Esse “não queria me atrasar”, na verdade, não tinha nada a ver com deixar Jess esperando, mas sim, não deixar Jess esperando e conversando com Noah.
Sabe-se lá que que essa garota maluca deixaria escapar, né?! Tomei um banho rápido, sequei meu cabelo e estava me
maquiando quando ouvi dois toques na porta do meu quarto.
-Pode entrar. – dei uma conferida no meu top que eu usava para ver se estava tudo no lugar antes de deixar Noah entrar.
Eu estava usando uma calça jeans skinny preta, um top com uma estampa que eu amava cinza, e alguns colares de prata,
pendurados.
- Ahn, interfone tocou. Jess. Pode deixar subir? – ele disse com certo tempo entre cada palavra, me olhando.
Fingi não ligar, enquanto continuava a me maquiar e só respondi:
-Pode, pode sim. Obrigada!
-Leva um casaco. Mais tarde vai fazer bastante frio.
Eu ri, olhando-o dessa vez e respondendo:
-Pode deixar. – Assenti com a cabeça, positivamente.
Ele não tirou os olhos de mim até fechar a porta.
Terminei de passar minha maquiagem, dei mais uma arrumada no cabelo (deixei solto, estava escovado e bem cheiroso) e quando fui pra sala, apressada, já encontrei uma Jess super entretida conversando com Noah.
Ai, Jesus.
-Oi. – Eu disse, olhando-a. – Vamos?
-Oi, querida. – ela se levantou, me abraçando rapidamente. –
Noah estava aqui me contando sobre a banda dele. Qualquer dia podíamos assistir a um ensaio, não?
Olhei pra Noah, ficando envergonhada.
Percebendo, ele disse:
-Gosto da ideia. – e me olhou. E pareceu sincero. De verdade.
-Tudo bem, então. – dei de ombros, sorrindo. – vamos? O pessoal já deve estar por lá.
-Com certeza.
Me despedi de Noah com um rápido beijo na bochecha e saí com Jess, que não perdeu um segundo por estarmos fora da casa
para dizer:
-A-LI-CE!
-Eu sei. – fiz cara de choro, olhando-a e apertando “1” assim que entramos no elevador.
o chegarmos no bar em que haviamos combinado de encontrar todos - era bem perto dali, então demorou quase nada para
chegarmos -, os meninos e algumas meninas nos esperavam.
Thomas tentou me cumprimentar com um selinho (depois percebi que ele já estava um pouco alto) e estranhou eu ter virado
meu rosto.
Eu simplesmente não estava afim: não sentia vontade alguma de ficar com ele naquela noite. Thomas era da faculdade, uns
períodos acima. Vez ou outra ficávamos quando saíamos (mas só quando eu estava bem alta já). Bebemos (demais) e conversamos a noite toda. Foi tudo divertido demais, mas no fundo, eu estava ansiosa pra chegar em casa e ver Noah.
Ridículo. né?
Mas eu nao podia evitar esse sentimento.
Tá, podia, mas não conseguia.
Por volta de quase 4 da manhã, Thomas se ofereceu para me deixar em casa porque iria pra casa de alguém que era por ali por
perto. Nao recusei, é claro. Carona é sempre bem vinda, ainda mais porque eu odiava pegar táxi sozinha.
Quando cheguei em casa, encontrei Noah, sentado no sofá da sala, assistindo a um filme.
-Ei. - eu disse, um pouco tímida.
Ainda não me sentia 100% "em casa" ali, então era estranho chegar "na casa de alguém" bêbada. Sinto como se fosse levar
uma bronca.
-Ei. - Ele se ajeitou no sofá, me olhando. - Tudo bem?
-Bem. - eu respondi, sorrindo.
Coloquei minha bolsa em cima de uma ponta do sofá, tirei meus sapatos e fui até a cozinha pegar água.
-Quer água?
-Não. - Noah disse, meio rindo.
Ele já devia ter notado meu estado. Certeza.
Abri e fechei a geladeira meio desajeitada, e me sentei na bancada da cozinha mesmo para tomar minha água. Ali era mais
seguro.
Até ele decidir sair do sofá e vir sentar de frente pra mim.
-Foi legal? -apoiou a mão na cabeça, me olhando e sorrindo.
Ele devia estar adorando a cena de me ver bêbada que nem uma porta.
-Uhum. - eu disse, rindo. - Por que acordado tão tarde? - falei, pausadamente e com um pouco de dificuldade.
-Pessoal da banda resolveu passar aqui... saíram quase 3. Fiquei energizado. Fui ver um filme e decidi te esperar, pra ter
certeza de que ia chegar bem.
Ergui a sobrancelha, surpresa. Por essa eu não esperava.
-Querem te conhecer. - ele disse, me pegando de surpresa ainda. - meus amigos, da banda, sabe?
-Uhum. - eu assenti, bebendo mais água e forçando a vista para tentar olhar nos olhos dele. Meu Deus, estava muito difícil.
-Quero te ouvir um dia. - eu disse, olhando pra ele.
-Eu toco pra você, um dia. - ele disse, me olhando e sorrindo. - Assiste o filme, comigo? Ou já vai dormir?
-Assisto. - mas eu falei tão pra dentro, e tão bêbada que mais soou como um "azixto". Noah riu, se levantando e voltando pro
sofá (bom, assim ele não viu o jeito desastrado que consegui descer do banquinho e ir pra lá também).
Sentei-me ao lado dele e tirei o blusão que eu estava usando como casaco, ficando mais confortável para me cobrir com a manta
que tinha ali.
Por incrível que pareça, assistimos o filme até ele acabar (cerca de 6 da manhã), e Noah ir pro seu quarto, sonolento e tropego.
Lembro de murmurar algo como "já vou, também", mas não consegui ir.
Dormi no sofá mesmo.
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