Capítulo 15 - a chuva aconteceu

domingo, 11 de março de 2018

Dormi cerca de 3 horas.

Sim, eu acordei pra ir pra faculdade naquela terça, após chegar em casa quase às 4 da manhã.

Fui que nem um zumbi, coloquei apenas uma calça jeans, e um casaco meu fechado. Sim, sem camisa. Por que? Porque esqueci de por uma camisa e fui só de sutiã.

E percebi quando? Quando estávamos dentro de sala, sem ar condicionado ligado, eu comecei a sentir calor e quando abri devagar –minha sorte- o casaco, vi que estava de sutiã. Só de sutiã.

-Puta que pariu. –Falei, até um pouco alto demais.

O menino que estava na minha frente, John, colega meu, virou-se pra trás assim que me ouviu 
resmungar, com um cenho franzido em duvida.

-Que foi?

-Nada. Esqueci uma pasta. –Menti. Óbvio que eu não iria contar pro moleque que eu estava sem camisa, né?

-Hum, ok. Escuta, vai ter uma social esse fim de semana naquele barzinho de esquina daqui.. o 
McKirty, sabe qual?-Assenti. –Só o pessoal da facul. Ta afim? To vendendo ingresso, por que vamos 
fechar o local e tal..

-Hum.. Ta quanto?

-Faço de graça pra você.

Olhei pra ele com um olhar desconfiado.

-Sério. –Ele insistiu. –A gente é amigo, Isa. Voce já me ajudou em um monte de trabalhos e tal.. É 
hora do meu retorno.

-Ah, valeu! –Ele me entregou o ingresso e eu dei uma olhada. Sábado às 21h. Tava bom pra mim. –Voce chamou a Kira?

-Sim, chamei. –Falou. –Por que?

-Ah, pra saber se minha amiga ia, né..

Sorri, satisfeita.
O resto do dia passou bem tranquilo. Assim que saí da faculdade, passei no conserto do meu carro e o peguei novinho em folha, graças à Deus a revisão havia sido um sucesso.

Fui pra Starbucks numa boa e sem me atrasar –sem almoço também, mas já estava acostumada- e encontrei alguém de terno e gravata sentado em uma das mesas.

Alguma parte de mim torceu pra que fosse ele.

Assim que entrei, fui pra trás do balcão pra poder trocar de roupa e dei uma olhada distraída –como quem não quer nada- em volta e me decepcionei: não era Alex ali sentado.

Que besteira, Isabella. Tira esse menino da cabeça.. –Disse meu juízo.

Pena que eu não conseguia ouvi-lo o suficiente.

Terminei de atender às 16h30 e fui pra nova academia que eu resolvi me inscrever.

Não me leve a mal, eu estava pesando 5 quilos a mais que meu “normal”, era um pouco baixinha, tinha uma bunda até certo ponto grande e peitos razoáveis mas.. Tem como deixar essa minha barriguinha mais chapada, né mesmo?

Ao chegar na academia, procurei um vestiário e coloquei uma roupa mais confortável.

Encontrei com Daniel, meu personal e ele logo me ajudou a começar minhas séries.

Quando estava indo pro vestiário, escutei uma voz conhecida atrás de mim e quando me virei, vi Alex em um dos aparelhos conversando com um cara.

Coincidentemente, ele olhou em minha direção na mesma hora e me viu. Notei que demorou seu olhar em meu corpo.

Apenas dei um sorriso de “olá” e continuei meu caminho pra trocar de roupa e ir embora logo. Eu estava muito suada pra falar com ele.

Quando já pronta, saí de lá e fui pra casa, um tanto decepcionada por ter perdido uma pequena chance de me aproximar mais daquele menino o qual eu deixei pra trás, meses atrás.

-

Cheguei em casa e dormi até o dia seguinte pra poder repor meu sono. Isso de ficar enrolando um dia no outro com sono atrasado, não é a minha.

Como o dia estava uma merda, coloquei uma jeans, uma bota cano alto preta e de salto e uma blusa curtinha branca com uns desenhos simples na frente. Peguei minha jaqueta preta, coloquei-a, minha 
bolsa e saí.

Graças a Deus, já com meu carro, foi muito mais fácil chegar na hora faculdade.  O problema foi que o estacionamento da faculdade era atrás do campos e dele até o meu prédio –onde curso História- é cerca de 5 minutos andando e estava chovendo. Pra caralho. E é claro que eu estava sem guarda-chuva..

Estacionei meu carro lá mesmo assim e encarei a chuva.

Pra que que eu fiz aquilo. Cheguei na faculdade ensopada. Ensopada mesmo. Meu cabelo todo grudado na cabeça, a camisa toda grudada, jaqueta pingando..

Como se não bastasse todo esse desastre natural, tomei um tremendo escorregão em frente a secretaria na pressa de subir logo pra aula e caí de costas.

Fiquei uns segundos quieta, deitada, pensando na merda que estava sendo aquele dia.

De repente, uma cabeça familiar surge em cima da minha, rindo e dizendo:

-Vai levantar, não?

Levantei minha cabeça e com a ajuda da mao de Alex, fiquei de pé.

-O que aconteceu? –Ele me olhou de cima a baixo, intrigado.

-A chuva aconteceu. –Apontei com meu braço lá pra fora, irritada.

-Que droga.

-É. Bom, se me der licença, to em cima da hora..

-Claro. Desculpe.

Saí andando na frente dele mas de repente parei. Não estava certo. Ele não tinha culpa da chuva ter 
arruinado minha manhã.

-Alex. –Virei-me e chamei. 

Ele se virou pra mim, esperando e eu disse:

-Valeu.

-Sem problemas. –Jogou sua mão no ar, querendo dizer “que nada”.

-O que você faz aqui? Não vai pra aula? –Perguntei me aproximando dele, reparei que ele estava no caminho pra saída e não entrando, como eu.

-Eu vim entregar umas apostilas para Kira. Vou tomar um café que não deu tempo na esquina e 
depois vou pro estágio.

-Entendi. –Assenti. –Bom, bom dia. –Me despedi dele, dando de ombros e sorrindo.


-Pra você também.

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