-Não? –Ergui a sobrancelha –Você é de onde então?
-Sou de Londres.
-Céus. E como nos conhecemos?
-Vocês vão ter muito tempo pra discutir isso, não acha?
Vamos querida, troque de roupa e vamos logo pra casa.
Minha mãe me apressou e assim o fiz. Eu ainda estava muito
confusa, mas eu precisava entender as coisas aos poucos.
E a primeira coisa que faria seria ver os tantos e tantos
textos famosos que eu escrevia. Pelo menos eu devo sentir algo ao rele-los.
-
Não adiantou nada.
Sebastian ficou no meu apartamento, e eu vim pra casa com
minha mãe. Eu não queria –não por enquanto –ficar sozinha com ele, só iria
passar uns dias com minha mãe mesmo.
Minha irmã pegou meu antigo blog, e me mostrou muitos
artigos que ela guardava (disse que foram minhas primeiras publicações no
jornal). Eu li, e fiquei bem impressionada. Eu era talentosa.
Mas aquilo não me trouxe lembranças, não me trouxe
absolutamente nada.
Parecia que em minha mente tinha um bloqueio completo.
-
Sebastian’s POV:
Uma semana se passou depois do acidente, Ariel estava na
casa da mãe dela revendo fotos e artigos dela, tentando lembrar de alguma
coisa. Numa sexta-feira, eu não aguentava mais essa ansiedade toda e pedi pra
que Katy aparecesse aqui no apartamento dela pra conversar um pouco comigo.
-E então? Como estão as coisas?
-Na mesma, Sebastian.
Levantei-me de braços cruzados, suspirando.
-Não vai adiantar muito tudo isso. –Falei –Se ela não
quiser se lembrar, não fizer um esforço..
-Ela ficou vendo umas fotos de vocês no blog que ela mesma
publicara há meses. Ela chora muito
quando vê, é triste de se ver isso, Sebastian.
Ela chora a maior parte do tempo.
-A gente precisa conversar.
-Mas entenda que você é um estranho pra ela.
-Eu preciso fazê-la se apaixonar por mim de novo. Como se
fosse a primeira vez.
-
-Um pedófilo, serio? –Eu gargalhava com Sebastian em meio
aquele restaurante.
Era uma sexta a noite e ele resolvera me convidar pra
jantar.
-Sério! Você ficou completamente doida quando descobriu que
eu era bem mais velho.
-O que mais você acha que me atraiu em você ?
-Aí você me quebra, né Ariel. –Rimos –Não sei –Ele deu de
ombros. –A gente brigava bastante, mas sempre nos acertávamos juntos depois.
-Qual foi nosso melhor encontro pra você?
-Você me levou a um lugar que era bastante especial.
-Especial?
Parei pra pensar um pouco..
Era o lugar onde eu fui quando meu pai faleceu. Sebastian
viu a forma como eu sorri, e logo falou:
-Você se lembra?
-Sim, eu me lembro. –Falei emocionada. –Eu me lembro de
lá, é no terraço, não é?
-Sim, isso. Isso mesmo.
-Eu te levei lá? –Ele assentiu –Meu Deus do Céu..
Agora sim eu tinha notado a importância que aquele homem
devia ter na minha vida. Eu nunca
revelei aquele lugar pra ninguém.
-Você quer ir lá?
-Podemos ir?


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