Capítulo 8 - uma única escolha

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Mas é claro que o vinho não conseguiria levar embora minha consciência pesada. Passei a tarde tentando ligar pra Sebastian e ele não atendia.

Ok, eu iria com Rick. Eu iria.

Minha irmã voltou pra casa por volta das 16h e eu fiquei apenas deitada, sem desgrudar 1 minuto do celular. Eu tinha de arrumar uma forma de falar com Sebastian.

Quando foi chegando quase 17h, tomei um banho, troquei de roupa (óbvio que não usei o vestido que Sebastian me deu. Eu não sou tão babaca assim). Passei uma maquiagem leve, arrumei meu cabelo em um rabo de cavalo já que conforme já havia lavado ele hoje, não quis lavar novamente.

´´Estou chegando. Já está pronta?´´ -Vi meu celular vibrar em cima da mesa e corri na esperança de 
ser uma mensagem de Sebastian.

Mas era apenas Rick.

´´Sim, estou pronta.´´ -Dei um ultimo suspiro, disposta a fazer. Não havia como voltar atrás. E muito menos outra chance.

Eu não sabia onde Sebastian morava, nem o telefone da casa. Não sabia absolutamente nada, e não tinha nenhuma forma de contato com ele.

Desci assim que Rick tocou o interfone, e ele me cumprimentou ao entrarmos no carro.

-Você está bem?

Ah, logo agora ele vinha de simpatia?

-Estou. Estou sim.

-OK. –E até o restaurante permaneceu um silêncio terrível.

A gente não tinha assunto mesmo.

Quando chegamos, ele logo informou ao garçom sobre nossa mesa e o mesmo nos dirigiu até lá trás.

Rick pegou o cardápio e deu uma olhada. Pediu o melhor vinho que tinha no restaurante, e perguntou:

-Quer jantar agora?

E lá eu estava com estomago pra comer, nervosa da forma que eu tava?

-Não, agora não. –Permaneci instável. Sem demonstrar nenhum ponto de fraqueza. –Para de rodear, 
Rick. Ponha as cartas na mesa e me diga tudo.

-Certo. Certo.. Ariel, eu preciso de uma ajuda. Eu sei que não mereço, você tem razões de estar brava comigo mas você sabe melhor do que ninguém, que é a única amiga que eu tenho.

-Pode falar, Rick. –Suspirei angustiada.

-Marry está grávida.

Ah meu Deus.

-E eu estou me mudando pro Canadá, daqui a uns 2 ou 3 meses.

-Por que? E ela sabe? –Gaguejei. Ele é louco?

-Meus pais tem uma oferta de emprego irrecusável lá. Eles não sabem que ela está grávida, e nem ela sabe que vou embora.

-Meu Deus do céu.. Ela está de quanto tempo?

-Um ou dois meses. –Muito bom. Ele me traía com ela. –Sim, eu traí você.

Pelo menos ele foi homem o suficiente de admitir na minha cara, não é?

-Rick, eu não sei o que falar. Mas você sabe que não pode mentir. Mentir machuca as pessoas. –Eu disse naturalmente, mas vi como pesou isso pra ele. Servia pra nossa situação.

-Eu sei, eu.. Eu não contei nada ainda, nem disse nada. Mas o que eu vou fazer, Ariel? É um filho, está me entendendo?

-Ela não pode ir com você? Ou então, você vem visitar a criança..

-É o que eu tenho pensado. Mas como ela vai viver lá? Ter de arranjar emprego? Não, não dá. Ela precisa ficar aqui.

-Mas você vai ter uma certa responsabilidade aqui. Sabe disso.

-Sei. Eu assumi a responsabilidade desde quando ela me disse que estava esperando um filho meu.

Jantamos e continuamos conversando sobre muita coisa. Mas claro que não contei nada sobre 
Sebastian quando ele me perguntou.

E nem que estava arriscando uma maravilhosa amizade que eu havia ganho esses dias, pra estar ali com ele e ajudar ele com seus problemas pessoais.

-Você parece preocupada, sei lá. Está tão longe.. O que houve, Ariel?

-Nada, sério. Esse final de semana é o casamento de Katy e.. Falando nisso.. Foi você quem ela chamou pra ser padrinho, Rick? –Não me contive e acabei perguntando.

-Não? –Rick franziu o cenho. –Só nos falamos aquela vez que.. A gente saiu.

Foi no nosso primeiro encontro. Ele havia ido lá em casa pra poder me buscar e conheceu minha irmã. Eles até conversaram enquanto eu me arrumava.. Ah meu Deus. Por que diabos essa lembrança tinha de voltar logo agora?

-Ah sim, é que.. Ah, desculpe. Eu só pensei que.. é, deixa pra lá. –Suspirei, tomando o ultimo gole de vinho. –Rick, você pode me deixar em casa?


-É claro. 

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