Capítulo 5 - praia, papo cabeça, haagen dazs

segunda-feira, 23 de outubro de 2017




-Ei, ei, Stella, acorda.

Ouvi a voz de Jane e senti ela cutucar minha costela enquanto eu –tentava- dormir, no meio da madrugada. Continuei de olhos fechados, vai que ela havia voltado ao sonambulismo?

-Garota se você não acordar agora vou cortar isso que você chama de cabelo.

Na hora me virei, assustada, abrindo os olhos aos poucos e fechando ao mesmo tempo, pra poder vê-la melhor.

-O que é? –Sussurrei.

-Seu príncipe encantado está jogando pedrinhas na janela há meia hora. Eu vou jogar a Tv lá embaixo se você não for ver o que esse idiota quer.

-Que?

Fui me levantando devagarzinho e cheguei até a sacada, ainda esfregando os olhos, sonolenta. Mas, despertei imediatamente quando vi Butler encostado na moto lá embaixo, fazendo sinal pra que eu descesse.

-O que você vai fazer?

-Eu não sei. -Respondi, cruzando os braços e logo depois, pegando meu celular. -Preciso ver que que esse garoto quer.

´Ficou louco agora? O que você quer, cara?´

´´ Desce aqui, por favor? Quero conversar um pouco.´´

´´AS 3H DA MANHÃ? ´´

´Se você não descer vou continuar jogando cada coisa que eu achar aqui no jardim da sua casa na janela, até acordar todo mundo da casa.´

´Sim, aproveita e vê se acha seu cérebro ai caído mas invés de jogar, acha o lugar dele, ok? Você está bêbado ou andou fumando Butler? Eu não vou descer.´

E foi quando a primeira pedra foi realmente arremessada contra a sacada.

‘VOU DESCER, OK? CONSEGUE ESPERAR 10 MINUTOS? AH, BRIGADA” 

-Onde você vai, Stella? -Jane arregalou os olhos pra mim quando viu eu me vestindo.

-Eu? Vou tentar dar um jeito nesse garoto.

-Boa sorte. -Ela riu, voltando pra cama.

-Vou precisar, amiga.

-Voce volta ainda hoje?

-Nao sei! Tem como me cobrir amanhã? -Ela assentiu, se deitando -Te amo. 

Saí de fininho pela porta da frente mesmo e assim que dei com Austin na porta, eu empurrei seu abdomen.

-Qual seu problema, menino?

-E-Ei, calma ai. -Ele chegou pra trás, jogando as mãos pra cima e rindo, debochado. -Sem ignorâncias, certo?

-Comecemos pela parte que você acordou eu e Jane as 3h da manhã. Tá, e agora?

-Ah, Drake repoe ela depois. -Franzi o cenho -Drake, aquele meu amigo moreno, alto, sabe?
-Que diabos tem ele, Austin?

-Ele curte ela. -Deu de ombros -Talvez ela goste dele. Sei lá.

-Se for da forma que eu gosto de você, coitadinho.

-Estou com sorte hoje então? -Ele sorriu me entregando o capacete e eu dei um tapa em seu braço -OK, parei já.

-Pra onde vamos?

-Você vai ver.

Subi logo na moto atrás dele, e assim que Austin deu a partida e eu abracei suas costas, senti uma estranha sensação de conforto, segurança, algo fora do normal. E o pior, eu sempre me sentia assim quando estava com ele, mas nunca percebi de verdade.


-

Estavamos seguindo pra Laguna Beach quando o principe que resgata princesas as 3h da manhã, me resolve parar no Walmart.

-Aqui? Jura?

-Relaxa aí, resgatada. -Soquei seu braço rindo assim que descemos da moto. -Vou só comprar uma coisinha e nós partimos. Você vem?

-Claro. Essa hora pode vir até um drogado me sequestrar.

-AS 3H DA MANHA?

-Você é um idiota.  -Nós rimos entrando logo no supermercado.

Enquanto Austin ia lá pra trás, perto do freezer, fiquei mais na porta, olhando os biscoitos e doces que tinham ali. Assim que ele voltou, voltou com um sorriso bobo no rosto e logo entendi o porque, quando olhei o que ele carregava nas mãos.

Häagen-Dazs.

O meu sorvete predileto em toda face da terra.

-Ainda é seu favorito, não é? –Ele perguntou com um sorriso maroto quando viu minha reação e logo depois, foi direção ao caixa.

Fiquei ao seu lado, mas logo meus olhos se dispersaram para garrafa de vodca que tinha ao meu lado. Olhei pra ela, -e parecia que ela olhou pra mim, e me chamou -e logo depois senti o olhar de Austin em cima de mim. Entao, antes que eu dissesse qualquer coisa, ele se virou pra mim, dizendo:

-Nem pense nisso

-Por que nao? -Fiz biquinho, já pegando a garrafa e analizando-a. -Ela é tão linda..

-Nao quero que estrague nossa noite.

-Voce acha que eu faria isso?

-Voce nao, isso sim. -Ele indicou pra garrafa –Sério, Stella..

-Por favor, Austin! Por favor! Eu juro que nao vou exagerar.

Olhei com piedade por um momento pra ele e me senti vencida quando ele tomou a garrafa de minhas mãos e deu logo ao atendente para ele pagar junto com o sorvete. Assim que saímos do supermercado e subimos de novo na garupa, seguimos pra praia.

As luzes dos postes perto da orla estavam todas acesas e a lua brilhava escandalosamente no céu, bem a nossa frente quando chegamos. Haviam só uns casais caminhando, e outros bem longe de onde sentamos juntos.

E eu pela primeira vez, notei que estava com saudade de tomar atitudes assim, também. Ou melhor, de fazer o que eu queria, só por fazer. E curtir, curtir ao máximo.

-Sentiu falta disso, não é?

Austin perguntou notando que eu não parava de olhar pro mar, em silencio, enquanto comia meu sorvete e ele tirava sua colher do bolso.

-E nem me dei conta.

-A fama tira tanta coisa da gente.. E nem percebemos.

-Eu me pergunto se é porque a maioria foram só momentos e.. –ele se virou pra mim, e eu percebi o quanto estávamos próximos. O que me causou um estranho arrepio –Voce sabe, não era nada significante.

-Se não significasse, você não sentiria falta.

-E como eu não me dei conta de que sentia falta?

-Porque você não queria sentir falta. Nunca quis olhar pra trás. Nunca quis nem reviver certos momentos pra só tirar coisas boas deles.

-A maioria deles não trouxera nada de bom pra mim. –Coloquei mais sorvete na boca, reprimindo meu choro que estava por vir.

-Quer falar sobre isso?

Balancei a cabeça, negativamente, olhando pro mar, e reprimindo um choro que estava por vir. Como se entendesse uma mensagem telepática, Austin ficou bem mais próximos de mim, e me abraçou pelas costas, deitando minha cabeça em seu ombro. E foi assim que nossa madrugada começou, eu trazendo lembranças nem tão boas assim do passado a tona, mas Austin me confortando ao máximo e fazendo com que elas não doessem tanto quanto eu imaginava.

Fazendo como se a vida não fosse tão dificil quanto realmente era, e fossemos só nós dois ali, olhando a brisa do mar ir e vir, e sentir o vento de verão acalmar a alma. 

-

Até a proxima!
Besin, besin,
Giulia

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