Capítulo 6 - quero experimentar

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017



Gargalhei, franzindo o cenho. Erick?

-Princesa Ariel e Erick..?

-Ah, claro! - Assenti.

-Eu sou Ariel, prazer, Hanna.

Entao o nome dele era realmente Ariel! Amei! Achei tudo!

-Prazer, querido. Eu também senti o clima, para ser sincera. Mas nao comente com ninguem, por favor. Essa vaga é importante para mim.

-E a minha também! Sua louca, minha boca é um sarcofago.

Gargalhei novamente com a gíria dele. Gostei de Ariel.

Depois de pegar um pouco de macarrão e um suco, voltei a mesa.

Camille ficou sentada de um lado, e do outro, uma menina chamada Rachel, simpática que nem ela.

-E entao, conte mais sobre voce para gente. - Rachel sugeriu e todos olharam para mim.

-Sem gatos. Sem namorado. Mora sozinha. - Camille disse antes de mim.

-Sem namorado? Já é um bom começo! - Ouvi Ariel dizer e um dos estagiários, chamava Chris, 
lançar um olhar interessado para mim. Apenas ri e corei com a cena.

-Bem, sou formada em jornalismo pela Stanford, trabalhei um tempinho numas lojas, mas nao recebia o suficiente e alem disso, eu queria ir para alguma empresa a qual tivesse alguma ligaçao com meu curso, né.

-Por isso escolheu a Life & Image. - Chris disse. - Mas como a descobriu?

-Eu almoço muitas vezes no La Mole da esquina. - Ariel pigarreou assim que o disse. O olhei de cenho franzido, nao entendendo. – E gostei da empresa que tinha ali perto, liguei para ver se tinham vagas disponiveis.. tinham.. Me escrevi, e aqui estou.

-Muito bem. Voce vai gostar de lá. - Rachel disse, sorridente. - To lá ha um ano. Thomas é confuso as vezes, mas ele é um doce. O problema é que ele é meio novo, o pai dele foi meio apressado em querer que o filho já coordenasse uma empresa, sendo que mal saiu da faculdade, mas ele está indo bem.

-A empresa é do pai dele, entao?

-Sim.

Sabia. - Revirei os olhos, enquanto continuava comendo meu macarrao.

O papo continuou e eu mergulhei naqueles assuntos de faculdade, sobre o mundo jornalistico e de publicidade e sobre alguns bafos da empresa. Cerca de uma da tarde, voltamos para lá.

-Hanna, voce se importa de continuar meu trabalho só por uns minutinhos e atender o telefone, caso ele toque? Eu precisava ir na xerox, pegar uns papeis que Thomas deixou la para eu conferir umas coisas.

-Claro. Nao se preocupe.

Sentei-me na cadeira de Camille, liguei o computador e fiquei me sentindo. Nao via a hora de ter uma mesa só para mim e fazer minhas coisas nela.
Comecei a ler uns emails, respondi alguns com informaçoes que pessoas queriam saber sobre a empresa e permaneci assim, até Camille voltar e continuar seu trabalho.

-Tudo bem por aqui? - Ela perguntou ao voltar.

-Sim, claro. Ninguem ligou, eu respondi alguns emails, apaguei uns que eram spam e tambem fiz uma limpa na lixeira.

-Nossa, obrigada. - Sorriu, satisfeita. - Gostei disso.

-Nada!

Continuei sentadinha ali, com ela, igual antes de irmos almoçar, e quando eram tres da tarde, ela disse que ia preparar o café quando tive uma ideia.

-Nao, deixa comigo.

-Voce sabe fazer?

-Sei, sim. E voce tem muito o que fazer ainda, entao.. Nao se preocupe, serio.

-Ah, entao ta bem. Obrigada, Hanna.

-Nada!

Eu precisava garantir muitos pontos para aquela vaga.

Fui para cozinha, lavei a louça que encontrei por lá e coloquei o café para fazer na maquina que tinha lá. Separei umas xícaras, arrumei a pia e enquanto esperava ele ficar pronto, o ambiente ficou perfumado com um cheiro maravilhoso de homem. Mesmo de costas, eu sabia que Thomas tinha entrado no recinto.

-Já estao te escravizando? - Ele disse, chegando ao meu lado para abrir um armario em cima da pia e pegar um biscoito.

-Eu me ofereci para fazer o café hoje. Sem problemas.

-E voce sabe fazer?

-Bem, eu nao pretendo por fogo na cozinha do meu trabalho, no meu primeiro dia, nao é?

-Isso é só um treinamento, Hanna. Voce ainda nao foi contratada. - Ele disse com um sorriso cínico. Queria me deixar nervosa.

Mas se tinha uma coisa que eu tinha era autoestima.

-E o que te faz pensar que eu nao vou ser? - Dei aquele sorriso para ele de "sorry not sorry" e voltei minha atençao para a maquina de café.

-Entao.. - Thomas pigarreou. - Quero experimentar.

-O que?

Nossos olhos se encontraram naquele segundo e juro que a mesma coisa que se passou pela minha mente, passou-se pela dele, também. E ele deu aquele sorriso de ladinho, perfeito.

-Ah. Ahn.. Eu levo na sua sala. –me recompus o mais rapido que pude.

-Tem certeza? Nao quero dar trabalho.

-Pode deixar.

Minutos depois que ele saiu e o café ficou pronto, servi-o em algumas xícaras e entreguei ao pessoal. 
O cheiro estava maravilhoso.

Depois, voltei a cozinha, peguei outra xícara, repeti o processo e dessa vez, levei até a sala de 
Thomas.

-Obrigado. - Falou, assim que pus a xícara em cima de sua mesa.

Fiquei olhando-o.

-Que foi?


-Experimente.

-


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