-Ele.. tem problemas em falar sobre seus sentimentos e
expressa-los as vezes, também.
-Ah. Isso ele definitivamente puxou do pai. Já pensei em
acabar esse casamento várias vezes, mas foi
Alex que me manteve forte, sabe?
Tive medo de me separar de Robert e ele achar que tudo ia mudar, que nunca mais
ia poder ver o pai, sei lá.. Porque os ataques do pai dele começaram quando ele
tinha por volta de 13, 14 anos. Ainda era novo pra entender tudo aquilo que
estava acontecendo.
-Sei. Ele e o pai eram próximos?
-Antes dele começar com a bebedeira, sim. Depois do primeiro
ato de violência, parece que Alex nunca mais o perdoou.
-Compreensível.
-É. Você pode descascar essas batatas pra mim, por favor,
querida? Que aí adianta a comida.
-Claro, claro.
Lavei minhas mãos e peguei as batatas a fim de começar a
descasca-las.
-Mas me conta um pouco sobre você.. não quis perguntar a
Alex.
-Eu moro sozinha e faço história na NYC. Meus pais vivem no
Queens e eu vou visita-los, de vez em
quando. Saí de casa aos 18, quando
arrumei um emprego na Starbucks do meu tio.
-Saiu por vontade própria ou por algum motivo em especial?
-Meus pais.. Eles pegavam muito no meu pé, entendem? Acham
que você não pode ganhar pouco e ser feliz com seu trabalho. É melhor ganhar
muito e infeliz. Não concordo com isso e com muitas outras teorias loucas
deles. Foi assim desde quando eu era mais nova.
-Ah, que bom que você achou seu próprio caminho. E agora? O
que você planeja pro futuro?
-Quero continuar com a história, mesmo. Dar aulas, fazer
pesquisas, esse tipo de coisa.
-Pretende ter filhos?
-Quem sabe num futuro mais distante. –Falei pra ela rindo,
mas na verdade, dizer uma coisa daquelas doía meu coração.
-Acho que meu filho vai concordar com você. Depois do susto
com a ultima namorada.. Eu, sinceramente, não achei que ele fosse se envolver
com alguém tão cedo, mas fico feliz por ter sido você, Isabella, de verdade.
“Depois do susto com a ultima namorada?”
Não querendo bancar a “do que diabos você ta falando?” e
faze-la se sentir mal por eu não saber de nada, continuei no assunto, querendo
extrair mais daquela informação.
-Pois é. A gente não pode lidar com o destino, não é?
-É. Mas acredito que certas coisas acontecem por alguma
razão, me entende? Ele era novo, ela também.. Foi bom pra ele abrir os olhos.
-Ele sofreu muito com isso?
-Graças a Deus, não a longo prazo. Foi uma gravidez não
esperada, mas como ele só ficou sabendo depois que aconteceu o aborto, não teve
muito o que fazer.
Então ele havia passado pela mesma coisa que eu. E não me
contou absolutamente nada.
-Ah. É claro. –minha garganta ficou seca de uma maneira que
tive que me controlar pra não começar a chorar, ali na frente dela. –Posso
pegar um pouco d’agua?
-Claro, claro. Vou por as batatas aqui logo.
Bebi um pouco de água e depois de me acalmar por alguns
segundos, olhei pra ela, perguntando:
-Voce precisa de mais alguma coisa? Acho que vou pedir pra
Alex me levar pra conhecer o bairro..
-Não, não. Pode ir sem problema algum.
Subi meio fraca ainda com toda aquela revelação que me pegou
de surpresa e ao chegar na porta do quarto de Alex, o vi parado, olhando umas
fotos em cima da cama.
-Alex? –Assim que ouviu seu nome, o vi ficar meio
incomodado.
Algo me diz que ele estava chorando.
-Sim? –Fugou, guardando rapidamente as fotos.
-Eu estava pensando se você não podia me mostrar o bairro..
-Ah. Aham. Claro que sim. –Pegou sua jaqueta no cabideiro e
passou por mim, sem falar mais nada.
Descemos a escada, peguei meu casaco que havia deixado num
cabideiro perto da porta e fomos pra rua.
O clima estava agradável, meio nublado e um pouco frio, bom
pra caminhar.
-


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