Na porta de meu prédio?
Esse garoto é louco ou o
que?
Cheguei na janela do meu
quarto que dava pra frente do prédio, ainda incrédula, e o vi lá embaixo encostado
em seu carro, de jaqueta e jeans.
´´ Você é louco ou o
que?´´
´´Ah, vamos! Hoje é
terça, precisamos escapar dessa semana monótona de sempre. Já desceu?´´
´´To indo,10 min.´´
Tomei um banho rápido, coloquei
uma jeans e a primeira jaqueta que vi pela frente -não teria muita chance de
ficar trocando de roupa-.
Peguei minha bolsa, passei
um batom, coloquei uma presilha no cabelo e pronto.
Estava ótimo.
-Oh, pensei que eu teria
de subir. –Sebastian disse assim que eu desci, cumprimentando-o com dois
beijinhos no rosto.
-Ah, e faria o que?
-Cara, traria você
enrolada na toalha mesmo. –Nós rimos enquanto entramos no carro. –Então, onde é
o caminho?
-Vai em frente, pega o
viaduto e depois vamos pra Street Walace.
-O que tem lá? Já te
falei que você é maluca?
-Não tanto quanto você.
–Eu disse olhando pra ele,e Sebastian apenas sorriu pra mim, assentindo.
-E já disse o quanto eu
gosto de gente maluca?
-Problema seu. –Dei de
ombros e nós rimos –Estou brincando. É bom ter uma companhia anormal de vez em
quando.
-Nossa. Obrigado pela
parte que me toca.
-
Em 20 minutos chegamos
onde eu queria. Sebastian saiu do carro e quando eu saí e dei a volta, ele logo
disse, irônico:
-Você me trouxe pra uma
biblioteca? Qual foi, Ariel?
-Ainda não chegamos, apressadinho.
–Eu disse segurando sua mão,e entrando pela biblioteca. –Hey, srtª Hodway.
–Cumprimentei a bibliotecária –Lá em cima está aberto?
-Ótimo dia, ou melhor, noite
pra vir aqui hoje, querida.
-É? Por que? –Perguntei
curiosa
-Hoje é o solstício! E
está uma bela noite lá fora.
-Caramba, é mesmo.. –Sebastian
suspirou e vi que ele estava ficando inquieto –Bem, ok ,eu vou indo então.
-Aproveite bastante, viu.
-Obrigada, srª Hodway. -Sebastian cumprimentou-a e nós subimos pro
terraço que havia ali.
Ele me ajudou a empurrar
o gigante portão de ferro que tinha depois das escadas, e chegamos ao terraço.
Sebastian foi na frente,
apenas olhando pra cima e para os lados. Ele sem dúvidas estava sem
palavras.
-Caraca. Parece que eu
to no céu, mano. –Me aproximei da beirada onde ele tava.
Dava pra ver Boston toda
dali. E apesar de já ser quase 19:30, ainda tinha uns raios do sol que já
havia
se posto.
-Eu adoro vir aqui.
-Como você descobriu
isso aqui, ein?
-Meu pai me trouxe aqui
uma vez quando eu era pequena pra me mostrar as constelações. –Eu falei me
afastando dali, e dando a volta pelo terraço, com aquelas doces lembranças
cercando minha mente. –Passei a vir sempre aqui.. Depois eu parei.
-Por que?
-Ele faleceu ano
passado. –Sebastian ergueu a sobrancelha e apenas assentiu.
-Você não vem mais aqui
desde então? –Neguei com a cabeça –E por que me trouxe logo aqui hoje?
-Sabe.. Minha avó dizia
que um lugar especial pode curar corações partidos. O meu está e o seu também.
–Dei de ombros, ele não se convenceria com aquela bobeira mas.. Não adiantava
nada tentar, não é? –E aqui é especial pra mim.
-Pode ter certeza que
agora é pra mim também. -Sebastian disse se aproximando e pegando nas minhas
duas mãos. –Não precisava ter me dito isso tudo, e eu sei que ainda dói. Mas
agora, eu estou aqui e estou disposto a te ajudar nessa, ok?
Eu assenti, olhando pra
ele e sorrindo. Nossos olhos brilhavam, ainda segurando lágrimas.
Eu não ia chorar na
frente dele, mas eu nunca fui sobre falar sobre meu pai, e.. Dói ainda.
Sebastian deu um demorado beijo em minha testa e logo depois, deslizou seu
rosto sobre o meu, colando nossas testas.
-E se eu quiser vir aqui
toda hora, também? –Ele disse se afastando, meio sem graça ainda olhando para
os lados, maravilhado com aquela vista toda.
-Pode vir. Sempre que
quiser. Só que.. Aqui é especial pra mim, sabe? Não traga outras pessoas com
você.
-Eu não faria isso.
–Assentimos e eu me sentei em um pedaço de concreto que tinha em um cantinho.
Sebastian logo após se
sentou do meu lado.
-Vai ter uma festa de
gala amanhã, em comemoração dos 50 anos do escritório que trabalho. –Ele
começou a falar e eu olhei pra ele, prestando atenção. –Gostaria que você fosse
meu par.
Ai meu Deus do céu.
O garoto mais gato da
face da terra –ok, estou exagerando –do momento, melhor dizendo ,está me
chamando pra uma festa de gala?
Gala?!
-Uau. –Eu soltei, olhando
pra frente e sorrindo, bem sem graça. –Tem certeza?
-Sim. Por que?
–Perguntou rindo um pouco
-Eu sou meia desajeitada
pra essas coisas e.. –Pigarreei –Sei lá, cara.
-Prefere ir pra um bar
encher a cara comigo? Você sabe, ainda tenho como opção essa.
-Não, não. –Eu ria um
tanto. –Com certeza não!
-Certo. Então vai
comigo?
-Vou. –Suspirei –Com
certeza, eu vou.
E permaneceu um grande
silêncio por algum tempo. Deitei minha cabeça em seu ombro e ele passou uma de
suas mãos pelas minhas costas, pousando-a em meu braço. Nós apenas ouvíamos o
som dos carros na avenida e algumas pessoas conversando na varanda de prédios
na frente dali.
Fora isso, era apenas
nós dois.
Dois corações destruídos
e batendo ao mesmo tempo. Talvez, pelo mesmo motivo.


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