olhei em volta, pra eles. Não sabiam cuidar
da sua própria vida? –Por favor, Blake. Suma da minha vida, de uma vez por
todas. Eu não consigo olhar pra sua cara e achar que podíamos começar de novo.
Nós não podemos começar de novo.
-Teria dado certo, sabe? –Ele me olhou com um olhar vazio.
Solitário. –Se tivéssemos insistido.. O que aconteceu não precisava ter nos
definido..
-Mas definiu. Eu engravidei, perdi a porra do bebê e você
tava cagando pra se tinha bebe ou não. Não me venha com essa de consciência
pesada por que comigo não rola mais.
Falei, de uma vez por todas. Nunca havíamos tocado no
assunto, mas eu sentia que era hora.
Peguei minhas coisas e finalmente, saí da sala.
-


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