Capítulo 30 - somente o capuccino

quarta-feira, 4 de abril de 2018


Depois daquela madrugada movimentada, acabei acordando às 14h na quarta, sentindo um cheiro maravilhoso de café vindo da cozinha.

Coloquei uma camisa minha e uma calcinha, fui ao banheiro rapidamente escovar meus dentes, meu cabelo e jogar uma água no rosto. Depois disso, fui pra cozinha ver o que Alex estava aprontando.

E lá ele estava, sentado à mesa de minha bancada da cozinha tomando seu café, com uma bermuda  -provavelmente deve ter ido em casa pega-la-, sem camisa e lendo jornal. Que vista maravilhosa.

Aproximei-me dele devagarzinho e abracei-o pelo pescoço, beijando sua cabeça.

-Bom dia. –Alex disse numa voz rouquinha. –Dormiu bem?

-Muito bem. –Enfatizei o “muito”, dando a volta e sentando-me ao seu lado.

-Fiz café e uns ovos mexidos. Tava faminto.  –Ergui a sobrancelha, surpresa.

-Acordou tem muito tempo?

-Um pouco. –Balançou a cabeça. –Entao, o que vamos fazer hoje?

-Bem.. Eu devo passar na Starbucks porque hoje já devem abrir..

-E depois? –Falou, me puxando pela cintura e me beijando.

-Depois a gente tinha que ir pra academia, né? –Ri, beijando-o mais uma vez.

-Caralho, nem fala em academia.. –Disse passando a mão em seu cabelo e fazendo uma cara de preocupação. –Não vou há uns dias, também. Mas não vai dar pra eu ir.

-Por que? Voce tem que ir trabalhar hoje?

-Não, não. –Balançou a cabeça. –Preciso ir nos meus pais pegar o Herus e depois ir pra casa dar uma limpeza.. Voce me ajuda?

-Pode ser depois que eu voltar da Starbucks? Meu tio só deve me prender de 15h às 17h.

-Sem problemas, Isa.

Dei a volta no balcão dali e fui me servir um pouco de café.

-Isa, posso te fazer uma pergunta?  -Virei-me pra ele com meu copo de café na mao, assentindo. –
Voce e Blake ficaram juntos por quanto tempo?

Debrucei-me na bancada e fiquei assim, de frente pra ele.

-6 meses. –Falei, enfim.

-6 meses? –Ergueu a sobrancelha. –Entao foi sério, né?

-É. –Dei de ombros. –Digamos que sim.

-Eu já te perguntei e você só deu respostas evasivas.. Mas por que vocês terminaram?

-A gente não pode deixar essa conversa pra outro dia? Não tô preparada pra falar sobre ainda, Alex. –

Falei sem ser grossa, numa boa.

Ele assentiu e eu vi que ficou satisfeito pela minha honestidade.

Conversamos mais um pouco e quando eram quase 15h, fui tomar um banho e trocar de roupa. Alex foi pra sua casa e combinamos de nos encontrar 17h30 na casa dele.

Coloquei uma jeans conforme o tempo estava mais fresco hoje e uma blusinha roxa, apertada e curtinha. Peguei meu all star branco, minha bolsa com meus documentos e fui pra Starbucks.

-Oi, querida! –Disse meu tio ao me encontrar. Haviam pintado parte da sala dele e mudaram o vidro onde ficavam os salgados e doces, estava bem mais moderno. –Que bom que você veio.

-Não te deixaria na mao, tio. Como posso te ajudar?

-Queria que você atendesse só até 17h, depois disso o resto dos atendentes chegam. Mas amanhã, esteja aqui às 13h, no horário normal.

-Claro, sem problemas. Vou por o uniforme.

Fui nos armários que tinha no deposito dali, peguei meu avental e meu boné e coloquei-os, indo pra trás do balcão atender os clientes que já haviam chegado.

Depois de cerca de cinquenta minutos atendendo, Jonas entrou na cafeteria me deixando meio 
surpresa. Ok que ali era a Starbucks, qualquer um poderia entrar, mas ele não costumava vir.

-Olá. O que você deseja? –Perguntei sorridente e fingindo que ele era um cliente qualquer, brincando.

-Olá. Vim saber se a atendente está disponível e um cappuccino, também.

Por um momento, congelei. Acho que no fundo, esperei ele dizer “brincadeira!”. Mas foi em vão, de qualquer maneira: ele não disse.

-O cappuccino são 3 dolares, senhor. –Eu disse numa voz completamente sem graça, olhando em seus olhos.

-Ah, Isabella. Não brinca comigo.. Quando eu finalmente tomo coragem, é tarde?

Até ele se tocou o quão lerdo estava sendo? Já na hora, né.

Balancei a cabeça, apenas rindo e fui preparar seu cappuccino.

Assim que terminei, entreguei em sua mão e disse:

-Tenha um bom dia.

Jonas apenas me olhou com cara ainda de “sério?” e não disse mais nada, sentando-se numa mesa ali dentro. Que ótimo. Ele ainda vai ficar ali, me olhando?
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