Olá, galera, tudo bem?
Hoje trouxe para vocês a resenha de um livro incrível.
No último dia 27 foi o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto. Apesar de ter passado um pouco do timing, eu não poderia deixar de postar sobre esse livro aqui para vocês.
Já imaginou você ter que ir a um tribunal para provar que o Holocausto aconteceu de verdade? Pois é, é justamente isso que Deborah Lipstadt, personagem principal do livro (e do filme!) passa.
Confira um pouco mais sobre a história do livro.
Sinopse:
Nesta história real, Deborah Lipstadt enfrenta no tribunal David Irving – um dos mais conhecidos negacionistas do Holocausto. Acompanhe todo o processo do julgamento enfrentado pela historiadora e seu empenho em ter que corroborar que um dos episódios mais cruéis da humanidade de fato aconteceu.
David Irving é um autor inglês que usa métodos pouco ortodoxos de pesquisa histórica em seus inúmeros livros sobre a Segunda Guerra Mundial e o Terceiro Reich, nos quais ora atenua os impactos e as atrocidades dos campos de concentração, ora questiona a própria existência das câmaras de gás. Irving chega até mesmo a negar a existência do Holocausto, que descreve como “uma lenda”.
São justamente essas alegações negacionistas que levam a historiadora americana Deborah Lipstadt a descrevê-lo, em seu aclamado livro Denying the Holocaust, de 1993, como “um dos mais perigosos porta-vozes do negacionismo do Holocausto”. Indignado, Irving decide abrir um processo por difamação contra Lipstadt.
Agora, a historiadora se vê obrigada a enfrentar, na Inglaterra, uma batalha jurídica que não se restringe à reputação de dois estudiosos, mas que diz respeito ao registro da própria História. Amparada por uma competente equipe de defesa, Lipstadt inicia uma minuciosa análise do trabalho de Irving para mostrar como, a partir de uma postura ideológica, antissemita e racista, ele perverte documentos e registros históricos com o objetivo de “absolver Hitler”.
Em “Negação”, livro que deu origem ao filme homônimo, Deborah Lipstadt narra os dias do julgamento em Londres e revela o drama que foi ter de seguir o conselho de seus advogados e ficar em silêncio enquanto seu objeto de estudo e seus princípios eram desvirtuados diante de um tribunal e da imprensa de todo o mundo.
O livro
O livro é divido em algumas partes: antes do julgamento, durante e depois do julgamento.
No "antes", Deborah conta um pouco da sua história e ligação com o Holocausto, fazendo os leitores entenderem um pouco do porquê essa questão se torna um tanto pessoal para ela.
Apresenta também um pouco do cenário de como tudo aconteceu: de quando foi acusada por Irving pela difamação, a procura de um advogado (que aceitou trabalhar "pro-bono" para ela, já que ela teria de gastar muito com isso) e o começo de tudo.
Durante o julgamento, o livro é longo. Foi uma leitura que me custou mais de quatro meses, aproximadamente. Principalmente porque quis ficar atenta a cada detalhe, cada vírgula ali dito.
As cenas são divididas em: Deborah no tribunal, depois da sessão e alguns comentários da autora sobre posições de Irving.
Irving é um cara que é inacreditável. Chegou a comparar o Holocausto com um caso famoso de um Sereal Killer dos Estados Unidos. Você não vai acreditar no que está escrito nesse livro, nas palavras que ele usava no tribunal para defender a inexistência de câmaras de gás. Chegou até mesmo a perguntar quanto uma vítima do holocausto lucrava por possuir uma tatuagem do Holocausto.
Sério.
Você perde o fôlego lendo o livro.
Outro aspecto interessante, é a forma como a autora se preocupou em explicar fatos históricos, quando sitados, em certos momentos do livro. Não simplesmente jogava o fato, mas sim, contextualizava ali dentro, explicando a relação do porquê aquilo havia sido trazido a tona.
Irving decidiu ser seu próprio advogado, e era hilário a forma como ele se contradizia em vários e vários momentos. Fazia até mesmo o juiz perder a paciência, vez ou outra, com tanta enrolação que ele fazia. Dava para perceber que o "historiador" estava enrolando quando não possuía argumentos suficientes.
O pior de tudo? Tinham sobreviventes do Holocausto assistindo a todas as bárbaries que esse monstro ousava dizer. Imagina a dor de ter que ouvir aquilo tudo?
Em alguns momentos do livro (de arrepiar), Deborah teve contato com algumas vítimas do Holocausto que chegaram a encorajá-la, pedir para que não desistisse delas. É muito emocionante.
Além disso, Deborah, durante o julgamento, visitou alguns campos de concentração. É bem interessante o olhar da autora e a descrição que faz deles. Você se sente teletransportado por um minuto.
Os extremistas acreditavam que, se o Holocausto, que era usado para lançar uma mancha indelével sobre o nazismo, pudesse ser exposto como uma farsa, o nazismo ressuscitaria.
Crítica
Você pode conferir o trailer aqui.
Foi um livro que eu vi nas lojas, me apaixonei por ele e pela história e depois o perdi. Fiquei semanas e semanas procurando por "aquele livro da capa interessante que falava sobre o Holocausto", mas ninguém entendia do que eu tava falando.
Ainda sim, não desisti e continuei procurando. Até o encontrar novamente e entender: eu tinha que ter lido ele.
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