Nós

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Oi, galera, tudo bem?

Fã de David Nicholls desde "Um dia", quando vi que ele lançou outro romance, fui correndo comprar.

Mas, é claro, "Um dia" é "Um dia". E "nós" não foi nada do que eu esperava.



Sinopse

Certa noite, Douglas Petersen, um bioquímico de 54 anos apaixonado pela profissão, por organização e limpeza, é acordado por Connie, sua esposa há 25 anos, e ela lhe diz que quer o divórcio. O momento não poderia ser pior. Com o objetivo de estimular os talentos artísticos do filho, Albie, que acabou de entrar para a faculdade de fotografia, Connie planejou uma viagem de um mês pela Europa, uma chance de conhecerem em família as grandes obras de arte do continente. Ela imagina se não seria o caso de desistirem da viagem. Douglas, porém, está secretamente convencido de que as férias vão reacender o romance no casamento e, quem sabe, também fortalecer os laços entre ele e o filho. Com uma narrativa que intercala a odisseia da família pela Europa — das ruas de Amsterdã aos famosos museus de Paris, dos cafés de Veneza às praias da Barcelona — com flashbacks que revelam como Douglas e Connie se conheceram, se apaixonaram, superaram as dificuldades e, enfim, iniciaram a queda rumo ao fim do casamento, Nós é, acima de tudo, uma irresistível reflexão sobre a meia-idade, a criação dos filhos e sobre como sanar os danos que o tempo provoca nos relacionamentos. Sensível e divertido, com a sagacidade e a inteligência dos outros livros do autor, o romance analisa a intrincada relação entre razão e emoção.

Estilo 

Com capítulos longos (o livro é longo) Nichollls dividiu a história entre momentos presentes e passados. Usou flashbacks para localizar o leitor na história, que confesso, já no início já senti um pouco de cansaço e peso que isso fez. Quando algo está acontecendo, o leitor, ávido por respostas, quer logo chegar no fim, quer logo saber o por quê que aquilo está acontecendo e como será resolvido;  mas David optou por nos deixar curiosos até a última página do livro.

Em certo momento, você imagina o que pode (ou não) acontecer, se o casal vai (ou não) se separar, no fim das contas. Porém, com tantos flashbacks, idas e voltas no passado para informar o leitor sobre quem o casal "era" - em relação a como é agora - você acaba perdido e quebrando suas expectativas a todo momento.

Douglas, o pai dessa família, é um personagem difícil. É teimoso e muito metódico: se as coisas não saem exatamente como ele planejou, ele explode. E ainda não tem um relacionamento muito bom com seu filho de 17 anos, o Albie. Acredito que esses fatos foram fundamentais na hora de sua esposa ter decidido se separar dele.

O livro

Acreditei, do meio pro final, que era uma boa história. Mas ao terminar o livro, pensei: não. Não foi legal. O cara, que é chato, teimoso, metódico, recebe a notícia que a esposa quer se separar dele e começa a fazer de tudo para não deixar isso acontecer, já que são muitos anos de casamento e ele não imagina mais a vida sem ela. Ok. Do final da viagem deles para Europa para o fim do livro, Douglas até ficou mais legal: mais compreensivo. Topou fazer uma loucura em nome do filho dele (mas pensando no quanto sua esposa acharia incrível aquilo e talvez, somente talvez, desistisse de deixá-lo), coisa que o Douglas de antes com certeza não o faria.

Porém, quando o livro foi encontrando seu fim, tive uma decepção: foi tudo em vão. Não gosto de dar spoilers em resenhas, até porque acredito que o intuito seja apenas para deixar para o próximo leitor registrada a minha opinião sobre o livro e situá-lo pelo que ele vai encontrar pela frente. Então, vou terminar por aqui. Avisando, mais uma vez: é um livro longo. Dramático. Você fica o tempo todo querendo que digam logo o que foi, o que vai ser, mas aí o autor resolve voltar naquele jantar de 2005, quando Douglas chega tarde do trabalho, doido para encontrar sua família, e mãe e filho já terminaram de fazer o que tinha que fazer.

Nota: 4.


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