Capítulo 25 - não pode recusar

segunda-feira, 26 de março de 2018

Paramos nosso beijo e quando ele olhou na tela dele, que estava na mesa ao nosso lado, ele falou apressado:

-É meu pai, preciso atender.

-Tudo bem. –Saí de cima dele e coloquei meu sutiã e minha camisa enquanto ele atendia a ligação.

Ele falava poucas palavras com o pai, do tipo “ah, é”, “não.. não sei”, “ta, ok”, “ok”. Estava meio estranho.

Depois de desligar, colocou sua cueca e sua bermuda e foi pra cozinha, me perguntando de lá:

-Quer algo?

-Só uma água, por favor. –Falei, voltando a me sentar no sofá.

Alex voltou com dois copos d’aguas e depois que eu bebi, ele perguntou, se sentando ao meu lado:

-Se meu pai nao tivesse me ligado.. Não sei onde iriamos parar. –Falou, sorrindo.

-Não seria problema se não parássemos. –Deitei minha cabeça em seu ombro. –Ta tudo bem?

-Aham, ué..

-Eu não tinha visto seu pai te ligar nas vezes que te encontrei.

-Ah. Ele liga de vez em quando, só. –Sua voz ficou diferente ao falar dele, notei.

Vai ver eles não se entendem mesmo.

Começamos a ver um programa que passava na TV e eu fiquei lá até por volta de 20h. Alex não falou mais nada –absolutamente nada- depois daquela meia conversa sobre seu pai, então desisti de ficar ali naquele momento, o clima havia acabado.

-Amanhã você pode almoçar comigo e com meus amigos? –Perguntou ao me levar na porta.

-Onde?

-Tem um restaurante novo que abriu no fim da rua da Starbucks, sabe qual é?

-Ah, sei. –Todos estavam falando sobre ele. –Pode ser.

-Encontra a gente lá umas 12h.

-Eu saio 12h30 amanhã.

-Entao a gente te espera lá.. –Falou, sorrindo meio forçado.

-Ta bem então. Até amanhã.

Dei um beijo nele rápido –percebi que Alex se incomodou com a rapidez –e voltei pra casa.
Se tem uma coisa que eu não suporto é ser tratada diferente.

-

Terça de manhã acordei me sentindo melhor e mais disposta.

Fui pra faculdade e na minha primeira aula, que era da mesma turma que Jonas, o encontrei e começamos a conversar sobre a festa de mais tarde.

-Escuta, você vai na festa mais tarde..? –Ele perguntou enquanto eu tirava um caderno de dentro da minha bolsa.

-Tô pensando em ir, mas com companhia. Você tem dois ingressos, por acaso?

-Claro. –Notei que o meu “com companhia” o irritou um pouco. –Feminino ta 10 e o masculino, 20.

Revirei os olhos, puta da vida. Odiava ouvir esse tipo de coisa, que o ingresso masculino era mais caro que o feminino. Estratégia pra ir mais mulher que homem.

-Ta bem.

Paguei os ingressos e perguntei a Jonas, antes que me esquecesse:

-Voce pode anotar o endereço, por favor? Não sei onde vai ser certamente.

-Já é. Mas se você me permite perguntar.. Com quem você vai? Blake?

Ri, balançando a cabeça de forma negativa.

-Voce vai ver.

Depois que Jonas me deu o endereço do local, mandei uma mensagem pra Alex:

“Temos uma festa hoje às 20h pra ir, na Street Grand sixty. Não pode recusar, já tenho ingresso comprado”.

Jonas e eu não conversamos mais depois naquele tempo e quando fui pra segunda aula, em outra sala, encontrei Kira.

-Oie. –Nos abraçamos. –Voce vai hoje, né? –Perguntei a Kira.

-Não posso, amiga. Eu já me atrasei na aula de semana passada por conta da festa e essa de hoje deve durar até umas 5, não posso faltar e eu preciso dormir direito.

-Ah, que droga! –Suspirei.

-Voce vai com seu boy?

-Aham. Eu acho, pelo menos.

Peguei meu celular pra ver se ele tinha dito algo e tinha uma mensagem sua, dizendo:

“Nossa, ta né. Hahaha. Me visto normal? Ou você vem aqui me ajudar a me vestir...?”

Sorri, satisfeita pela sua resposta.

-Hum, já vi que vai mesmo. –Kira disse, rindo.

“Acho que posso te ajudar.”

-

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