-Pronto
–Disse voltando ao quarto.
-Ficou boa
em você –Ele riu –Vamos tomar logo o chocolate, porque frio não fica muito
bom.. –
Assenti
Assim que
descemos, pegamos nossa xícara e nos sentamos juntos no sofá –não me
pergunte o porque, nem eu sei.
-Pode
ficar aqui até segunda de manhã.. –Paul esticou o braço por cima de meus
ombros, sussurrando.
-Eu tenho
casa também, ok? –Falei rindo, tomando o chocolate.
-Desculpe.
–Ele disse meio sem graça –É que você sabe.. Aqui é enorme. E eu estou sempre
sozinho.. Não gosto disso.
-Seu irmão
não vem te visitar, ninguém? –Ele negou com a cabeça
-Lembra
que te disse sobre meus pais só quererem que eu fosse bem sucedido na vida?
–Assenti –então. Desde que vim pra cá, eles não falam direito comigo. Ano passado
passei o natal com uma amiga.
-Caramba.
-É. Por
isso a casa vive cheia de porta retrato deles.. Mas.. E você? Sua mãe vai te
visitar, as vezes?
-As
vezes.. Ela não se contenta muito também mas por eu ter me afastado dela, sabe?
Ela achava que eu tinha que ficar sobre o mesmo teto dela pra sempre,ou sei lá!
–Rimos –Mas eu não gosto disso.
Não gosto de me prender a ninguém
-Por isso
nunca namorou, Jessie?
Eu sabia
que ele perguntaria algo do tipo.
E sabia, que
uma hora, teria que conversar com alguém sobre isso.
-Pra falar
a verdade, eu já tive um namorado sim, Paul. –ele assentiu –Mas sabe.. Foram tantas
decepções, que eu só quis esquecer, apagar, e fingir que nada aconteceu.
-E.. você
tem medo que isso aconteça de novo?
-Quem
sofre uma vez nunca esquece. É ruim, você se sente insegura toda hora.. Porque
tem medo de que alguém te decepcione, sabe? –Ele assentiu
-Eu.. Eu
nunca me apaixonei. Sempre fui disso de cair na curtição, sair pegando todas
nas festas, ficar bêbado.. por isso que meus pais sempre planejaram um futuro
pra mim. Sempre tiveram medo d’eu sujar o nome da minha família.
-Não
queira se apaixonar –Ri, pra descontrair o momento, mas Paul apenas ficou me
olhando sério, sem dizer nada. –Paul, você se importa d’eu ir dormir agora?
Estou muito, muito cansada.
-Não, claro
que não. Vamos subir e eu arrumo lá em cima pra você. –Assenti e logo subimos.
Enquanto
eu arrumava o lado da cama que iria dormir, vi que Paul arrumava colchões e
colchas no chão ao lado de onde eu iria dormir.
-Você vai
dormir no chão? –Perguntei rindo
-Sim, ué.
Não me importo, pode dormir na cama.
-Na na ni
na não, Paul! Trate de deitar aqui, agora! –Ele riu de mansinho
-Sério, Jess.
Pode ficar aí. Não quero que se sinta incomodada com um cara dormindo ao seu
lado.
-Não estou
acreditando nisso! –Me sentei na cama, indignada
-Boa
noite. –Ele disse, se cobrindo e virando pro outro lado.
Agora foi
a parte que meu lado bonzinho começou a me afetar.
E muito.
Deitei-me
ao lado de Paul, (de frente para as costas dele) e ele logo se virou, dizendo:
-Você é
muito teimosa, sabia?
-Você não
quer dormir na cama.. Dormimos no chão mesmo, né!
Paul começou
a me cobrir e logo entrelaçou suas pernas nas minhas.
-Aqui faz
frio.. –Me cobri mais, tentando me esquentar.
-Chega
mais perto. –Paul sussurrou com uma voz rouca que me fez sentir tão, mas tão
bem e logo me puxou pra perto dele.
Deitei
minha cabeça em seu abdômen e sussurrei:
-Boa noite
Paul.
-Boa
noite, Jess.
E foi com
ele fazendo carinho em minha cabeça que eu adormeci.
-


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