Gargalhei, franzindo o cenho. Erick?
-Princesa Ariel e Erick..?
-Ah, claro! - Assenti.
-Eu sou Ariel, prazer, Hanna.
Entao o nome dele era realmente Ariel! Amei! Achei tudo!
-Prazer, querido. Eu também senti o clima, para ser sincera. Mas nao
comente com ninguem, por favor. Essa vaga é importante para mim.
-E a minha também! Sua louca, minha boca é um sarcofago.
Gargalhei novamente com a gíria dele. Gostei de Ariel.
Depois de pegar um pouco de macarrão e um suco, voltei a mesa.
Camille ficou sentada de um lado, e do outro, uma menina chamada Rachel,
simpática que nem ela.
-E entao, conte mais sobre voce para gente. - Rachel sugeriu e todos
olharam para mim.
-Sem gatos. Sem namorado. Mora sozinha. - Camille disse antes de mim.
-Sem namorado? Já é um bom começo! - Ouvi Ariel dizer e um dos
estagiários, chamava Chris,
lançar um olhar interessado para mim. Apenas ri e
corei com a cena.
-Bem, sou formada em jornalismo pela Stanford, trabalhei um tempinho
numas lojas, mas nao recebia o suficiente e alem disso, eu queria ir para
alguma empresa a qual tivesse alguma ligaçao com meu curso, né.
-Por isso escolheu a Life & Image. - Chris disse. - Mas como a
descobriu?
-Eu almoço muitas vezes no La Mole da esquina. - Ariel pigarreou assim
que o disse. O olhei de cenho franzido, nao entendendo. – E gostei da empresa
que tinha ali perto, liguei para ver se tinham vagas disponiveis.. tinham.. Me
escrevi, e aqui estou.
-Muito bem. Voce vai gostar de lá. - Rachel disse, sorridente. - To lá
ha um ano. Thomas é confuso as vezes, mas ele é um doce. O problema é que ele é
meio novo, o pai dele foi meio apressado em querer que o filho já coordenasse
uma empresa, sendo que mal saiu da faculdade, mas ele está indo bem.
-A empresa é do pai dele, entao?
-Sim.
Sabia. - Revirei os olhos, enquanto continuava comendo meu macarrao.
O papo continuou e eu mergulhei naqueles assuntos de faculdade, sobre o
mundo jornalistico e de publicidade e sobre alguns bafos da empresa. Cerca de
uma da tarde, voltamos para lá.
-Hanna, voce se importa de continuar meu trabalho só por uns minutinhos
e atender o telefone, caso ele toque? Eu precisava ir na xerox, pegar uns papeis
que Thomas deixou la para eu conferir umas coisas.
-Claro. Nao se preocupe.
Sentei-me na cadeira de Camille, liguei o computador e fiquei me
sentindo. Nao via a hora de ter uma mesa só para mim e fazer minhas coisas
nela.
Comecei a ler uns emails, respondi alguns com informaçoes que pessoas
queriam saber sobre a empresa e permaneci assim, até Camille voltar e continuar
seu trabalho.
-Tudo bem por aqui? - Ela perguntou ao voltar.
-Sim, claro. Ninguem ligou, eu respondi alguns emails, apaguei uns que
eram spam e tambem fiz uma limpa na lixeira.
-Nossa, obrigada. - Sorriu, satisfeita. - Gostei disso.
-Nada!
Continuei sentadinha ali, com ela, igual antes de irmos almoçar, e
quando eram tres da tarde, ela disse que ia preparar o café quando tive uma
ideia.
-Nao, deixa comigo.
-Voce sabe fazer?
-Sei, sim. E voce tem muito o que fazer ainda, entao.. Nao se preocupe,
serio.
-Ah, entao ta bem. Obrigada, Hanna.
-Nada!
Eu precisava garantir muitos pontos para aquela vaga.
Fui para cozinha, lavei a louça que encontrei por lá e coloquei o café
para fazer na maquina que tinha lá. Separei umas xícaras, arrumei a pia e
enquanto esperava ele ficar pronto, o ambiente ficou perfumado com um cheiro
maravilhoso de homem. Mesmo de costas, eu sabia que Thomas tinha entrado no recinto.
-Já estao te escravizando? - Ele disse, chegando ao meu lado para abrir
um armario em cima da pia e pegar um biscoito.
-Eu me ofereci para fazer o café hoje. Sem problemas.
-E voce sabe fazer?
-Bem, eu nao pretendo por fogo na cozinha do meu trabalho, no meu
primeiro dia, nao é?
-Isso é só um treinamento, Hanna. Voce ainda nao foi contratada. - Ele
disse com um sorriso cínico. Queria me deixar nervosa.
Mas se tinha uma coisa que eu tinha era autoestima.
-E o que te faz pensar que eu nao vou ser? - Dei aquele sorriso para ele
de "sorry not sorry" e voltei minha atençao para a maquina de café.
-Entao.. - Thomas pigarreou. - Quero experimentar.
-O que?
Nossos olhos se encontraram naquele segundo e juro que a mesma coisa que
se passou pela minha mente, passou-se pela dele, também. E ele deu aquele
sorriso de ladinho, perfeito.
-Ah. Ahn.. Eu levo na sua sala. –me recompus o mais rapido que pude.
-Tem certeza? Nao quero dar trabalho.
-Pode deixar.
Minutos depois que ele saiu e o café ficou pronto, servi-o em algumas
xícaras e entreguei ao pessoal.
O cheiro estava maravilhoso.
Depois, voltei a cozinha, peguei outra xícara, repeti o processo e dessa
vez, levei até a sala de
Thomas.
-Obrigado. - Falou, assim que pus a xícara em cima de sua mesa.
Fiquei olhando-o.
-Que foi?
-Experimente.
-


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