Capítulo 51 - última namorada

segunda-feira, 14 de maio de 2018

-Ele.. tem problemas em falar sobre seus sentimentos e expressa-los as vezes, também.

-Ah. Isso ele definitivamente puxou do pai. Já pensei em acabar esse casamento várias vezes, mas foi 
Alex que me manteve forte, sabe? Tive medo de me separar de Robert e ele achar que tudo ia mudar, que nunca mais ia poder ver o pai, sei lá.. Porque os ataques do pai dele começaram quando ele tinha por volta de 13, 14 anos. Ainda era novo pra entender tudo aquilo que estava acontecendo.

-Sei. Ele e o pai eram próximos?

-Antes dele começar com a bebedeira, sim. Depois do primeiro ato de violência, parece que Alex nunca mais o perdoou.

-Compreensível.

-É. Você pode descascar essas batatas pra mim, por favor, querida? Que aí adianta a comida.

-Claro, claro.

Lavei minhas mãos e peguei as batatas a fim de começar a descasca-las.

-Mas me conta um pouco sobre você.. não quis perguntar a Alex.

-Eu moro sozinha e faço história na NYC. Meus pais vivem no Queens e eu vou visita-los, de vez em 
quando. Saí de casa aos 18, quando arrumei um emprego na Starbucks do meu tio.

-Saiu por vontade própria ou por algum motivo em especial?

-Meus pais.. Eles pegavam muito no meu pé, entendem? Acham que você não pode ganhar pouco e ser feliz com seu trabalho. É melhor ganhar muito e infeliz. Não concordo com isso e com muitas outras teorias loucas deles. Foi assim desde quando eu era mais nova.

-Ah, que bom que você achou seu próprio caminho. E agora? O que você planeja pro futuro?

-Quero continuar com a história, mesmo. Dar aulas, fazer pesquisas, esse tipo de coisa.

-Pretende ter filhos?

-Quem sabe num futuro mais distante. –Falei pra ela rindo, mas na verdade, dizer uma coisa daquelas doía meu coração.

-Acho que meu filho vai concordar com você. Depois do susto com a ultima namorada.. Eu, sinceramente, não achei que ele fosse se envolver com alguém tão cedo, mas fico feliz por ter sido você, Isabella, de verdade.

“Depois do susto com a ultima namorada?”

Não querendo bancar a “do que diabos você ta falando?” e faze-la se sentir mal por eu não saber de nada, continuei no assunto, querendo extrair mais daquela informação.

-Pois é. A gente não pode lidar com o destino, não é?

-É. Mas acredito que certas coisas acontecem por alguma razão, me entende? Ele era novo, ela também.. Foi bom pra ele abrir os olhos.

-Ele sofreu muito com isso?

-Graças a Deus, não a longo prazo. Foi uma gravidez não esperada, mas como ele só ficou sabendo depois que aconteceu o aborto, não teve muito o que fazer.

Então ele havia passado pela mesma coisa que eu. E não me contou absolutamente nada.

-Ah. É claro. –minha garganta ficou seca de uma maneira que tive que me controlar pra não começar a chorar, ali na frente dela. –Posso pegar um pouco d’agua?

-Claro, claro. Vou por as batatas aqui logo.

Bebi um pouco de água e depois de me acalmar por alguns segundos, olhei pra ela, perguntando:

-Voce precisa de mais alguma coisa? Acho que vou pedir pra Alex me levar pra conhecer o bairro..

-Não, não. Pode ir sem problema algum.

Subi meio fraca ainda com toda aquela revelação que me pegou de surpresa e ao chegar na porta do quarto de Alex, o vi parado, olhando umas fotos em cima da cama.

-Alex? –Assim que ouviu seu nome, o vi ficar meio incomodado.

Algo me diz que ele estava chorando.

-Sim? –Fugou, guardando rapidamente as fotos.

-Eu estava pensando se você não podia me mostrar o bairro..

-Ah. Aham. Claro que sim. –Pegou sua jaqueta no cabideiro e passou por mim, sem falar mais nada.

Descemos a escada, peguei meu casaco que havia deixado num cabideiro perto da porta e fomos pra rua.


O clima estava agradável, meio nublado e um pouco frio, bom pra caminhar.

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