Encontrei com o pessoal nas aulas seguintes e assim que
bateu o sinal de 12:50, saí correndo pra Starbucks.
Quartas-feiras eram difíceis: eu saía mais tarde e tinha que
chegar mais cedo no trabalho porque era um dia sempre movimentado.
Ao chegar na cafeteria, não foi diferente: Estava cheia.
Coloquei logo meu avental e comecei a ajudar meu tio e os
outros atendentes que estavam comigo.
Saí de lá às 17h e fui pra casa a pé mesmo, deixei meu carro
no estacionamento da esquina.
Ao chegar no meu prédio, notei um caminhão de mudanças na
porta e uns entregadores carregando lindos móveis, tudo de madeira, pra dentro
do mesmo. Estranhei, já que dei com vários vizinhos essa semana e se tivesse
alguém novo se mudando, eles logo teriam fofocado pra mim.
Entrei no prédio e assim que entro no elevador dou de cara
com nada mais nada menos que Alex, com uma caixa na mao e duas nos pés.
-Oi. –Ele disse meio sem graça. Usava uma bermuda larga de
caminhar preta e estava sem camisa.
Que
saudade deu de passar a mao naquele abdômen..
-Oi! Voce que ta se mudando? –Perguntei ao entrar no
elevador e clicar no meu numero.
-Aham. Eu ia me mudar pro prédio aqui do lado, mas não posso
pagar por aquilo tudo. E esse aqui me chamou logo atenção.
-Ah, legal! É bem barato o aluguel e o condomínio, mesmo.
Estabeleceu-se um silencio meio constrangedor mas logo
depois o elevador parou no andar de Alex –
que era embaixo do meu- e eu resolvi
ajuda-lo com as outras duas caixas.
-Não precisava.. –Ele disse segurando o elevador pra eu sair
com as caixas.
-Que nada. Não estou ocupada mesmo. –Dei de ombros.
Entramos em seu apartamento e ele era maravilhoso; todo
branquinho, o chão de madeira e os móveis também, dando um ar antiquado na
casa.
-Pode deixar aí. –Apontou pra um móvel ao lado da TV. –Essas
duas são só quadros e espelhos.
-Caramba! Quem diria que logo você ia gostar desse tipo de
coisa. –Deixei escapar.
-Como assim, logo eu?
Corei.
-Ah.. É que.. –Me reergui, olhando pra ele que estava na
entrada da sala, esperando uma explicação plausível pela minha grosseria. –Voce
tem cara de quem não curte esse tipo de coisa. Sei lá.
-Tenho cara de quem curte o que então, Isa? –Cruzou os
braços, rindo.
-Voce tem cara de quem tem uma parede preta com anotações
importantes pra não esquecer. Não
quadros. Sacou?
-Ah. Saquei. –Franziu o cenho de jeito irônico. Ele não
estava entendendo nada. Nem eu estava, na verdade. –E o que tem nas suas
paredes?
-Na sala, atrás do sofá tem um espelho grandão. No meu
quarto, tem um mural grandão com um quadro de avisos importantes pra não
esquecer.
Alex achou graça.
-Acho que um dia eu precisarei conferir porque você não tem
cara de quem curte esse tipo de coisa.
-Eu tenho cara de quem curte o que? –Devolvi da mesma forma
que ele fez, me aproximando dele dessa vez.
-Um papel de parede listrado escrito coisas a mao do tipo
“odeio chuva”, “#noalcoholnofun”.
Ri pra cacete depois que ele disse isso.
-Não é que eu não goste de chuva, eu só não... eu só não
curto ela em excesso, sacou? – Ele assentiu, rindo.
-Já que você não está ocupada.. Quer tomar um café ou algo
do tipo?
-Eu adoraria, mas agora tenho academia. –Suspirei, chateada.
Eu realmente gostaria de fazer isso.
-Ah, claro. –Ele balançou a cabeça –Sem problemas. Você faz
na Body também, né? Um dia desses te vi lá.
-Aham. Comecei a pouco tempo.. Gostei de lá!
-É.. Parece que a gente vai se esbarrar mais vezes por aí.
–Alex colocou as mãos nos bolsos do short, sorrindo pra mim. –Mesma academia,
uma Kira em comum, mesmo prédio, sua cafeteria na esquina do meu trabalho..
-Voce ta me seguindo ou algo do tipo?-Perguntei como se
fosse num filme, brincando e nós rimos do
meu tom. –Parece que sim. Bom, a
gente se vê.
-Certo. Obrigada pela ajuda.
-Nada. –Sorri, fazendo meu caminho pra porta.
Mas eu não deixaria essa passar em branco, de novo.
-Ahn, quase me esqueci. –Me virei e ele estava bem atrás de
mim.
Fiquei um pouco perdida.
-Sim?
-


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