Paramos nosso beijo e quando ele olhou na tela dele, que
estava na mesa ao nosso lado, ele falou apressado:
-É meu pai, preciso atender.
-Tudo bem. –Saí de cima dele e coloquei meu sutiã e minha
camisa enquanto ele atendia a ligação.
Ele falava poucas palavras com o pai, do tipo “ah, é”,
“não.. não sei”, “ta, ok”, “ok”. Estava meio estranho.
Depois de desligar, colocou sua cueca e sua bermuda e foi
pra cozinha, me perguntando de lá:
-Quer algo?
-Só uma água, por favor. –Falei, voltando a me sentar no
sofá.
Alex voltou com dois copos d’aguas e depois que eu bebi, ele
perguntou, se sentando ao meu lado:
-Se meu pai nao tivesse me ligado.. Não sei onde iriamos parar.
–Falou, sorrindo.
-Não seria problema se não parássemos. –Deitei minha cabeça
em seu ombro. –Ta tudo bem?
-Aham, ué..
-Eu não tinha visto seu pai te ligar nas vezes que te
encontrei.
-Ah. Ele liga de vez em quando, só. –Sua voz ficou diferente
ao falar dele, notei.
Vai ver eles não se entendem mesmo.
Começamos a ver um programa que passava na TV e eu fiquei lá
até por volta de 20h. Alex não falou mais nada –absolutamente nada- depois
daquela meia conversa sobre seu pai, então desisti de ficar ali naquele
momento, o clima havia acabado.
-Amanhã você pode almoçar comigo e com meus amigos?
–Perguntou ao me levar na porta.
-Onde?
-Tem um restaurante novo que abriu no fim da rua da
Starbucks, sabe qual é?
-Ah, sei. –Todos estavam falando sobre ele. –Pode ser.
-Encontra a gente lá umas 12h.
-Eu saio 12h30 amanhã.
-Entao a gente te espera lá.. –Falou, sorrindo meio forçado.
-Ta bem então. Até amanhã.
Dei um beijo nele rápido –percebi que Alex se incomodou com
a rapidez –e voltei pra casa.
Se tem uma coisa que eu não suporto é ser tratada diferente.
-
Terça de manhã acordei me sentindo melhor e mais disposta.
Fui pra faculdade e na minha primeira aula, que era da mesma
turma que Jonas, o encontrei e começamos a conversar sobre a festa de mais
tarde.
-Escuta, você vai na festa mais tarde..? –Ele perguntou
enquanto eu tirava um caderno de dentro da minha bolsa.
-Tô pensando em ir, mas com companhia. Você tem dois
ingressos, por acaso?
-Claro. –Notei que o meu “com companhia” o irritou um pouco.
–Feminino ta 10 e o masculino, 20.
Revirei os olhos, puta da vida. Odiava ouvir esse tipo de
coisa, que o ingresso masculino era mais caro que o feminino. Estratégia pra ir
mais mulher que homem.
-Ta bem.
Paguei os ingressos e perguntei a Jonas, antes que me
esquecesse:
-Voce pode anotar o endereço, por favor? Não sei onde vai
ser certamente.
-Já é. Mas se você me permite perguntar.. Com quem você vai?
Blake?
Ri, balançando a cabeça de forma negativa.
-Voce vai ver.
Depois que Jonas me deu o endereço do local, mandei uma
mensagem pra Alex:
“Temos uma festa hoje às 20h pra ir, na Street Grand sixty.
Não pode recusar, já tenho ingresso comprado”.
Jonas e eu não conversamos mais depois naquele tempo e
quando fui pra segunda aula, em outra sala, encontrei Kira.
-Oie. –Nos abraçamos. –Voce vai hoje, né? –Perguntei a Kira.
-Não posso, amiga. Eu já me atrasei na aula de semana
passada por conta da festa e essa de hoje deve durar até umas 5, não posso
faltar e eu preciso dormir direito.
-Ah, que droga! –Suspirei.
-Voce vai com seu boy?
-Aham. Eu acho, pelo menos.
Peguei meu celular pra ver se ele tinha dito algo e tinha
uma mensagem sua, dizendo:
“Nossa, ta né. Hahaha. Me visto normal? Ou você vem aqui me
ajudar a me vestir...?”
Sorri, satisfeita pela sua resposta.
-Hum, já vi que vai mesmo. –Kira disse, rindo.
“Acho que posso te ajudar.”
-


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