Capítulo 1 - jornalista

terça-feira, 17 de abril de 2018



Não estava suportando mais. Precisava de algo.

Precisava da minha bebida.

Ok, eu já havia escutado que em Los Angeles era o lugar das festas. Mas vim a essa festa  com meu irmão e algumas amigas minhas, só porque precisava tomar um bom porre e esquecer dos meus problemas.

"Dos meus problemas"? Sim. A separação dos meus pais.

E do meu último ano, que estava sendo infernal, no Ensino Médio.

-Vou pegar algo pra beber. -falei perto do ouvido de meu irmão, Eduard.

-Não exagere, ok, Gabriela? -ele segurou meu braço e me encarou.

Dizia isso como se fosse responsável! Aposto muitos que iria sair dali mais bêbado do que eu!

-2 doses de vodka, por favor. -Pedi me sentando no banquinho de frente ao bar.

Logo, o barmen veio com meus drink's e me serviu.

-Obrigada.

A bebida desceu amargando minha garganta. Ótimo, ainda conseguia ser mais doce do que minha vida estava sendo.

-Dia difícil? -Brandou uma voz ao meu lado.

Virei-me e vi um belo rapaz de jaqueta preta, careca –ele tinha um pouco de cabelo, mas ser careca era o que deixava-o sexy pelo que reparei. Ou era a bebida já fazendo efeito? Seus olhos eram castanhos e bem chamativos.

-Ano difícil. -Respondi assentindo e logo depois pedindo mais uma dose.

-Se quer ficar bêbada, fique bêbada com estilo. -Ele sorriu de soslaio pra mim e em seguida, pediu ao garçom -Duas doses de Angoustura, por favor. Uma pra mim e pra madame aqui.

-Gabriela, prazer. -Falei sorrindo falsamente

-Noah, ou melhor, futuro embriagado. -Rimos -Veio aqui pra se divertir, ou pra encher a cara mesmo, Bella? -ele se virou pra mim ainda sorrindo

-Pra ser sincera, encher a cara .E você?

-Não sei.. Encontrar uma menina bêbada.. Levar ela pro meu apartamento e.. No dia seguinte, expulsá-la de lá. –Ele deu de ombros, como isso fosse uma fala normal e logo depois que eu olhei pra ele meio sem reação, ele apenas riu.

-Idiota. -Revirei os olhos pegando minha bebida.

-O mesmo que você. -Ele deu de ombros se levantando e pegando sua bebida -A propósito, venha comigo. -Colocou sua mão em minhas costas e eu me levantei

-Vai me levar pro seu apartamento?

-Talvez. -ele olhou pra mim enquanto andávamos e sua mão se apoiava em minhas costas -Vamos lá pra fora, não aguento mais essa música horrorosa.

-Graças a Deus. -Suspirei.

-

-Então... você é daqui? -perguntei me sentando no banco de uma lanchonete que achamos ali perto.

-Basicamente. -ele sorriu um pouco se sentando em minha frente -Sou do Sul da Califórnia. Faço 
jornalismo aqui.. E você?

-Curso meu tão sonhado último ano –Noah riu, assentindo.-Eu.. Estou enfrentando uns problemas, como pode perceber, senão eu com certeza não estaria aqui.. –Riu de novo –E acho que vou morar com meu irmão agora. Eu não sei..

-Qual o nome dele? Talvez trabalhe comigo.

-Eduard. Eduard Collins. -ele se mostrou surpreso novamente

-Sim, Ed. Já fez curso comigo.. Ele nunca me disse que tinha uma irmã..er.. mais nova. -Noah me olhou um pouco -Ultimo ano? Jura?

-Aham..Por que? -perguntei sem graça

-Parece que.. Já está terminando a faculdade. –ergui a sobrancelha, rindo -Sério.. Hum.. Te daria uns.. 25.

-Wow. Pareço tão velha assim? -Ele negou rapidamente

-Uma mulher. -ergueu sua sobrancelha e chamou o garçom -Uma garrafa de vodka, por favor.

-Ei, vai com calma. Você não parece tão novo assim também. -dei de ombros

-A noite só está começando, Bella -Noah riu malicioso -Hum.. quantos anos, eu pareço ter? -Ele fez uma pose que me fez rir.

-Hum.. 26. -ele ergueu suas sobrancelhas

-Tenho 20. E você, menina que ama se embebedar com estranhos?

-17.. -ri um pouco sem graça -Ah para, você que me trouxe pra cá ok?

-Tudo bem.. -logo o garçom veio com a garrafa -Tome um bom gole e aproveite enquanto está sóbria para me contar o que te trouxe estar sentada aqui, disposta a tomar um porre com um inútil jornalista gato. - me passou a garrafa.

-Inútil posso te confirmar. -assenti tomando um gole e a bebida novamente amargurou sob minha garganta. -Agora gato.. Estou em dúvida.

-Gato.. é pouco não acha? -ele passou a mão em sua careca e eu apenas gargalhei. –Mas então, o que pretende nessa Gabi noite de sexta feira?

E foi assim que começou uma longa –e agitada- conversa a dois. Depois do décimo copo, eu não 
lembrei de mais nada.


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