Capítulo 31 - vem ver

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Eu estava tão desesperada pra dar 17h, que quando eram 16h58, eu já estava no deposito trocando de roupa. Jonas ficou sentado o tempo todo na mesa, provavelmente me esperando sair pra tentar me cantar de novo. Pelo amor de Deus.

Despedi-me de meu tio e saí por trás, indo rápido pra casa. –Graças a Deus, Jonas não me seguiu-.

Dei um pulo em casa pra colocar uma roupa mais confortável, tomei outro banho e quando eram quase 17h45, toquei na casa de Alex.

Fui recebida com um latido forte. Fiquei logo com medo.

-SHH, Herus, fique quieto. –Ouvi a voz de Alex em seguida, destrancando a porta. –É só a Isa, fique quieto.

Entrei já olhando pro chão e procurando a coisa –brincadeira, amo cachorros-.

Era um chow chow, cor de ferrugem e grande. Que cachorro mais fofo, meu Deus!

-AAh, que coisa mais linda! –Eu logo surtei, dando minha mão pro cão cheirar.

Ele logo veio o fazendo-o, cheirando minhas pernas e espirrando.

-Acho que vocês vao se dar bem. –Alex disse, sorrindo. –E aí. –Virou pra mim e me beijou.

Enquanto nos beijávamos senti Herus pular em minha perna.

-Voce quer um beijo também, né? –Ajoelhei e comecei a fazer carinho nele.

Na hora, ele começou a me lamber e abanar o rabo: já havia conquistado o bicho.

-Entao, o que a gente faz? –Perguntei a Alex assim que me reergui, curiosa.

-Eu comprei uns desinfetantes e coisas pra tirar pó. Você se importa de tirar pó enquanto eu lavo o banheiro? É que eu sou muito alérgico a poeira e aqui tem de sobra.

-Sem problema. Mas você vai conseguir lavar o banheiro sozinho? –Perguntei, zombando dele.

-Há há. Como você é engraçada, querida. Agora chega de papo, vamos ao trabalho.

-Sim, senhor.

Percebi que Alex não estava com uma cara muito boa. Novidade, já que ele acabava de chegar da casa dos pais dele. Eu precisava descobrir o que que acontecia entre ele e seus pais, Jesus.

Prendi meu cabelo e agradeci por estar com um de meus shorts de academia e uma camisa larga porque com certeza iria suar: eram muitos móveis pra tirar pó.

Ao entrar em sua casa, dávamos de cara com a sala que tinha uma TV enorme na parede e em volta, vários cubos de madeira com retratos e estatuas estranhas dentro.

Embaixo dessa TV, um outro móvel com DVD e afins.

Um sofá enorme e uma mesinha de centro bem bonita. Ele tinha gosto pra decoração.

Peguei um pano e o produto de tirar pó e comecei a faxina.

Depois de limpar os cubos da parede, me sentei no chão pra limpar o móvel com o DVD e aparelhos, Herus aproveitou a deixa e correu pra mim, me lambendo e me atacando.

-Voce não existe, cara. –Ri, tirando-o de cima de mim. –Me deixe trabalhar, ta? –Ele ficou paradinho 
me olhando. Que vontade de morder aquele bicho!

Antes de terminar de limpar ali, ouvi Alex me chamar desesperado no banheiro.

Fui que nem uma desesperada já pensando: fudeu, ele caiu, quebrou a coluna, está morrendo.

Ao chegar lá, ele está dentro do box, com uma vassoura na mão e olhando pro ralo do banheiro.

-O que foi?  -Perguntei, puta. Eu sabia que não era nada demais.

(Não sabia não).

-Vem ver aquele bicho, vem ver!

Bufei, cruzando os braços e continuei na porta do banheiro, olhando séria pra ele.

-É sério, cara. É serio!

Fui me aproximando devagar e na porta do box, não vi nada.

-Tem nada ali, Alex.


-Vem aqui dentro, né. Dai você não vai ver.

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