Capítulo 5 - conversa sincera

terça-feira, 1 de maio de 2018


Gabriela voltou a colocar sua roupa da noite anterior –ela só estava com minha camisa antes, e já que a roupa não era muito “festiva” dava pra usar na rua mesmo –e fomos pro restaurante.

Almoçamos e ficamos conversando um pouco.

-Me conta algo sobre você. –Ela debruçou seus braços na mesa, me olhando e sorrindo.

-Depende do que você quer saber.

-Sei lá. Algo importante.

-Ahn.. Eu odeio que me acordem pela manhã. Sério. Celular, cantando do jeito que for.

-Muitas já tentaram diferentes formas de te acordar, aposto. –Ela disse isso no ‘’jogar verde, pra colher maduro”,porem, eu fui mais esperto devolvendo:

-Na verdade eu fiquei traumatizado por causa de uma só.

-Uma só? Ah tá, -Ela jogou a cabeça pra trás, rindo sinicamente. –Como se você só tivesse dormido com 2 na vida.

-O resto não me marcou tanto. –Dei de ombros e ela ficou meio sem reação –Por que é tão difícil acreditar isso? Sou tão gostoso assim que deveria ter pego todas?

-Sim?

-É?

-NÃO.. Quer dizer.. Ah!

-Você quem pediu pra falar de mim e saiu falando, ué. –Gabi abaixou a cabeça, rindo.

-Certo. então vamos inverter o jogo. Como você acha que eu sou?

-Quer mesmo que eu diga?

Ela agora franziu o cenho, rindo, mas sabia que estava com medo do que eu iria dizer.

-Não sei. Fiquei com medo agora.

-Relaxa. Não vou revelar seus antecedentes criminais. –Nós caímos na gargalhada –Você parece ser aquela garota que ri atoa, mas é forte e aguenta tudo bem quieta. Se esforça pra manter tudo e todos bem, mas quando as coisas saem fora do controle, acha que o mundo vai acabar.

-Uau.

Gabriela ficou um bom tempo com as sobrancelhas erguidas, me olhando. Eu apenas ri, de cabeça 
baixa.

-Você deve ser vidente, vem cá pra eu achar seu cartão. –Ela debruçou MESMO em cima da mesa me fazendo cócegas como se estivesse procurando algo em meu bolso.

-EI, para, PARA! –Nós rimos –Sério, é só o que pareceu.

-É. É tipo isso. Até que você é bom nisso, ein?

-Certo. E o que eu pareço?

-Um fugitivo da policia.

Cai na gargalhada mais uma vez. Aquela garota estava me fazendo tão bem. Depois de tanto tempo..

-Sei lá. –Ela voltou a falar –Parece que você construiu esse muro todo –fez um gesto na frente de meu abdômen –porque já sofreu muito por alguém.

Depois que ela disse isso apenas assenti e olhei pela janela, lá pra fora. Eu não gostava de tocar nesse assunto, apesar dela estar absolutamente certa.

-Disse algo errado? –Eu rapidamente me virei pra ela, quando senti seu toque em meu braço.

-Não, não. Claro que não. –Respondi, ainda sério.

-Você também tem um sorriso bonito, Noah.

Olhei pra ela, e sorri, feliz por uma garota ter reconhecido isso. A maioria só reconhece as áreas mais 
baixas.

-Obrigado.

-Essa é a parte que você diz que eu também tenho.

-Eu sou durão, não mentiroso, Gabriela. –Ela me socou, rindo. –Você sabe que tem, e eu não preciso 
dizer.

-Eu gostaria que você dissesse..

Fiquei olhando por um momento pra ela, e ela, olhando pra mim quando rapidamente seus olhos desviaram pra porta da loja e se arregalaram.

-Ai meu Deus. –Gabriela na hora colocou o cardápio na frente de seu rosto.

-EI? Ei, Gabriela. –Falei rindo –O que houve? Ein?

-É a Tay. Minha melhor amiga.

-É por que está se escondendo dela?

-Eu ainda não contei de você, planejei contar mais tarde..

-GABRIELA? –Ouvi uma garota dizer por trás de mim e fui logo me virando ao perceber que ela vinha em direção a nossa mesa.

Ah, não.


Outra patricinha no mesmo lugar. Que foi que eu fiz pra merecer? 

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