-Eu sinto sua falta, Gabriel.. –Eu disse numa voz chorosa.
-Ah, Jú.. Me desculpa. Mas é que eu trabalhei tanto nesses últimos
meses que não deu pra eu poder falar com você.
-Ta.. Ta tudo bem, ok? –Suspirei, limpando meu rosto –Eu preciso
desligar, está tarde e.. Amanhã eu trabalho cedo.
Desliguei o Skype antes que desse tempo d’eu dizer qualquer coisa.
Eu passei pouco tempo com Gabriel, mas muito tempo longe dele. E isso está me machucando, é como se
arrancassem um pedaço de mim, todos os dias.
Acabei indo dormir por volta das 4h da manhã. Com a saudade de Gabriel
batendo forte e com um sentimento de dejavú.
Porque quando nos conhecemos, foi assim.
No dia seguinte, graças a Deus já era feriado, graças ao “Presidents'
Day”, aliás. (Em honra aos antigos Presidentes do país, em especial Washington e Lincoln)
–é claro que menti pra Gabriel, dizendo que teria de trabalhar.
E passei o dia em casa, ajudando tia Juliane com as coisas, e o dia
inteiro, John não me ligou, nem nada do tipo.
A noite, ele deixou uma mensagem pra mim:
´´Meet me on
Starbucks, in ten minutes, please, Jú?´´
´´Yeah, sure. ´´ - Eu respondi, indo tomar um banho.
Coloquei um vestido, uma meia calça preta com um salto florido quase
da mesma estampa do vestido. Peguei um lenço e coloquei meu casacão por cima.
Pronto, estava perfeito.
Fui para Starbucks em 10 minutos e estava quase vazia, se não fosse
uns senhores que havia sentado em mesas lá trás de onde eu estava.
A neve caia lá fora –E o garçom devia ter vindo umas 3 vezes na minha
mesa perguntar se eu queria algo, e as 3, neguei- e se ele viesse mais uma vez, eu
iria trancar ele na cozinha, sério.
Se passaram 20 minutos e quando tentei ligar pra John, só caia na
caixa postal.
Por que ele estava fazendo isso comigo?
Sabia muito bem que eu odiava esse tipo de brincadeira, idiota.
Estava distraída no Twitter (aproveitando pra stalkear ele e ver se
ele havia postado algo sobre nós),e não percebi alguém chegar ao meu lado.
-Se importa se eu me sentar aqui? –Depois da pessoa ter pigarreado 2
vezes, eu olhei pra cima e só tive a reação de me levantar.
E abraçá-lo.
Muito,
mas muito forte mesmo.
-Eu não to acreditando nisso, não to acreditando nisso! –Eu falei, já
chorando.
Era Gabriel.
Ele estava usando um sobre-tudo preto com botões no meio, um lenço
cinza e uma toca combinando com o lenço. Sua barba roçava na lateral de meu
rosto e poder sentir aquele seu cheiro de perto
novamente, parecia um sonho.
-Que saudade, Ju, que saudade.. –ele me apertou mais.
-Como você veio? –me afastei –como chegou tão rápido? Como soube que
eu ia estar aqui?
-Depois te explico isso.. –Ele se sentou na minha frente, e logo
depois me sentei também. Mas Gabriel jogou uma chave em cima da mesa e fez
sinal pra que eu olhasse.
-O que é isso, Gab? Da onde é?
-É a chave da nossa casa. –Arregalei os olhos.
-Nossa? Você.. Você está brincando, né?
-SHH, shh! –Ele falou olhando pros lados, percebendo todo mundo
reparar o ataque que eu estava tendo. –Podemos ir pra sua casa? Eu te explico
tudo.
-Claro!
Depois de abraçar Gabriel mais de zilhões de vezes, voltamos pra casa.
-Juliane, esse é o Gabriel! –Eu disse sorridente assim que voltamos e
minha tia ficou surpresa.
-Gabriel? Jura? –Ela se aproximou, o cumprimentando. –prazer enorme
conhecê-lo, querido!
Aguentei Júlia falando de você por 2 meses.
-Normal –Ele sorriu –Prazer conhecê-la também!
-Bom, fiquem a vontade. A casa é de vocês. Eu já estava de saída
mesmo.. –Minha tia passou por mim e sussurrou –Juízo!
-Tchau, tia.
-Tchau, Juliane , foi um prazer lhe conhecer. –Gabriel disse sorrindo,
assim que Juliane saiu.
Eu subi correndo na frente dele pro meu quarto e ele veio atrás de
mim, e quando chegamos, ele me pegou pela cintura e me balançou no ar, enquanto
nos beijávamos.
-
As vezes tudo que a gente precisa é que o namoradinho pegue um aviao, chegue de surpresa e diga "aqui estao as chaves da nossa casa", nao é mesmo?
(E em NY ainda por cima, nao foi trajeto Niteroi - RJ ou RJ - NF, qualquer coisa do tipo HAHAHA).
Choremos.


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