Mas é claro que o vinho
não conseguiria levar embora minha consciência pesada. Passei a tarde tentando
ligar pra Sebastian e ele não atendia.
Ok, eu iria com Rick. Eu
iria.
Minha irmã voltou pra
casa por volta das 16h e eu fiquei apenas deitada, sem desgrudar 1 minuto do
celular. Eu tinha de arrumar uma forma de falar com Sebastian.
Quando foi chegando
quase 17h, tomei um banho, troquei de roupa (óbvio que não usei o vestido que
Sebastian me deu. Eu não sou tão babaca assim). Passei uma maquiagem leve, arrumei
meu cabelo em um rabo de cavalo já que conforme já havia lavado ele hoje, não
quis lavar novamente.
´´Estou chegando. Já
está pronta?´´ -Vi meu celular vibrar em cima da mesa e corri na esperança de
ser uma mensagem de Sebastian.
Mas era apenas Rick.
´´Sim, estou pronta.´´
-Dei um ultimo suspiro, disposta a fazer. Não havia como voltar atrás. E muito
menos outra chance.
Eu não sabia onde
Sebastian morava, nem o telefone da casa. Não sabia absolutamente nada, e não
tinha nenhuma forma de contato com ele.
Desci assim que Rick
tocou o interfone, e ele me cumprimentou ao entrarmos no carro.
-Você está bem?
Ah, logo agora ele vinha
de simpatia?
-Estou. Estou sim.
-OK. –E até o
restaurante permaneceu um silêncio terrível.
A gente não tinha
assunto mesmo.
Quando chegamos, ele
logo informou ao garçom sobre nossa mesa e o mesmo nos dirigiu até lá trás.
Rick pegou o cardápio e
deu uma olhada. Pediu o melhor vinho que tinha no restaurante, e perguntou:
-Quer jantar agora?
E lá eu estava com
estomago pra comer, nervosa da forma que eu tava?
-Não, agora não.
–Permaneci instável. Sem demonstrar nenhum ponto de fraqueza. –Para de rodear,
Rick.
Ponha as cartas na mesa e me diga tudo.
-Certo. Certo.. Ariel, eu
preciso de uma ajuda. Eu sei que não mereço, você tem razões de estar brava
comigo mas você sabe melhor do que ninguém, que é a única amiga que eu tenho.
-Pode falar, Rick.
–Suspirei angustiada.
-Marry está grávida.
Ah meu Deus.
-E eu estou me mudando
pro Canadá, daqui a uns 2 ou 3 meses.
-Por que? E ela sabe?
–Gaguejei. Ele é louco?
-Meus pais tem uma
oferta de emprego irrecusável lá. Eles não sabem que ela está grávida, e nem
ela sabe que vou embora.
-Meu Deus do céu.. Ela
está de quanto tempo?
-Um ou dois meses.
–Muito bom. Ele me traía com ela. –Sim, eu traí você.
Pelo menos ele foi homem
o suficiente de admitir na minha cara, não é?
-Rick, eu não sei o que
falar. Mas você sabe que não pode mentir. Mentir machuca as pessoas. –Eu disse
naturalmente, mas vi como pesou isso pra ele. Servia pra nossa situação.
-Eu sei, eu.. Eu não
contei nada ainda, nem disse nada. Mas o que eu vou fazer, Ariel? É um filho, está
me entendendo?
-Ela não pode ir com
você? Ou então, você vem visitar a criança..
-É o que eu tenho
pensado. Mas como ela vai viver lá? Ter de arranjar emprego? Não, não dá. Ela
precisa ficar aqui.
-Mas você vai ter uma
certa responsabilidade aqui. Sabe disso.
-Sei. Eu assumi a
responsabilidade desde quando ela me disse que estava esperando um filho meu.
Jantamos e continuamos
conversando sobre muita coisa. Mas claro que não contei nada sobre
Sebastian quando
ele me perguntou.
E nem que estava
arriscando uma maravilhosa amizade que eu havia ganho esses dias, pra estar ali
com ele e ajudar ele com seus problemas pessoais.
-Você parece preocupada,
sei lá. Está tão longe.. O que houve, Ariel?
-Nada, sério. Esse final
de semana é o casamento de Katy e.. Falando nisso.. Foi você quem ela chamou
pra ser padrinho, Rick? –Não me contive e acabei perguntando.
-Não? –Rick franziu o
cenho. –Só nos falamos aquela vez que.. A gente saiu.
Foi no nosso primeiro
encontro. Ele havia ido lá em casa pra poder me buscar e conheceu minha irmã. Eles
até conversaram enquanto eu me arrumava.. Ah meu Deus. Por que diabos essa
lembrança tinha de voltar logo agora?
-Ah sim, é que.. Ah,
desculpe. Eu só pensei que.. é, deixa pra lá. –Suspirei, tomando o ultimo gole
de vinho. –Rick, você pode me deixar em casa?
-É claro.
-


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