-Já disse o quanto você é louca? –Ela sussurrou enquanto minha mãe ainda estava lá, no meio da muvuca, conversando algo com Gabriel.
-Fiz o que tinha que fazer, amiga. O que tinha que fazer. –Na hora,
minha mãe entrou no carro e disse:
-Posso te deixar em casa, Yasmin?
-Claro tia, sem problemas. –ela assentiu.
-Chegar em casa nós conversamos, Júlia. –Minha mãe falou, olhando pelo
retrovisor e eu sabia que quando chegasse em casa, ia escutar pelo resto da
minha vida.
Depois de deixarmos Yasmin em casa, minha mãe perguntou:
-Seu passaporte já venceu? –Franzi o cenho.
-Não, ainda está na validade. Por que? –porque diabos minha mãe, iria
querer saber isso?
Dali a alguns minutos, ela parou o carro na garagem de casa e quando
chegamos, meu pai veio perguntar:
-Pensei que você dormiria no clube hoje, Júlia. –Ele disse.
-É. Era minha ideia.
-Era difícil pegar o celular e me ligar, Júlia? Vão dar 3:30 da manhã,
garota! Isso é hora de você voltar pra casa?
-Eu perdi a hora mãe, só isso!
-Perdeu a hora ou você encheu a cara de novo? Olha garota, se você
estiver aprontando alguma ou querendo chamar aten...
-Querendo chamar atençao? Vocês nunca ligaram pra mim ou pro meu
irmão. –Soltei o que estava preso na minha garganta há muito tempo. –Estão
sempre ocupados com trabalho, com isso, com aquilo. Agora vocês vão dar de os
pais ´cuidadosos´? Os pais ´atenciosos´? Por favor tá, vocês não me enganam!
-Você está pensando que está falando com quem? Com uma coleguinha sua?
–Revirei os olhos, subindo pro meu quarto.
-Estou falando com alguém que eu costumo chamar de mãe, mas que ultimamente só tem feito papel de uma
estranha pra mim.
-
Senti algo pingar no meu rosto enquanto meu cabelo era levemente repuxado.
Abri os olhos devagarzinho quando vi que era minha mãe, um tanto debruçada em
cima de mim me fazendo carinho.
-Mãe?
-Desculpe, querida. –Ela se afastou um pouco –Não queria te acordar.
-OK.. –Suspirei, me sentando na cama. –O que aconteceu?
-Filha.. Eu estava conversando com seu pai, esses dias.. E achamos
melhor você passar o resto dessas férias e ficar até mais ou menos meio do ano na
casa de sua tia.
-Q.. Que tia, mãe? –Ok, eu acabei de acordar e receber uma noticia que
eu estava sendo praticamente expulsa de casa dessa forma, não era tão bom
assim.
-Sua tia.. –Ela pigarreou –Juliane, de Nova York.
-Nova York?
-Vai ser bom pra você, meu amor.. Você precisa se distrair um pouco,
sabe? E vai ser melhor ainda porque pode procurar um curso de moda por lá e
quem sabe não arranja algo fixo? –Assenti.
Minha mãe estava certa. Eu iria ficar aqui, pelo resto dos dias, feito
cão e gato com Gabriel?
Eu realmente precisava
distrair a mente.
-O que acha, ein?
-Eu topo, mãe. –Falei, dando um bruto suspiro. –Eu topo.
-Ai meu amor! –Ela me abraçou forte –Fico tão feliz por você!
-Vou quando?
-Posso comprar suas passagens pra amanhã a tarde? –Assenti –OK, então..
Quero que você já veja o que vai levar.. Pode levar os casacos que nós
compramos. –Ela piscou, saindo do quarto.
É claro que isso já estava tudo marcado há muito tempo. Minha mãe não
me engana da forma que ela pensa, não.
Depois de levantar, separei umas roupas e deixei em cima de duas malas
bem grandes, separadas. Me deitei novamente e fiquei só na internet. Hoje o dia
seria um tédio completo.
Estava de bobeira no Facebook quando vi abrir uma mini janela com o
nome de Gabriel e meu coração logo disparou.
´´Não me lembro muito do que
aconteceu ontem mas.. Foi impossível esquecer sua mãe dizendo pra eu nunca mais
chegar perto de você, se não, ela iria me causar toda a dor que eu causei em você,
de pouco a pouco. Mas.. Se eu te fiz algo na festa, te peço desculpas´´
-uau, que poder o da minha mãe né?
Ele disse que não se lembra de nada.. Eu bebi pra caramba, mas não
iria me esquecer daquele amasso –que não deveria ter acontecido –dentro da
dispensa de empregado.
´´´Não se lembra de .. nada?´´ -não resisti e perguntei.
-


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