Ele me pegou no colo, e deu a volta entrando pelo portão
da lateral do jardim sem chamar muita atenção. Me levou até a parte de dentro, e
me sentou em um dos sofás que tinha na sala do clube.
Ali só tinham uns garçons, e umas pessoas de pé, conversando
com John.
-Traga uma toalha morna, por favor. –Sebastian pediu a um
garçom, pegou um puff e se sentou em minha frente. –Precisamos dar um jeito
nisso.
Vi pessoas ao longe me olhando, meio assustadas, 1 por
escorrer sangue por quase toda minha perna, e 2 que eu não havia percebido mas
meu cabelo estava já todo despenteado, e tinham folhas, cara.
Comecei a me ajeitar, rapidamente, arrumei meu vestido e
prendi meu cabelo em um coque. Pronto.
Realçava aquele decote do vestido, mas
era melhor do que parecer uma mendiga.
-Minha filhinha, que diabos aconteceu? –Ah, pronto, chegou
logo minha mãe pra chamar até o FBI.
-Eu estava andando no jardim, e tropecei, mamãe. Sebastian
estava por perto e me ajudou.
-Você bebeu? –Era minha chance de ir logo embora.
-Um pouco. Vou só limpar meu machucado e ir pra casa.
Preciso descansar um pouco.
-Claro. Quando estiver indo, me chame que te deixo em
casa, certo? –Ela deu um beijo em minha testa –Obrigada por ajudá-la, querido.
-Que nada, srtª Donovan.
-Pode me chamar de Chelsea, ok? –Ele assentiu e minha mãe
logo saiu.
A garçonete chegou com a toalha e Sebastian foi limpando
as laterais. Tive que subir um tanto o vestido pra não bater onde ele limpava e
percebi que ele não tirava os olhos de minhas coxas. Mas ele não perde uma
oportunidade, ein?
-AI! –Eu repuxei minha perna, assim que ele apertou a
toalha em minha perna.
-É só pra limpar, calma.
-Diz isso porque não é em você. –Cruzei os braços.
-Estou te ajudando cara, fica na tua.
Olhei pra ele, ergui a sobrancelha, e virei pro outro
lado. Idiota. Ele arrumava um jeito de jogar algo na minha cara a qualquer
instante.
Sebastian enrolou uma toalha em minha perna, e mandou até
pra que trouxessem água pra mim (disse que eu estava muito nervosa. Idiota.) e
ficou o resto da festa toda,sentado ao meu lado, esperando com que minha mãe
terminasse de cumprimentar os meus parentes (ou deveria dizer...´´nossos´´ ,a
partir de agora?).
-Não precisa ficar aqui comigo. Você já me ajudou o
bastante. –Apoiei-me de lado, sentindo a dor da perna aliviar e olhando pra
Sebastian.
Ele havia tirado seu paletó, e estava com uma camisa
social branca por baixo. Estava tão bonito..
Vontade de tirar aquela roupa em dois tempos e esquecer de
tudo só por alguns minutos.
-Isso foi um obrigado? –Ele se virou pra mim, rindo.
-Talvez.
-OK, de nada então.
-Oi meu amorzinho. Está melhor? –Minha mãe chegou do nosso
lado perguntando, preocupada.
-Sim, mãe, bem melhor. Será que nós podemos ir agora?
-É claro. Meu carro está no estacionamento de trás. Vou
tirando ele de lá, enquanto isso, Sebastian, pode levá-la até a porta e ficar
com ela lá? Vai ser rápido.
-Sim, sim.
Minha mãe logo deu as costas pra nós, e eu apoiei a perna
no chão, e fui me levantando
devagarzinho. Estava dolorida mas não incomodava
mais pra andar.
-Vem, eu te pego. –Sebastian foi colocando as mãos nas
minhas panturrilhas, mas eu rapidamente me afastei.
-Não precisa, eu já consigo andar. Posso só apoiar em
você? –Ele assentiu, ainda meio frio.
Eu estava tentando agir normal –afinal, ainda estávamos na
frente da família toda! –mas ele também, não colaborava. Mas eu juro que não
estava o tratando mal. Sério.
Passei meu braço por trás de sua nuca, e ele logo segurou
minha mão do outro lado. Segurou bem forte em minha costela, e foi assim comigo
até a porta.
-ARIEL? –Katy veio desesperada em minha direção –QUE
DIABOS ACONTECEU?
-Calma, estou bem! Eu só tropecei no jardim e cortei minha
perna, mas não é nada demais, sério.
-Por que não me chamou?
-Katy, é seu casamento, não o dia de ficar paparicando sua
irmã mais nova. –Sebastian bufou, olhando pro outro lado. –Sério, eu estou bem
e.. Sebastian me ajudou. –Suspirei.
-Certo.. Você vai pra casa?
-Vou, mamãe vai me levar.
-Ai, Ariel.. Sebastian não pode te levar e ficar um pouco
com você? –Vi que ele olhou meio desconfortável pra minha irmã –Ah, minha mãe
vai levar e ela.. é. Deixa pra lá.
-Eu talvez passe lá pra te ver amanha. Minhas coisas estão
com John, ahn.. Preciso pegar. –Ele beijou minha cabeça e saiu.
Simplesmente, não disse mais nada.
-


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