Ouvi uns murmúrios de longe e minha cabeça estava bastante
dolorida. Fui abrindo os olhos aos poucos, tentando me adaptar com a claridade.
Mas eu estava irritada.
Olhei em volta por um momento e do meu lado tinha uma máquina
que parecia com a linha de meus batimentos cardíacos, fazendo um “BIP”
irritante.
Em um de meus braços tinha um cano que transportava soro
por minha veia, e eu vestia um daqueles vestidinhos azuis de hospital mesmo.
Notei também que meus braços estavam um tanto arranhados.
Droga, como eu queria um espelho agora pra ver meu cabelo.
Um rosto masculino apareceu na janelinha da porta, olhando
pra dentro e eu olhei pro mesmo confusa. Ele logo entrou junto com minha mãe e
minha irmã.
Ah, como era bom ver Katy.
-Katy? –Eu perguntei numa voz chorosa quando ela na mesma
hora me abraçou devagarzinho e deu um demorado beijo em minha testa.
-Oi, minha pequena. Como se sente?
-Minha cabeça dói.
-Filha! Minha filinha! –Minha mãe veio me abraçar também
–Que susto você nos deu, Ariel!
-O que aconteceu?
Coloquei a mão na cabeça, conforme minha mãe veio toda
eufórica, sua voz logo ficou batendo em
minha mente me dando mais dor.
-Você passou por uma cirurgia delicadíssima na cabeça, meu
amor.
-Por que? –Elas me olharam assustadas e uma médica logo
chegou com uma prancheta.
-Oi Ariel! –Ela disse sorrindo e conferindo meu soro.
–Como a princesinha está se sentindo?
-Minha cabeça dói.
-Isso é normal querida, não se preocupe.
-O que houve comigo doutora? –Eu perguntei e notei que
minha irmã e minha mãe olharam pra médica ansiosas.
-É normal também. Ela teve uma forte contusão na cabeça. A
memória está bem fraca, procurem falar dos acontecimentos aos poucos.
-Que acontecimentos, doutora? O que houve comigo?
Quando eu disse, notei que minha irmã afagou minha perna, e
na mão da mesma ela usava um anel perfeito bem parecido com uma aliança.
- O que aconteceu com o anel de noivado que John lhe deu?
Os olhos de minha irmã se encheram d’água e ela logo se
afastou junto com minha mãe que a abraçou forte.
O cara que havia me olhado pela janelinha do lado de fora
do quarto se aproximou ao meu lado, e perguntou com uma voz bem fraca:
-Você lembra de mim, Ariel?
-Claro. Você é o cara da Starbucks. Eu vi você caindo e..
–Franzi o cenho. Me deu um branco imenso.
–Uau, eu não lembro o que aconteceu
depois. Aliás, você está bem? Foi um tombo em tanto.
-
Sebastian’s POV:
Eu não sabia o que tinha sido pior. O acidente ou o fato
de a memória de Ariel ter ido embora.
-Dra, eu posso falar com você um minuto?
-Claro.
Eu saí do quarto com a médica enquanto a mãe de Ariel e
sua irmã conversavam e explicavam umas coisas a ela. Perguntei:
-Em quanto tempo a memória dela vai voltar?
-Bom, Sebastian.. –Ela colocou as mãos no bolso, apreensiva.
–Primeiro é bom eu deixar bem claro que foi um milagre essa menina estar tão
lúcida a ponto de lembrar quem é. Ela bateu muitas vezes com a cabeça no carro,
e foi algo bem grave que lesionou uma parte do cérebro que vamos dizer..
Armazenamos as informações necessárias. O certo agora é vocês voltarem pra
rotina normal. Fazer tudo que faziam antes pra aos poucos ela ir se lembrando e
quando se der conta, vai parecer que nada aconteceu.
-E tem chances dela não lembrar de nada?
A médica apenas me olhou, e assentiu.
Estava tudo arruinado. Como eu iria voltar a rotina com
Ariel? Eu não moro em Boston.
A gente ia se mudar juntos. E como vou me mudar com minha
noiva que nem se lembra que está noiva de mim?
-Céus.. –Eu me afastei, coçando a cabeça.
Como pode isso acontecer?
-Eu sinto muito, querido. Mas o que podemos fazer agora é
manter a calma e ajudá-la. Porque é como se ela fosse um bebezinho. Vai ter de
aprender tudo de novo.
-É claro. –Murmurei
-Preciso ir porque tem outro paciente precisando de mim.
Mas se lembre, Sebastian, o pior já passou.
-


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