Capítulo 80 - acidente

quarta-feira, 26 de junho de 2019


-Nossa. –Eu beijei-o novamente, deitando em cima dele novamente. –Adoro quando diz isso.

-Eu acabei de assumir um compromisso com você. Você é minha mulher.

-Minha mulher. –Eu sorri de novo, beijando-o.

-Dá pra parar de repetir tudo que eu digo que nem uma retardada?

Nós caímos na gargalhada depois que ele disse isso.

-Certo. Eu não vou avisar a ninguém.. Mas como vamos fazer pra nos encontrar?

-Você vai pro hotel, arruma suas coisas, eu arrumo as minhas, te busco e a gente vai direto pro aeroporto. Sem dar muito em cima, sabe? –Assenti –não quero correr risco daquele louco nos pegar no caminho.

-Concordo.

Eu respondi sorrindo e me deitando ao seu lado, sem imaginar o que estava por vir.

-

Sebastian apesar d’eu insistir, quis me deixar no hotel no domingo de manhã. O dia estava uma droga, então, pedi pra que ele me pegasse o quão cedo que fosse, se não, poderia ter uma tempestade daquelas e cancelarem nosso voo.

Mandei uma mensagem a Melissa e a minha irmã, avisando apenas que voltaria pra Boston amanhã de tarde mais ou menos por causa do fuso e com Sebastian.

Arrumei minhas malas, fechei o pacote do hotel e por cerca de 13:30 da tarde ele me pegou.

-Está pronta?

Sebastian perguntou, assim que eu entrei no carro e me deu um longo beijo.

-Mais do que nunca.

-Então é isso. –Ele pegou minha mão e beijou-a, colocando o carro na estrada.

-Ué, não deveria ter virado ali atrás amor?

-Não, linda. A gente pegaria a avenida mais movimentada e deve estar toda engarrafada, ainda mais 
pelo horário! Conheço um atalho.

-Tudo bem. –Coloquei minha mão em sua coxa, afagando-a.

Mas pelo caminho que ele tomou, a nevasca estava mais forte, então ele logo ligou o limpador de 
para-brisas para melhorar sua vista.

-Eu te amo tanto, tanto. –Sebastian olhou um momento pra mim, reduzindo um pouco a velocidade e 
eu me inclinei, beijando-o e segurando com uma de minhas mãos em sua nuca.

-Eu te amo mais. –Sussurrei dando outro selinho nele, e na mesma hora quando me virei pra frente, 
gritei, talvez tarde demais:

–SEBASTIAN!

-

Quando ele olhou assustado pra frente também, só teve uma reação: virar o volante e conduzir o carro ribanceira a baixo.

Minha cabeça foi batendo zilhões de vezes no teto do carro, e eu não conseguia nem abrir a porta, muito menos tirar o cinto. Parecia que eu estava presa em uma caixa, não conseguia me movimentar: meu corpo não respondia mais aos meus comandos.

-Ariel, fica comigo, Ariel. –Sebastian falou em um tom meio grogue quando o carro finalmente parou.

Eu não conhecia avenida que ele tinha pego e muito menos o bairro em que estávamos, mas com certeza estávamos bem lá embaixo da ribanceira.

O carro havia parado em pé, pelo menos e eu, que estava com a cabeça jogada de lado, pro lado de Sebastian, vi que fileiras de sangue escorriam pela lateral de seu rosto.

-Eu não vou te abandonar, amor.

Lembro-me de ter sussurrado e conseguido esticar minha mão, pegando a dele e sentido uma enorme fraqueza cair sobre mim, como se tivessem me dopado.

Não aguentando mais pensar em nada, falar ou ver se Sebastian estava bem.

Mas eu precisava vê-lo, eu precisava falar com ele, de onde veio aquele caminhão...



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