Capítulo 8 - quem sofre nunca esquece

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

-Pronto –Disse voltando ao quarto.

-Ficou boa em você –Ele riu –Vamos tomar logo o chocolate, porque frio não fica muito bom.. –

Assenti

Assim que descemos, pegamos nossa xícara e nos sentamos juntos no sofá –não me pergunte o porque, nem eu sei.

-Pode ficar aqui até segunda de manhã.. –Paul esticou o braço por cima de meus ombros, sussurrando.

-Eu tenho casa também, ok? –Falei rindo, tomando o chocolate.

-Desculpe. –Ele disse meio sem graça –É que você sabe.. Aqui é enorme. E eu estou sempre sozinho.. Não gosto disso.

-Seu irmão não vem te visitar, ninguém? –Ele negou com a cabeça

-Lembra que te disse sobre meus pais só quererem que eu fosse bem sucedido na vida? –Assenti –então. Desde que vim pra cá, eles não falam direito comigo. Ano passado passei o natal com uma amiga.

-Caramba.

-É. Por isso a casa vive cheia de porta retrato deles.. Mas.. E você? Sua mãe vai te visitar, as vezes?

-As vezes.. Ela não se contenta muito também mas por eu ter me afastado dela, sabe? Ela achava que eu tinha que ficar sobre o mesmo teto dela pra sempre,ou sei lá! –Rimos –Mas eu não gosto disso. 
Não gosto de me prender a ninguém

-Por isso nunca namorou, Jessie?

Eu sabia que ele perguntaria algo do tipo.

E sabia, que uma hora, teria que conversar com alguém sobre isso.

-Pra falar a verdade, eu já tive um namorado sim, Paul. –ele assentiu –Mas sabe.. Foram tantas decepções, que eu só quis esquecer, apagar, e fingir que nada aconteceu.

-E.. você tem medo que isso aconteça de novo?

-Quem sofre uma vez nunca esquece. É ruim, você se sente insegura toda hora.. Porque tem medo de que alguém te decepcione, sabe? –Ele assentiu

-Eu.. Eu nunca me apaixonei. Sempre fui disso de cair na curtição, sair pegando todas nas festas, ficar bêbado.. por isso que meus pais sempre planejaram um futuro pra mim. Sempre tiveram medo d’eu sujar o nome da minha família.

-Não queira se apaixonar –Ri, pra descontrair o momento, mas Paul apenas ficou me olhando sério, sem dizer nada. –Paul, você se importa d’eu ir dormir agora? Estou muito,  muito cansada.

-Não, claro que não. Vamos subir e eu arrumo lá em cima pra você. –Assenti e logo subimos.

Enquanto eu arrumava o lado da cama que iria dormir, vi que Paul arrumava colchões e colchas no chão ao lado de onde eu iria dormir.

-Você vai dormir no chão? –Perguntei rindo

-Sim, ué. Não me importo, pode dormir na cama.

-Na na ni na não, Paul! Trate de deitar aqui, agora! –Ele riu de mansinho

-Sério, Jess. Pode ficar aí. Não quero que se sinta incomodada com um cara dormindo ao seu lado.

-Não estou acreditando nisso! –Me sentei na cama, indignada

-Boa noite. –Ele disse, se cobrindo e virando pro outro lado.

Agora foi a parte que meu lado bonzinho começou a me afetar.

E muito.

Deitei-me ao lado de Paul, (de frente para as costas dele) e ele logo se virou, dizendo:

-Você é muito teimosa, sabia?

-Você não quer dormir na cama.. Dormimos no chão mesmo, né!

Paul começou a me cobrir e logo entrelaçou suas pernas nas minhas.

-Aqui faz frio.. –Me cobri mais, tentando me esquentar.

-Chega mais perto. –Paul sussurrou com uma voz rouca que me fez sentir tão, mas tão bem e logo me puxou pra perto dele.

Deitei minha cabeça em seu abdômen e sussurrei:

-Boa noite Paul.


-Boa noite, Jess.


E foi com ele fazendo carinho em minha cabeça que eu adormeci.

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