As duas guerras de Vlado Herzog

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Olá, galera, tudo bem?



Confesso que enrolei até o último segundo para escrever essa resenha pra vocês. Foi um livro longo, demorei pra mais de 4 meses tentando finalizá-lo e quando acabei, precisei de um tempo. Precisei de um tempo para digerir tudo o que eu li e para acreditar que aquilo tudo foi real, foi de verdade.

Mas, vamos lá. Até porque, quem ainda não leu e quem ainda não conhece essa história, precisa conhecer.

Quem foi Vlado Herzog

Vladimir Herzog, nascido Vlado Herzog (Osijek, Reino da Iugoslávia, 27 de junho de 1937 — São Paulo, 25 de outubro de 1975), foi um jornalista, professor e dramaturgo brasileiro.

Herzog nasceu na cidade de Osijek, na então Iugoslávia, em 1937, filho de um casal de origem judaica. Durante a Segunda Guerra Mundial, para escapar do antissemitismo praticado pelo estado fantoche da Croácia, então controlado pela Alemanha Nazista, a família fugiu primeiramente para a Itália, onde viveu clandestinamente até imigrar para o Brasil.

Naturalizado brasileiro, Vladimir também tinha paixão pela fotografia, atividade que exercia por conta de seus projetos com o cinema.

 Na década de 1970, assumiu a direção do departamento de telejornalismo da TV Cultura e também foi professor de jornalismo na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP).

Marco da ditadura


O nome de Vladimir tornou-se central no movimento pela restauração da democracia no país após 1964. Militante do Partido Comunista Brasileiro, foi torturado e assassinado pelo regime militar brasileiro nas instalações do DOI-CODI, no quartel-general do II Exército, no município de São Paulo, após ter se apresentado voluntariamente ao órgão para "prestar esclarecimentos" sobre suas "ligações e atividades criminosas".

O livro 

Audálio Dantas (escritor do livro) dividiu a história de Vlado, no livro, em dois momentos: primeiro contou um pouco sobre como foi a fuga de Vlado para o Brasil, quando ainda era um menino, e depois como foi sua vida aqui. 

O livro é longo, não vou mentir. Longo em todo os aspectos possíveis. Incomodou-me um pouco porque Audálio se estendeu bastante ao falar sobre o período político do Brasil na época, não explorando muito a vida de Vlado. Por diversas páginas, o autor somente discursava sobre  os absurdos da ditadura, deixando de lado o personagem. De fato foi incrível poder conhecer muito mais sobre a ditadura "pelos olhos" de quem a estava vivendo. Audálio, na época da tortura e assassinato de Vlado, era o presidente do Sindicato dos Jornalistas. Ou seja, não tinha ninguém melhor para contar essa história. 

Foi um livro dolorido. Audálio começou a escrevê-lo depois da morte de Vlado, ou seja, ele reviveu todo esse período, foi atrás de testemunhas e fontes para poder relembrar, darem testemunhos e recriarem esse momento tão difícil da história. Ao pesquisar sobre o livro na internet você vai encontrar o autor dizendo o quão doloroso foi reviver aqueles momentos e escrever aquelas palavras. Mas nada mais fascinante do que ter sido dito por alguém que viveu tudo aquilo de fato. 

Sinopse 

O ponto de partida do livro é a saga da família Herzog em sua fuga desesperada da Iugoslávia, para longe do horror da guerra que despedaçava a Europa e perseguia cruelmente os judeus. O pequeno Vlado viveu aí sua primeira guerra e aprendeu dolorosas lições. A segunda travou no Brasil, país no qual se refugiou em busca de paz. Mas foi aqui que sua vida lhe foi duramente tirada, na escuridão de uma sala de tortura, episódio que marcou para sempre a história dessa família e da luta política aqui no país.

A história

A morte de Vlado foi um marco para a nossa ditadura. Aqui se vão alguns fatos, que li no livro e por pesquisas na internet, do porquê isso se deu: 

1- A morte de Vlado foi dada como SUICÍDIO. Sim, suicídio! Sendo que na cela em que ele supostamente "se enforcou" o trabalho feito pelos militares não foi muito "bem feito", já que deixaram alguns resquícios de que definitivamente aquilo não foi um suicídio. 
2- Na época da ditadura, quem morria não tinha enterro. A família no máximo encontraria o corpo do ente em algum local, ou os militares o despejavam. Mas não havia enterro. E, na morte de Vlado, houve enterro. Não somente um enterro, mas um culto ecumênico que fez uma multidão comparecer (E foi justamente nesse momento que Audálio Dantas decidiu escrever o livro)
3- Nosso país foi condenado pela morte de Vlado. A Corte Interamericana de Direitos Humanos determinou que o Estado brasileiro apure, julgue e, se for o caso, puna os responsáveis pela morte do jornalista na ditadura militar.

Crítica

Mesmo se você já ouviu falar ou conhece a história de Vlado, deve ler esse livro. Deve ler todos os cem livros que existirem sobre Vlado e sobre a ditadura. Todo mundo sabe (ou, no mínimo, imagina) como foi a ditadura, mas cada autor falará dela de uma forma diferente - principalmente os que a vivenciaram - com um olhar diferente e sob um aspecto diferente. A mesma coisa se aplica a história de Vlado. 

Leiam, leiam e leiam mais um pouco sobre esse momento difícil que nós vivemos há tão pouco tempo. 

Não parem de ler e de se informar.

“Quando perdemos a capacidade de nos indignarmos ante atrocidades sofridas por outros, perdemos também o direito de nos considerarmos seres humanos civilizados”.




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