Cerca de dez da noite – sim, dez da noite. Chegamos ao bar por volta de
18h, e voltamos pra casa as dez- fomos pra casa.
Graças a Deus, papai e mamae estavam dormindo.
-Vamos pegar um dos primeiros voos amanha, por favor. Só quero ir pra
casa. – Jeremy disse, antes de entrar em seu antigo quarto.
-Tem certeza?
-Absoluta.
-Ta bem, entao. Eu te acordo.
-OK. Boa noite, Han. E obrigada por hoje. –sorriu, entrando.
-Que nada, cara.
Tomei um banho e assim que deitei na cama, pronta pra dormir, recebi uma
mensagem de Thomas.
“Como foi o almoço com seus pais?”
“Nao tao bom quanto esperado. Mas normal. E
como ta ai? Nao morreu de fome ainda, pelo visto?”
“Ha-ha, engraçadinha. Nao! Voce vai na festa
de semana que vem, com o pessoal?”
Ele falando comigo dessa forma parecia até que eramos amigos de
trabalho, ou sei la.
Tudo menos chefe e empregada.
“Sim! E voce?”
“Sério? Nao achei que voce fosse do tipo que
curtia festas, haha. Vou sim. Tava precisando de uma festa pra distrair a
mente.”
“É a segunda vez que voce diz pra mim que nao
tenho cara de quem curte festas!”
“Sei la. Voce é meio seria as vezes, achei que
preferisse ficar em casa.”
“Ah, ta certo. Mas a gente se ve nesse dia e
lá voce me diz se ainda vou ter cara de quem curte ficar em casa, fazendo
nada!”
“Espero J”
Ri, desligando minha internet e indo dormir, de vez, dominada pelo
cansaço e pelo alcool.
-
Acordei com meu despertador tocando as 8 da matina.
Puta merda.
Minha cabeça doía e eu só queria dormir por mais umas dez horas. Eu
havia passado a semana toda correndo, de um lado para o outro na empresa feito
doida. Precisava muito de um descanso.
Tomei um banho rapido, troquei de roupa e fui acordar meu irmao.
-Ei, acorda, anda. Precisamos voltar pra casa!
-Ah. Ta. – Jer disse se sentando na cama. –Sao que horas? Que horas é
nosso voo?
-Sao oito e pouca e nosso voo é na hora que a gente chegar no aeroporto
e comprar nossas passagens.
-Puta merda. – ele deu logo um salto da cama e foi pro banheiro.
Desci pra tomar cafe com meu coraçao na boca: eu nao sabia que tipo de
pais eu encontraria na cozinha: pais bravos, decepcionados, tristes,
indiferentes..
Na verdade, nessa situaçao, nem sei qual seria pior.
-Oi. – falei assim que passei pela sala e vi minha mae sentada,
assistindo a tv. – vou só tomar um café e vou leva-lo pra casa.
-Seu pai saiu hoje cedo, pra caminhar. Voce sabe o porque.
Papai só caminhava quando ele precisava pensar. Ele dizia que os
pensamentos vem, no ritmo que suas pernas se movem.
-OK. Tudo bem.
Peguei meu café na cozinha, umas torradas e me juntei a ela no sofá, por
uns instantes.
-O que é que está acontecendo com a gente, Hanna? Nós costumavamos ser
tao bons nisso.. Aí voce foi embora.. Jer foi embora.. Nos vemos voces no
maximo uma vez ao mes.. É assim que vai ser nossa familia de hoje em diante?
-Enquanto voce deixar o papai tomar decisoes sobre tudo, decisoes que
poem na frente o que as pessoas pensam da nossa familia, e nao o que nós
pensamos da nossa familia, parece que sim, mamae.
-Vamos? – Jer desceu assim que eu disse. – Nao quero ficar esperando
muito no aeroporto.
-Eu posso levar voces..
-Eu to de carro. –falei, meio infeliz. Minha mae nao era a malvada da
história. – prometo vir aqui mais vezes, assim que possivel.
-E como está o trabalho?
-Bom. Bem. Meu chefe é legal, o pessoal é legal. Acho que esse é pra
valer.
-Bom.. legal. Legal. Espero que continue dando tudo certo. – ela
levantou pra me abraçar. – fica bem, filha. Eu amo voce.
-Tambem amo voce, mae. Vou te esperar no carro.
Dei um minuto a sós pra minha mae e meu irmao, e fui ligar o carro pra
esquentar.
Minutos depois, Jeremy entrou no carro e fomos pro aeroporto.
Deixei-o em casa depois de um longo abraço e mais um pedido de
desculpas. Se eu nao tivesse insistido pra ele ir nesse almoço..
Fui pra minha casa, tomei um banho e passei o domingo do jeito que ele
rendia pra mim: deitada na cama, lendo.
-


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