Gabriela voltou a colocar sua roupa da noite anterior –ela só estava com
minha camisa antes, e já que a roupa não era muito “festiva” dava pra usar na
rua mesmo –e fomos pro restaurante.
Almoçamos e ficamos conversando um pouco.
-Me conta algo sobre você. –Ela debruçou seus braços na mesa, me olhando
e sorrindo.
-Depende do que você quer saber.
-Sei lá. Algo importante.
-Ahn.. Eu odeio que me acordem pela manhã. Sério. Celular, cantando do
jeito que for.
-Muitas já tentaram diferentes formas de te acordar, aposto. –Ela disse
isso no ‘’jogar verde, pra colher maduro”,porem, eu fui mais esperto devolvendo:
-Na verdade eu fiquei traumatizado por causa de uma só.
-Uma só? Ah tá, -Ela jogou a cabeça pra trás, rindo sinicamente. –Como
se você só tivesse dormido com 2 na vida.
-O resto não me marcou tanto. –Dei de ombros e ela ficou meio sem reação
–Por que é tão difícil acreditar isso? Sou tão gostoso assim que deveria ter
pego todas?
-Sim?
-É?
-NÃO.. Quer dizer.. Ah!
-Você quem pediu pra falar de mim e saiu falando, ué. –Gabi abaixou a
cabeça, rindo.
-Certo. então vamos inverter o jogo. Como você acha que eu sou?
-Quer mesmo que eu diga?
Ela agora franziu o cenho, rindo, mas sabia que estava com medo do que
eu iria dizer.
-Não sei. Fiquei com medo agora.
-Relaxa. Não vou revelar seus antecedentes criminais. –Nós caímos na
gargalhada –Você parece ser aquela garota que ri atoa, mas é forte e aguenta
tudo bem quieta. Se esforça pra manter tudo e todos bem, mas quando as coisas
saem fora do controle, acha que o mundo vai acabar.
-Uau.
Gabriela ficou um bom tempo com as sobrancelhas erguidas, me olhando. Eu
apenas ri, de cabeça
baixa.
-Você deve ser vidente, vem cá pra eu achar seu cartão. –Ela debruçou
MESMO em cima da mesa me fazendo cócegas como se estivesse procurando algo em
meu bolso.
-EI, para, PARA! –Nós rimos –Sério, é só o que pareceu.
-É. É tipo isso. Até que você é bom nisso, ein?
-Certo. E o que eu pareço?
-Um fugitivo da policia.
Cai na gargalhada mais uma vez. Aquela garota estava me fazendo tão bem.
Depois de tanto tempo..
-Sei lá. –Ela voltou a falar –Parece que você construiu esse muro todo
–fez um gesto na frente de meu abdômen –porque já sofreu muito por alguém.
Depois que ela disse isso apenas assenti e olhei pela janela, lá pra
fora. Eu não gostava de tocar nesse assunto, apesar dela estar absolutamente
certa.
-Disse algo errado? –Eu rapidamente me virei pra ela, quando senti seu
toque em meu braço.
-Não, não. Claro que não. –Respondi, ainda sério.
-Você também tem um sorriso bonito, Noah.
Olhei pra ela, e sorri, feliz por uma garota ter reconhecido isso. A
maioria só reconhece as áreas mais
baixas.
-Obrigado.
-Essa é a parte que você diz que eu também tenho.
-Eu sou durão, não mentiroso, Gabriela. –Ela me socou, rindo. –Você sabe
que tem, e eu não preciso
dizer.
-Eu gostaria que você dissesse..
Fiquei olhando por um momento pra ela, e ela, olhando pra mim quando
rapidamente seus olhos desviaram pra porta da loja e se arregalaram.
-Ai meu Deus. –Gabriela na hora colocou o cardápio na frente de seu
rosto.
-EI? Ei, Gabriela. –Falei rindo –O que houve? Ein?
-É a Tay. Minha melhor amiga.
-É por que está se escondendo dela?
-Eu ainda não contei de você, planejei contar mais tarde..
-GABRIELA? –Ouvi uma garota dizer por trás de mim e fui logo me virando
ao perceber que ela vinha em direção a nossa mesa.
Ah, não.
Outra patricinha no mesmo lugar. Que foi que eu fiz pra merecer?
-


Nenhum comentário
Postar um comentário