Não estava suportando mais. Precisava de algo.
Precisava da minha bebida.
Ok, eu já havia escutado que em Los Angeles era o lugar das festas. Mas vim
a essa festa com meu irmão e algumas amigas minhas, só porque precisava tomar um bom
porre e esquecer dos meus problemas.
"Dos meus problemas"? Sim. A separação dos meus pais.
E do meu último ano, que estava sendo infernal, no Ensino Médio.
-Vou pegar algo pra beber. -falei perto do ouvido de meu irmão, Eduard.
-Não exagere, ok, Gabriela? -ele segurou meu braço e me encarou.
Dizia isso como se fosse responsável! Aposto muitos que iria sair dali
mais bêbado do que eu!
-2 doses de vodka, por favor. -Pedi me sentando no banquinho de frente
ao bar.
Logo, o barmen veio com meus drink's e me serviu.
-Obrigada.
A bebida desceu amargando minha garganta. Ótimo, ainda conseguia ser
mais doce do que minha vida estava sendo.
-Dia difícil? -Brandou uma voz ao meu lado.
Virei-me e vi um belo rapaz de jaqueta preta, careca –ele tinha um pouco
de cabelo, mas ser careca era o que deixava-o sexy pelo que reparei. Ou era a
bebida já fazendo efeito? Seus olhos eram castanhos e bem chamativos.
-Ano difícil. -Respondi assentindo e logo depois pedindo mais uma dose.
-Se quer ficar bêbada, fique bêbada com estilo. -Ele sorriu de soslaio
pra mim e em seguida, pediu ao garçom -Duas doses de Angoustura, por favor. Uma
pra mim e pra madame aqui.
-Gabriela, prazer. -Falei sorrindo falsamente
-Noah, ou melhor, futuro embriagado. -Rimos -Veio aqui pra se divertir,
ou pra encher a cara mesmo, Bella? -ele se virou pra mim ainda sorrindo
-Pra ser sincera, encher a cara .E você?
-Não sei.. Encontrar uma menina bêbada.. Levar ela pro meu apartamento
e.. No dia seguinte, expulsá-la de lá. –Ele deu de ombros, como isso fosse uma
fala normal e logo depois que eu olhei pra ele meio sem reação, ele apenas riu.
-Idiota. -Revirei os olhos pegando minha bebida.
-O mesmo que você. -Ele deu de ombros se levantando e pegando sua bebida
-A propósito, venha comigo. -Colocou sua mão em minhas costas e eu me levantei
-Vai me levar pro seu apartamento?
-Talvez. -ele olhou pra mim enquanto andávamos e sua mão se apoiava em
minhas costas -Vamos lá pra fora, não aguento mais essa música horrorosa.
-Graças a Deus. -Suspirei.
-
-Então... você é daqui? -perguntei me sentando no banco de uma
lanchonete que achamos ali perto.
-Basicamente. -ele sorriu um pouco se sentando em minha frente -Sou do
Sul da Califórnia. Faço
jornalismo aqui.. E você?
-Curso meu tão sonhado último ano –Noah riu, assentindo.-Eu.. Estou
enfrentando uns problemas, como pode perceber, senão eu com certeza não estaria
aqui.. –Riu de novo –E acho que vou morar com meu irmão agora. Eu não sei..
-Qual o nome dele? Talvez trabalhe comigo.
-Eduard. Eduard Collins. -ele se mostrou surpreso novamente
-Sim, Ed. Já fez curso comigo.. Ele nunca me disse que tinha uma
irmã..er.. mais nova. -Noah me olhou um pouco -Ultimo ano? Jura?
-Aham..Por que? -perguntei sem graça
-Parece que.. Já está terminando a faculdade. –ergui a sobrancelha, rindo
-Sério.. Hum.. Te daria uns.. 25.
-Wow. Pareço tão velha assim? -Ele negou rapidamente
-Uma mulher. -ergueu sua sobrancelha e chamou o garçom -Uma garrafa de
vodka, por favor.
-Ei, vai com calma. Você não parece tão novo assim também. -dei de
ombros
-A noite só está começando, Bella -Noah riu malicioso -Hum.. quantos
anos, eu pareço ter? -Ele fez uma pose que me fez rir.
-Hum.. 26. -ele ergueu suas sobrancelhas
-Tenho 20. E você, menina que ama se embebedar com estranhos?
-17.. -ri um pouco sem graça -Ah para, você que me trouxe pra cá ok?
-Tudo bem.. -logo o garçom veio com a garrafa -Tome um bom gole e
aproveite enquanto está sóbria para me contar o que te trouxe estar sentada
aqui, disposta a tomar um porre com um inútil jornalista gato. - me passou a
garrafa.
-Inútil posso te confirmar. -assenti tomando um gole e a bebida
novamente amargurou sob minha garganta. -Agora gato.. Estou em dúvida.
-Gato.. é pouco não acha? -ele passou a mão em sua careca e eu apenas
gargalhei. –Mas então, o que pretende nessa Gabi noite de sexta feira?
E foi assim que começou uma longa –e agitada- conversa a dois. Depois do
décimo copo, eu não
lembrei de mais nada.
-


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