Capítulo 10 - novo box

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018


-Voce tem sorte. Eu trabalho, pratico kartismo e frequento terapia com minha mae, no tempo vago.

-Kartismo? - franzi o cenho, ja pensando "que porra é essa?"

-Eu piloto kart, aqueles carrinhos de corrida, sabe? - arregalei os olhos. No way? - é, acredite. Um dia eu te levo na pista pra voce me ver pilotando. Já ganhei umas corridas, mas no momento, eu dirijo só por hobbie.

-Que irado! Nem imaginava que voce fazia isso..

-Pois é, muita gente ainda tem essa reação quando eu digo. - riu. - nao é muito comum, né?

-Com certeza.

Quando eu ia perguntar mais sobre ele, seu celular tocou e depois de desligar, meio incomodado, ele 
falou:

-É melhor eu ir pra casa. - ele disse, se levantando e pegando seu pote de sorvete já vazio. - Desculpe, queria ficar mais um pouco.

Thomas lançou um olhar arrependido pra mim e na hora me senti mal, também. Eu também queria que ele ficasse mais um pouco.

-Bom, entao, ok. Vou indo também.

-Quer carona?

-Nao, nao. Meu carro está na garagem.

-OK. Foi bom.. isso. - falou, meio sem graça, passando a mao no cabelo. - Obrigado, Hanna.

-Que nada, disponha. - sorri, assentindo.

Dei as costas pra ele, ainda meio incomodada.

Fui pra garagem do predio, peguei meu carro e já liguei ele, ligando também pra uma pizzaria que tinha perto da minha casa e que eu amava. Estava morta de fome já e como nao teria ninguem pra dividir comida comigo, uma pizza era o tipo de comida de gente solitária.

-

No dia seguinte, eu estava mais animada e resolvi colocar uma leggin, com um UGG - aquela bota com pelos por dentro, bem quentinha - bege e uma jaqueta vermelha. Estava bem frio, então eu nao podia apelar pra roupas mais frescas como eu havia feito no dia seguinte.
Respondi a mensagem de Jeremy, que queria saber se podia me encontrar no trabalho e entrega-lo o livro que ele havia deixado aqui em casa, afirmando que estaria na empresa em pouco menos de vinte minutos.

Entrei na garagem, peguei meu carro e subi tão no automático, que quando fui entrar no elevador, dei um esbarrão com Thomas, que saía apressado.

-Opa, desculpa, desculpa. - Falei, timida. Ele usava o mesmo terno de sempre, com seu cabelo bagunçadinho pra cima, sempre me seduzindo.

-Ow. - ele havia segurado em meu braço na hora do esbarrão. - Tudo bem, sem problemas.

-Ta com pressa hoje, huh?

-Sim. Eu tenho uma conferencia hoje, nem sei se vai dar tempo de almoçar.

-Onde é a conferencia?

-Na Urban Decay, é num bairro aqui perto. Quer ir?

Olhei-o por um minuto: ele nao havia se tocado ainda que eu era sua secretária, e nao amiga ou parceira da empresa?

Ri, sem graça, pensando nisso.

-Ah. Desculpe. Força do hábito.. - ele ficou sem graça quando eu nao o respondi, apenas ri e fiquei olhando-o tipo: "serio mesmo?". - Bom, nos vemos mais tarde. Camille vai te passar uns emails que eu quero que voce repasse, provavelmente vai levar um tempo do seu dia. Tem problema?

-Nao, claro que nao.

-OK, entao.

Estava quase entrando no elevador de novo, pra subir, quando Thomas me chamou e eu me virei.

-Tem um novo "box" pra voce, lá em cima. E é perto da Camille, relaxa.

-Ah, já? - Ergui a sobrancelha, surpresa.- Obrigada, muito obrigada!

-Nada, que isso. - riu, piscando pra mim.


Entrei no elevador - que a proposito, estava tomado por aquele cheiro maravilhoso de Thomas- e fui logo pro meu "novo box". 

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