´´Talvez passe lá´´
Foi tipo "ah, se você tiver viva ainda a gente dá uns beijos, senão, sinto muito mas não vai dar tempo de ir no enterro".
Idiota.
-Talvez passe lá. –Eu disse numa voz bem idiota que fez Katy rir. –Idiota. Me chupa, otário.
-Cara, vocês dois são a coisa mais hilária do mundo.
-Ele é insuportável, Katy. Parece uma criança.
-Quem ficou de birra a festa inteira foi você, Ariel.
-CLARO, ELE ACHA QUE É SÓ ESTALAR OS DEDINHOS DELE E ESTÁ TUDO CERTO, KATY! –Eu comecei a gritar, nervosa e suspirei tentando me acalmar. Afinal, não queria mesmo chamar atenção. –Ele tem uma VIDA em Londres. Uma namorada, um trabalho, o que for.
-Eles não estão mais namorando. Sebastian me disse semanas antes de vir pra cá. –Ela disse bem séria e eu balancei a cabeça.
-E você acha mesmo que ele voltando pra Londres, eles não vão voltar? Acorda né, Katy, eu não nasci ontem e se ele pensa que vai ser mais um idiota que vai me passar pra trás, está muito enganado.
-Não se você voltar com ele.
-Como assim voltar com ele? –Meu coração disparou.
-Voltar pra Londres com ele, Ariel. Ir passar uns dias lá, de bobeira pra ver se é o que você quer mesmo, e aluga um apartamento pra vocês dois, ou.. Fica no dele mesmo. –Ela deu de ombros –Você já praticamente acabou a faculdade, o que faz no escritório pode mandar por email e lá, piscando os olhos você acha um escritório de jornalismo, sabe disso.
-E a mamãe, Katy? –E na hora, minha mãe parou o carro na nossa frente.
-Droga. Amanhã terminamos essa conversa –me abraçou –Fica bem, e descanse, ein?
-Pode deixar.
Entrei no carro, mancando ainda, e tentando fazer um movimento com a perna. Foi só um arranhão, afinal, não faria diferença nenhuma.
-Você conhecia Sebastian de algum lugar, Ariel? –Minha mãe perguntou assim que ela colocou o
carro na avenida pro centro.
-Não. Claro que não. –Respondi com o coração acelerado. –Por que, mãe?
-Vi vocês conversando várias vezes, o jeito que ele te olhava quando não estavam juntos, não sei. Me pareceu algo intimo, sabe?
-Claro que é intimo, ele é meu primo, né.
-É um primo distante, você sabe, não é de sangue. Mas mesmo que não fosse, não gostaria que você se envolvesse com gente da família dele.
-Como assim?
-O pai dele é um descontrolado, Ariel. Sebastian morava aqui, conosco, tanto que ele foi criado com você quando pequena. Daí a mãe dele fugiu de casa, não agüentando mais as ameaças do próprio marido. Ele bebia, enchia a cara mesmo, e desconfiava que ela estava traindo ele. –Agora eu sabia de onde que Sebastian havia herdado essa bebedeira toda. –Ele foi mais criado pela avó. Depois que conseguiu grana o suficiente fugiu pra Londres. Mas de vez em quando esbarra com o pai, e ele vive em cima do garoto pedindo dinheiro, essas coisas.
Fiquei estarrecida. Eu contei muita coisa pra Sebastian, ele podia ao menos ter me contado metade disso tudo, não é? Saber coisas significativas por outras pessoas é muito ruim.
-Ahn. –Eu disse olhando pela janela, como se não tivesse dado a mínima importância do que ela
havia dito.
-Bom, de qualquer forma, você já é bem grandinha e autossuficiente pra saber o que presta ou não pra você, não é?
-É claro. –Respondi baixinho.
Em poucos minutos minha mãe parou o carro na porta do prédio, e antes que eu saísse, avisou:
-Fique bem, e qualquer coisa de que precisar, me ligue. Te amo.
-Você também, mãe. Te amo.
Assim que entrei em casa tomei um bom banho, coloquei meu pijama e acabei pegando no sono
vendo TV .
Domingo passou voando, Sebastian não me mandou uma mensagem, e eu não resolvi mandar nada
também.
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