-Voce tem sorte. Eu trabalho, pratico kartismo e frequento terapia com
minha mae, no tempo vago.
-Kartismo? - franzi o cenho, ja pensando "que porra é essa?"
-Eu piloto kart, aqueles carrinhos de corrida, sabe? - arregalei os
olhos. No way? - é, acredite. Um dia eu te levo na pista pra voce me ver
pilotando. Já ganhei umas corridas, mas no momento, eu dirijo só por hobbie.
-Que irado! Nem imaginava que voce fazia isso..
-Pois é, muita gente ainda tem essa reação quando eu digo. - riu. - nao
é muito comum, né?
-Com certeza.
Quando eu ia perguntar mais sobre ele, seu celular tocou e depois de
desligar, meio incomodado, ele
falou:
-É melhor eu ir pra casa. - ele disse, se levantando e pegando seu pote
de sorvete já vazio. - Desculpe, queria ficar mais um pouco.
Thomas lançou um olhar arrependido pra mim e na hora me senti mal,
também. Eu também queria que ele ficasse mais um pouco.
-Bom, entao, ok. Vou indo também.
-Quer carona?
-Nao, nao. Meu carro está na garagem.
-OK. Foi bom.. isso. - falou, meio sem graça, passando a mao no cabelo.
- Obrigado, Hanna.
-Que nada, disponha. - sorri, assentindo.
Dei as costas pra ele, ainda meio incomodada.
Fui pra garagem do predio, peguei meu carro e já liguei ele, ligando
também pra uma pizzaria que tinha perto da minha casa e que eu amava. Estava
morta de fome já e como nao teria ninguem pra dividir comida comigo, uma pizza
era o tipo de comida de gente solitária.
-
No dia seguinte, eu estava mais animada e resolvi colocar uma leggin,
com um UGG - aquela bota com pelos por dentro, bem quentinha - bege e uma
jaqueta vermelha. Estava bem frio, então eu nao podia apelar pra roupas mais
frescas como eu havia feito no dia seguinte.
Respondi a mensagem de Jeremy, que queria saber se podia me encontrar no
trabalho e entrega-lo o livro que ele havia deixado aqui em casa, afirmando que
estaria na empresa em pouco menos de vinte minutos.
Entrei na garagem, peguei meu carro e subi tão no automático, que quando
fui entrar no elevador, dei um esbarrão com Thomas, que saía apressado.
-Opa, desculpa, desculpa. - Falei, timida. Ele usava o mesmo terno de
sempre, com seu cabelo bagunçadinho pra cima, sempre me seduzindo.
-Ow. - ele havia segurado em meu braço na hora do esbarrão. - Tudo bem,
sem problemas.
-Ta com pressa hoje, huh?
-Sim. Eu tenho uma conferencia hoje, nem sei se vai dar tempo de
almoçar.
-Onde é a conferencia?
-Na Urban Decay, é num bairro aqui perto. Quer ir?
Olhei-o por um minuto: ele nao havia se tocado ainda que eu era sua
secretária, e nao amiga ou parceira da empresa?
Ri, sem graça, pensando nisso.
-Ah. Desculpe. Força do hábito.. - ele ficou sem graça quando eu nao o
respondi, apenas ri e fiquei olhando-o tipo: "serio mesmo?". - Bom,
nos vemos mais tarde. Camille vai te passar uns emails que eu quero que voce
repasse, provavelmente vai levar um tempo do seu dia. Tem problema?
-Nao, claro que nao.
-OK, entao.
Estava quase entrando no elevador de novo, pra subir, quando Thomas me
chamou e eu me virei.
-Tem um novo "box" pra voce, lá em cima. E é perto da Camille,
relaxa.
-Ah, já? - Ergui a sobrancelha, surpresa.- Obrigada, muito obrigada!
-Nada, que isso. - riu, piscando pra mim.
Entrei no elevador - que a proposito, estava tomado por aquele cheiro
maravilhoso de Thomas- e fui logo pro meu "novo box".
-


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