Capítulo 91 - Ela havia lembrado de tudo.

segunda-feira, 15 de julho de 2019


Sebastian’s POV:

2 MESES DEPOIS.

Hoje iriam fazer 6 meses se eu estivesse com Ariel ainda.

E faz exatamente 1 mês que não a vejo, desde aquela cena ridícula que presenciei em sua casa.

Ultimamente, eu tenho feito o que dei por mim: seguindo em frente.

Há umas semanas atrás, fui a uma festa com uns amigos. Em poucos dias vou embora daqui, apenas pra fazer um mochilão pelo mundo e conheci uma garota bem legal.

Só que seria uma pena dizer que esqueci o nome dela. Ela até me mandou mensagem esses dias, querendo sair comigo de novo, mas tem algo dentro de mim que ainda resiste pra aceitar.

Era uma sexta feira, eu havia voltado ao meu antigo escritório pra pegar o resto de uma papelada, quando Kevin, um antigo amigo meu que trabalhava aqui comigo veio falar comigo.

-E aí, cara! –Ele falou chegando na cozinha, onde eu tomava um café.

-Fala aí, Kevin! –Nos abraçamos –Como vai as coisas?

-Tudo 10, irmão. E tu? Já tem rumo?

-Vou só fazer um mochilão por enquanto. Quem sabe quando voltar, não fundo meu próprio escritório!

-Isso aí. Confiança sempre. Não desiste não, você tem talento, cara. Mas e ai, e a Ariel?

-Nós terminamos, Kevin.

-Caraca, sério? –Ele pareceu surpreso.

-Sim, não soube?

-Claro que sim, mas pensei que tivessem voltado, ué.

-O que o fez pensar isso? –Franzi o cenho, nervoso.

Ela por acaso finalmente se lembrou do babaca que era Tom e resolvera difamá-lo, mais uma vez?
Esses dias ela me ligou várias vezes, e mandou email-s falando que precisava falar comigo, mas eu não respondi-os e muito menos liguei de volta. Era pra eu seguir em frente, não trazer o passado á tona.

-Ela voltou a escrever no blog, cara. E umas coisas lindas.

-C.. como assim?

-Vem ver!

Katy me contou no dia que Ariel excluiu seu blog e ficou um bom tempo fora das redes sociais. Mas eu não sabia que ela tinha voltado.

Kevin fez questão de que eu me sentasse em sua cadeira, e desse uma olhada no blog dela.

Estava novinho em folha e parece que bem melhor. Ela até havia mudado o nome pra vintagememories. Estava lindo.

Mas não fora isso tudo que me chamara atenção.

Foram os textos dela.

Meu coração disparou e umas lágrimas começaram a correr pelo meu rosto, quando li:

“Era um dia frio e desgastante pra ela. Havia acabado de terminar um namoro, e se via no fundo do poço. Até aquele cara bem estiloso e afeiçoado chamar sua atenção. “Aqui no chão é mais gelado, bem melhor” ,ele dizia em um sentido irônico após cair em meio aquela Starbucks.

Seu sorriso fazia seu coração disparar inconsequentemente. Eles conversaram pelo resto da tarde e ela até fez um show emocional pra que o atendente da cafeteria pagasse um lanche pra eles, afinal, ambos já tinham tido um dia ruim o bastante. Ele era mais velho, mais autentico, mais amadurecido.
Mas o que sem dúvida os dois eram perfeitamente iguais, eram quanto aos seus sentimentos. Os dois amavam demais, gostavam demais, queriam demais. O que faltava era dividir toda essa paixão que os dois tinham um pelo outro.” –Ela falava sobre nosso encontro na Starbucks.

“Eles haviam passado a tarde trocando mensagens depois de terem se conhecido. Ele era engraçado, mas ao mesmo tempo um idiota. Era frio, mas ao mesmo tempo uma criança que só precisava de um pouco de carinho e atenção.

Ele era discreto, mas a surpreendia a cada palavra..

´´Então só troca de roupa. Estou na porta do teu prédio.´´ -Isso fora no dia em que ela me levara até o terraço.

Mas antes d’eu entrar em prantos na frente daquele computador, vi o ultimo que ela publicou ontem a noite:

“ ´(...) O amor não gosta de contratos. Alianças de ouro não servem como moeda de troca. Ele não dá a mínima para cor, idade ou classe social [...]Promessas não garantem um final feliz, pleno e definitivo. Cada pessoa tem seu tempo e o amor não dá a mínima para o ponteiro do relógio. Passam dias, passam meses e os planos? Fazem e se desfazem o tempo todo. Por bem, ou para o bem. Já você, minha querida, continua inteira. Portanto, trate já de fechar essa caixa vazia e guardar pertinho das outras.  A felicidade logo se acostuma com o espaço que sempre teve.´ Lembrei de nós quando li esse texto. Lembrei do que a gente costumava significar. Eu apenas lembrei. “
Era o texto que eu vi numa tarde e identifiquei muito com ela.

Ela havia lembrado de tudo.

De tudo.

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