-Você tem sua vida feita, cara. Seu apartamento, seu
trabalho, e até sua namorada. Eu? Quem paga meu aluguel é minha mãe, e ainda
divido as contas com o que sobrou da herança do papai. Eu só sou uma pirralha, que
nem tem a vida completa direito.
-Você é uma pirralha que consegue dominar completamente
meus sentimentos. Consegue me mudar, pra melhor. Consegue me fazer enxergar um
lado diferente da vida, um lado puro. Você é quem eu preciso, Ariel.
Ótimo, agora sim acabaram meus argumentos.
-Eu só queria voltar naquele dia da Starbucks e não ter te
ajudado a levantar. –Encostei minha cabeça em seu ombro, e ele abraçou minhas
costas.
-Eu mesmo assim arrumaria um bordão pra falar com você.
-Você é um idiota.
-Um idiota de terno, o que pelo menos me torna bonito.
–Nós rimos. –Está vendo? –Ele se ajeitou e tirou suas mãos das minhas costas, me
fazendo me reerguer e voltar a olhar pra ele –Olha nossa situação, e a gente ta
aqui, juntos, e rindo. Acha mesmo que não iríamos conseguir lidar com isso?
-Eu acho, aliás, nós conseguiríamos passar por tudo isso.
Mas não é tão simples quanto parece, Sebastian.
-Ariel, em uma sem...
-Ariel, Sebastian! A cerimônia começara há 20 minutos!
Estão loucos? –Minha mãe chegou nos chamando e logo nos levantamos.
-Já vamos, mamãe.
Era o casamento da minha irmã, ok, mas cara, a cerimônia
estava um saco. Aquele padre não parava de falar, e eu não aguentava mais ficar
de pé lá na frente, olhando pra cara de Sebastian com uma vontade inexplicável
de beijá-lo, mas também de bater nele por ele achar que seria tão fácil assim
de hoje em diante.
Depois de trocarem as alianças, falarem aquelas
palavrinhas bonitinhas um pro outro, todos os convidados foram para o jardim, era
hora do Buffett e dos ´´parabéns´´ vamos colocar assim.
E logo me sentei na mesa, com Sebastian.
Só nós dois.
-Não vai querer lanchar nada, meu amor? –Minha mãe veio
até nós e eu logo neguei –E você,
Sebastian, querido? Veio de tão longe pra
ficar de estomago vazio?
-Estou bem, srtª Miller, obrigado.
-Certo, vou procurar essa noiva desmiolada, porque daqui a
pouco é hora dela jogar o buque.
-Não vai tentar a sorte? –Sebastian perguntou assim que
minha mãe se afastou
-Ah, claro. Eu pegaria, nos casamos, e fugimos que tal?
-Quem disse que eu aceitaria casar com você?
Olhei pra Sebastian de cara feia, e logo olhei pro outro
lado, bufando. Não demorou muito tempo pra eu sentir sua mão afagando minha
coxa.
-Estou brincando, linda. –Ele sussurrou em meu ouvido e
deu um leve beijinho em minha bochecha, me deixando arrepiada. –Eu me casaria
com você agora mesmo pra aproveitar o padre já aqui. Mas pularia essa parte
chata da cerimônia. –rimos
-Sinto sua falta.. –Sebastian falou um tempo depois, ainda
com sua mão em minha coxa.
-Não faça isso, Sebastian. –Tirei sua mão de minha perna
–Estou falando sério.
-Olha, eu não sei o que você quer fazer, ou pretende. Se
você quiser fingir que não me conhece mais e que somos apenas primos, beleza.
Eu tenho maturidade o suficiente pra não ficar correndo atrás de você que nem
um babaca. Mas se você estiver pensando que pode brincar comigo, e me querer a
hora que bem tem vontade, quem está sendo enganada é você. Não é por eu ser
mais velho que eu sei mais das coisas, mas eu sei muito bem a quem eu devo dar
valor.
Sebastian se levantou da mesa, e eu fiquei apenas olhando
pra ele. Antes de se afastar, ele se abaixou, e falou no meu ouvido:
-Só não me procure quando estiver bêbada. Não sou idiota
pra ficar cuidando de você como se fosse seu pai, nem seu bonequinho que você
pode brincar quando bem tiver vontade.
E saiu.
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