Capítulo 16 - frio

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Af, como se ele já não fosse, né?

Ele ficou apenas me olhando tomar café, quietinho. Muito fofo, cara.

-Bom, vamos? –Eu disse, arrastando a cadeira pro lugar –Não podemos demorar.

-Claro, claro.

Sebastian pegou a chave do carro e logo saímos. Ele cumprimentou Erick mas eu nem olhei pra trás. 

Eu ein, o cara era um completo idiota.

Em 20 minutos fizemos o trajeto até meu prédio, troquei rapidíssimo de roupa (claro que Sebastian subiu) enquanto ele ficava me esperando, na sala.

Peguei meus documentos, minha bolsa e por cerca de 11:00, estávamos na estrada pra Rockport.

-Espero realmente que o tempo melhore, riel. –Ele disse ligando limpador de para-brisas, parecia preocupado.

-A quantidade de neve que tem de lá pra cá, é bem maior, não é?

Perguntei me referindo caso as estradas se fechassem. Seria mesmo um problema.

-Com certeza.

-Você não conhece hotel, por lá?

-Eu estou preocupado sobre você faltar outro dia de aula, e você preocupada se vai ter hotel? Jura? –Nós rimos.

-Sei lá. –Dei de ombros, encostando minha cabeça no banco e olhando pra ele enquanto dirigia –Eu vou estar com você mesmo.

Sebastian me olhou, e colocou sua mão sob minha coxa, afagando-a e sorrindo.

-É verdade. Se a gente estiver junto, está tudo certo.

-

-Jesus, não sabia que aqui ia dar pra congelar dessa forma.-Eu disse abraçando meus próprios braços numa tentativa nula de tentar me aquecer.

Havíamos chegado por cerca de 11:30,finalmente. O local era como se fosse uma apresentação no gelo (ok, quase né?).

Tinha uma cabana em meio as montanhas, que seria onde ficaria o júri e uma equipe de ski. Logo do lado ficava os competidores, e mais a frente, outra “cabana”, mas onde ficariam as pessoas apenas pra assistir.

Com bancos e tudo mais.

Era bem legal.

Mas muito frio.

-Está frio mesmo. Vamos nos esquentar, vem cá. –Sebastian me puxou pela cintura e jogou seu braço por cima de meus ombros, me apertando ao seu corpo. –Você está quentinha, safada! –Ele encostou seu nariz gelado em minha bochecha, beijando-a depois e eu me afastei, rindo.

-Estou com frio, Sebastian. Vamos ficar onde?

-Vem, vamos logo. –Ele me deu a mão, e seguimos pra debaixo da cabana.

Era como se fosse um restaurante na parte de trás. Muito aconchegante (e bem mais quentinho porque tinha uma lareira ali!). Ele apresentou nossos convites e o guia logo avisou que não pagaríamos por nada, só apresentar o convite que era como se fosse um cupom desconto, só que cupom de graça (hahahaha).

-Aqui está melhor. –Ele se sentou em uma mesa que havia nos fundos.

As mesas eram de madeiras e os bancos ao redor também, era coisa simples mesmo.

-E como. –Me sentei ao seu lado, porque você sabe.. Quanto mais calor humano melhor. –Qual é a 
parte que a gente come?

-Nossa, mas você já está pensando em comer? –Sebastian riu –Olha essa paisagem, cara. Que coisa maravilhosa.

-Não gostei, está ofuscando meu brilho.

-Ah, falou a vagalume!  –Nós gargalhamos.

-Os senhores vão querer alguma coisa? –Uma garçonete chegou a mesa perguntando. Encasacada até não poder mais!

-Eu quero um capuccino. –Disse esfregando minhas mãos.

-Vou querer um café, e está muito bom.

-Certo. Trago em um estante. –Ela deu um sorriso pro Sebastian que, minha nossa.

-Trago em um estante, meu amor. –Repeti a voz melosa dela. –Se quiser te levo pra cama e levo camisinha sabor café, pode ser? –Dei um sorriso igual ao dela, repetindo ainda aquela vozinha nojenta, enquanto Sebastian ria.


-Você é muito ciumenta, sabia? 

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