Capítulo 5 - 2 corações destruídos

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Na porta de meu prédio?


Esse garoto é louco ou o que?

Cheguei na janela do meu quarto que dava pra frente do prédio, ainda incrédula, e o vi lá embaixo encostado em seu carro, de jaqueta e jeans.

´´ Você é louco ou o que?´´

´´Ah, vamos! Hoje é terça, precisamos escapar dessa semana monótona de sempre. Já desceu?´´
´´To indo,10 min.´´

Tomei um banho rápido, coloquei uma jeans e a primeira jaqueta que vi pela frente -não teria muita chance de ficar trocando de roupa-.

Peguei minha bolsa, passei um batom, coloquei uma presilha no cabelo e pronto.

Estava ótimo.

-Oh, pensei que eu teria de subir. –Sebastian disse assim que eu desci, cumprimentando-o com dois beijinhos no rosto.

-Ah, e faria o que?

-Cara, traria você enrolada na toalha mesmo. –Nós rimos enquanto entramos no carro. –Então, onde é o caminho?

-Vai em frente, pega o viaduto e depois vamos pra Street Walace.

-O que tem lá? Já te falei que você é maluca?

-Não tanto quanto você. –Eu disse olhando pra ele,e Sebastian apenas sorriu pra mim, assentindo.

-E já disse o quanto eu gosto de gente maluca?

-Problema seu. –Dei de ombros e nós rimos –Estou brincando. É bom ter uma companhia anormal de vez em quando.

-Nossa. Obrigado pela parte que me toca.

-

Em 20 minutos chegamos onde eu queria. Sebastian saiu do carro e quando eu saí e dei a volta, ele logo disse, irônico:

-Você me trouxe pra uma biblioteca? Qual foi, Ariel?

-Ainda não chegamos, apressadinho. –Eu disse segurando sua mão,e entrando pela biblioteca. –Hey, srtª Hodway. –Cumprimentei a bibliotecária –Lá em cima está aberto?

-Ótimo dia, ou melhor, noite pra vir aqui hoje, querida.

-É? Por que? –Perguntei curiosa

-Hoje é o solstício! E está uma bela noite lá fora.

-Caramba, é mesmo.. –Sebastian suspirou e vi que ele estava ficando inquieto –Bem, ok ,eu vou indo então.

-Aproveite bastante, viu.

-Obrigada, srª Hodway.  -Sebastian cumprimentou-a e nós subimos pro terraço que havia ali.

Ele me ajudou a empurrar o gigante portão de ferro que tinha depois das escadas, e chegamos ao terraço.

Sebastian foi na frente, apenas olhando pra cima e para os lados. Ele sem dúvidas estava sem 
palavras.

-Caraca. Parece que eu to no céu, mano. –Me aproximei da beirada onde ele tava.

Dava pra ver Boston toda dali. E apesar de já ser quase 19:30, ainda tinha uns raios do sol que já 
havia se posto.

-Eu adoro vir aqui.

-Como você descobriu isso aqui, ein?

-Meu pai me trouxe aqui uma vez quando eu era pequena pra me mostrar as constelações. –Eu falei me afastando dali, e dando a volta pelo terraço, com aquelas doces lembranças cercando minha mente. –Passei a vir sempre aqui.. Depois eu parei.

-Por que?

-Ele faleceu ano passado. –Sebastian ergueu a sobrancelha e apenas assentiu.

-Você não vem mais aqui desde então? –Neguei com a cabeça –E por que me trouxe logo aqui hoje?

-Sabe.. Minha avó dizia que um lugar especial pode curar corações partidos. O meu está e o seu também. –Dei de ombros, ele não se convenceria com aquela bobeira mas.. Não adiantava nada tentar, não é? –E aqui é especial pra mim.

-Pode ter certeza que agora é pra mim também. -Sebastian disse se aproximando e pegando nas minhas duas mãos. –Não precisava ter me dito isso tudo, e eu sei que ainda dói. Mas agora, eu estou aqui e estou disposto a te ajudar nessa, ok?

Eu assenti, olhando pra ele e sorrindo. Nossos olhos brilhavam, ainda segurando lágrimas.
Eu não ia chorar na frente dele, mas eu nunca fui sobre falar sobre meu pai, e.. Dói ainda. Sebastian deu um demorado beijo em minha testa e logo depois, deslizou seu rosto sobre o meu, colando nossas testas.

-E se eu quiser vir aqui toda hora, também? –Ele disse se afastando, meio sem graça ainda olhando para os lados, maravilhado com aquela vista toda.

-Pode vir. Sempre que quiser. Só que.. Aqui é especial pra mim, sabe? Não traga outras pessoas com você.

-Eu não faria isso. –Assentimos e eu me sentei em um pedaço de concreto que tinha em um cantinho.
Sebastian logo após se sentou do meu lado.

-Vai ter uma festa de gala amanhã, em comemoração dos 50 anos do escritório que trabalho. –Ele começou a falar e eu olhei pra ele, prestando atenção. –Gostaria que você fosse meu par.

Ai meu Deus do céu.

O garoto mais gato da face da terra –ok, estou exagerando –do momento, melhor dizendo ,está me chamando pra uma festa de gala?
Gala?!

-Uau. –Eu soltei, olhando pra frente e sorrindo, bem sem graça. –Tem certeza?

-Sim. Por que? –Perguntou rindo um pouco

-Eu sou meia desajeitada pra essas coisas e.. –Pigarreei –Sei lá, cara.

-Prefere ir pra um bar encher a cara comigo? Você sabe, ainda tenho como opção essa.

-Não, não. –Eu ria um tanto. –Com certeza não!

-Certo. Então vai comigo?

-Vou. –Suspirei –Com certeza, eu vou.

E permaneceu um grande silêncio por algum tempo. Deitei minha cabeça em seu ombro e ele passou uma de suas mãos pelas minhas costas, pousando-a em meu braço. Nós apenas ouvíamos o som dos carros na avenida e algumas pessoas conversando na varanda de prédios na frente dali.

Fora isso, era apenas nós dois.


Dois corações destruídos e batendo ao mesmo tempo. Talvez, pelo mesmo motivo. 

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