Capítulo 62 - carta de despedida

quinta-feira, 12 de outubro de 2017



Murphy fez os exames necessários e graças a Deus, eu era compatível. Me passou uns remédios pra normalizar minha pressão –com toda ansiedade de Elena internada e com isso do rim dela, minha pressão ficou altíssima –e ele me avisou que no dia seguinte, tudo estaria pronto pra cirurgia e eu não correria risco algum.

Logo chegou sexta-feira e eu estava um tanto nervoso. Ainda mais pelo motivo de o remédio que deram pra Elena no dia anterior, acabou dopando ela, pra poder instabilizar sua pressão também, e ela não ter nenhum desmaio, ou fraqueza. Ou seja, eu entraria na sala de cirurgia, e ela só acordaria –talvez- quando eu acabasse. Se não, um tanto depois.

Então, mais do que rapidamente liguei pra Ivana, contei tudo a ela. Ela disse que sua mãe já havia contado a ela parte sobre a imunidade de Elena comprometida, e que até tentou ligar pra nós, mas não conseguiu. E não teve tempo ultimamente pra vir visitá-la no hospital, por estar em prova e outros compromissos pessoais.
Mas na hora que pedi a ela que ficasse com Elena até que eu saísse da cirurgia, ela disse que só trocaria de roupa, colocaria outra na mala e viria pro hospital, sem problema algum.

Minha cirurgia começaria ás 9 da manhã, mas eu já havia sido internado, e estava no soro. Meu coração estava a mil, mas eu estava tentando me controlar e ficar bem calmo. Tudo ia dar certo. Tudo tinha que dar certo.

-Oie.

Estava perdido em pensamentos quando ouvi dois toques na porta e Ivana entrando devagarzinho.

-Ei! –Sorri cumprimentando-a –Te atrapalharei muito?

-Que nada! A cirurgia vai ser moleza, você vai ver. Logo, logo você vai ver a resmungona daqui da frente.

Essa era a parte boa, esse quarto onde eu provavelmente vou voltar pra cá quando acabar a cirurgia, é de frente ao quarto de Elena. E o vidro é transparente, ou seja, assim que acordar, já vou poder vê-la dormindo, ou acordada já ao meu lado.

-Assim espero, Iv. Escuta, você tem um pedaço de papel e caneta ai?

-Tenho, claro. –Ela procurou em sua bolsa e me entregou uma agenda e uma caneta –Mas pra que?

-Se incomoda se eu usar uma folha pra escrever algo?

-Não, fica a vontade, que isso.

Escrevi uma carta pra Elena. Clichê, mas eu queria que ela soubesse umas coisas, se caso algo aconteça comigo nessa cirurgia –eu sei que não vai, não pode, mas.. –eu só queria deixar um pedaço de mim pra ela. Tenho certeza que vou poder ler a carta pra ela assim que eu sair.
Absoluta.

-Está pronto, Mr. Collin? –Murphy entrou no quarto.

-Sim, mais do que pronto.

-Então, vamos.

Ele tirou meu soro com cuidado, e eu me levantei, dizendo antes de sair, pra Ivana:

-Deixa essa carta com você.

-Mas pra que isso?

Apenas dei uma olhada pra Ivana, sério, e não precisei dizer nada. Ela na hora franziu o cenho e começou a dizer:

-Não, Logan, você não vai..

-Só entregue a ela se caso algo acontecer comigo, Ivana. Me promete?

-Sim. É claro que sim. Boa sorte, vai dar tudo certo. –Ela deu um tapinha em meu ombro.

-Certo.

Com a ajuda de Murphy, cambaleei até a sala de cirurgia, e assim que me colocaram deitado na mesa de cirurgia, eu fui sentindo meu corpo ficar cada vez mais mole.

-Já vamos dopar você, ok Logan?

-Claro.

-Não se preocupe, assim que acabar, o efeito do sedativo passará rápido e logo, logo você poderá ver sua garota.
-Assim espero Doutor.

Tive uns relances de luz em volta de mim, e ainda vi alguns médicos mexendo em mim, mas logo eu fui fechando os olhos aos poucos, nem vendo, ouvindo, ou sentindo mais nada.

Nenhum comentário

Postar um comentário

 
Desenvolvido por Michelly Melo.