Capítulo 30 - nova york

terça-feira, 19 de setembro de 2017







-Já disse o quanto você é louca? –Ela sussurrou enquanto minha mãe ainda estava lá, no meio da muvuca, conversando algo com Gabriel.

-Fiz o que tinha que fazer, amiga. O que tinha que fazer. –Na hora, minha mãe entrou no carro e disse:

-Posso te deixar em casa, Yasmin?

-Claro tia, sem problemas. –ela assentiu.

-Chegar em casa nós conversamos, Júlia. –Minha mãe falou, olhando pelo retrovisor e eu sabia que quando chegasse em casa, ia escutar pelo resto da minha vida.

Depois de deixarmos Yasmin em casa, minha mãe perguntou:

-Seu passaporte já venceu? –Franzi o cenho.

-Não, ainda está na validade. Por que? –porque diabos minha mãe, iria querer saber isso?

Dali a alguns minutos, ela parou o carro na garagem de casa e quando chegamos, meu pai veio perguntar:

-Pensei que você dormiria no clube hoje, Júlia. –Ele disse.

-É. Era minha ideia.

-Era difícil pegar o celular e me ligar, Júlia? Vão dar 3:30 da manhã, garota! Isso é hora de você voltar pra casa?

-Eu perdi a hora mãe, só isso!

-Perdeu a hora ou você encheu a cara de novo? Olha garota, se você estiver aprontando alguma ou querendo chamar aten...

-Querendo chamar atençao? Vocês nunca ligaram pra mim ou pro meu irmão. –Soltei o que estava preso na minha garganta há muito tempo. –Estão sempre ocupados com trabalho, com isso, com aquilo. Agora vocês vão dar de os pais ´cuidadosos´? Os pais ´atenciosos´? Por favor tá, vocês não me enganam!

-Você está pensando que está falando com quem? Com uma coleguinha sua? –Revirei os olhos, subindo pro meu quarto.

-Estou falando com alguém que eu costumo chamar de mãe, mas que ultimamente só tem feito papel de uma estranha pra mim.

-

Senti algo pingar no meu rosto enquanto meu cabelo era levemente repuxado. Abri os olhos devagarzinho quando vi que era minha mãe, um tanto debruçada em cima de mim me fazendo carinho.

-Mãe?

-Desculpe, querida. –Ela se afastou um pouco –Não queria te acordar.

-OK.. –Suspirei, me sentando na cama. –O que aconteceu?

-Filha.. Eu estava conversando com seu pai, esses dias.. E achamos melhor você passar o resto dessas férias e ficar até mais ou menos meio do ano na casa de sua tia.

-Q.. Que tia, mãe? –Ok, eu acabei de acordar e receber uma noticia que eu estava sendo praticamente expulsa de casa dessa forma, não era tão bom assim.

-Sua tia.. –Ela pigarreou –Juliane, de Nova York.

-Nova York?

-Vai ser bom pra você, meu amor.. Você precisa se distrair um pouco, sabe? E vai ser melhor ainda porque pode procurar um curso de moda por lá e quem sabe não arranja algo fixo? –Assenti.

Minha mãe estava certa. Eu iria ficar aqui, pelo resto dos dias, feito cão e gato com Gabriel?

Eu realmente precisava distrair a mente.

-O que acha, ein?

-Eu topo, mãe. –Falei, dando um bruto suspiro. –Eu topo.

-Ai meu amor! –Ela me abraçou forte –Fico tão feliz por você!

-Vou quando?

-Posso comprar suas passagens pra amanhã a tarde? –Assenti –OK, então.. Quero que você já veja o que vai levar.. Pode levar os casacos que nós compramos. –Ela piscou, saindo do quarto.

É claro que isso já estava tudo marcado há muito tempo. Minha mãe não me engana da forma que ela pensa, não.

Depois de levantar, separei umas roupas e deixei em cima de duas malas bem grandes, separadas. Me deitei novamente e fiquei só na internet. Hoje o dia seria um tédio completo.

Estava de bobeira no Facebook quando vi abrir uma mini janela com o nome de Gabriel e meu coração logo disparou.

´´Não me lembro muito do que aconteceu ontem mas.. Foi impossível esquecer sua mãe dizendo pra eu nunca mais chegar perto de você, se não, ela iria me causar toda a dor que eu causei em você, de pouco a pouco. Mas.. Se eu te fiz algo na festa, te peço desculpas´´ -uau, que poder o da minha mãe né?

Ele disse que não se lembra de nada.. Eu bebi pra caramba, mas não iria me esquecer daquele amasso –que não deveria ter acontecido –dentro da dispensa de empregado.


´´´Não se lembra de .. nada?´´ -não resisti e perguntei. 
-



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