Saímos
do caminho da maca –só Deus sabe como eu tive forças pra o fazer –e quando
chegamos no final do corredor, eu suspirei aliviada.
-É
justamente por isso que eu odeio hospital.
Eu
deixei minha mão leve, pra que Pether largasse, mas ele não o fez. Continuou
segurando minha mão.
Depois
de um tempo me olhando, ele soltou minha mão sem graça, e finalmente disse:
-Ah,
está tudo bem. De vez em quando aparece uma ou outra assim aqui por perto, mas
não se preocupe, não é toda hora que acontece.
-Espero
que esteja por perto da próxima vez que eu ver outra.
Pether
antes de entrar na sala, olhou pra trás, pra mim, rindo.
-O
que disse?
-Nada.
–Eu ri mais ainda, muito sem graça. –Nada não.
-Você
tem meu numero. Pode me ligar independente de onde eu estiver.
Apenas
assenti, sem graça, e ele entrou na sala. Na mesma, havia um monte de
garotinhas com faixas na cabeças –reparei que estavam carecas –e a maioria,
devia ter no máximo 9 anos. Pether me apresentou a maioria, e me apresentou ao
único garotinho do local, Marcus, ele tinha 5, e tinha câncer também. O mesmo
que o meu.
E
o garoto era seu irmão.
-
Chegamos
um pouco –nada demais, claro –atrasados na Terapia, mas quase não fez
diferença, porque ainda tiveram garotas que chegaram mais tarde. Foi normal,
mas muito bom ao mesmo tempo. Me sentei ao lado de Pether e ficamos conversando
por um longo tempo.
Eram
por volta das 16h quando acabou tudo, e Logan foi me buscar.
Várias
vezes dentro do carro, eu me pegava pensando da forma que Pether segurou minha
mão quando eu fiquei nervosa pela garotinha machucada ou na hora da terapia a
forma que ele falava seguro de contar tantas coisas pessoais a mim, e sorrir,
ao mesmo tempo que o fazia.
-Amor?
No que pensa tanto, ein? –Ouvi Logan perguntar em uma voz distante, mas eu
estava perdida demais nos meus pensamentos pra responder.
O
que esse garoto estava fazendo comigo, ein?
-Elena?
–ele depositou sua mão em minha coxa, me apertando e me chamando atenção.
-Oi?
-Tudo
bem? –Franziu o cenho –Eu comprei seus remédios, ok? Sem problemas mesmo..
-Ah,
certo. Obrigada.
-O
que aconteceu Elena? Foi alguém da terapia?
Sem
duvidas..
-N-Não,
eu estou bem! Só estou um pouco cansada..
Logan
me olhou desconfiado mas não falou mais nada. Assim que chegamos, eu fiquei
deitada, tomei uns remédios que já estava na hora e ele começou a se aprontar
pra faculdade.
-21:30
eu estou de volta, ok?
-Ok.
–Respondi, olhando pra TV.
-Você
tem certeza que está bem, Elena? Não está com dor, ou..
-Logan,
eu estou ótima, ok? –Olhei pra ele, suspirando –Eu estou ÓTIMA.
-Ok.
–ele arrumou a gola de sua camisa –OK. Qualquer coisa me liga. –Se abaixou e me
deu um beijo demorado na testa.
-OK.
Boa aula.
Assim
que Logan saiu, eu deixei a TV no mudo, e comecei a chorar. Mas eu não chorava
de dor, de raiva, ou de alguma angustia. Eu
chorava por pena de mim mesma.
Logan
estava seguindo com sua vida, mas eu de qualquer forma, seria sempre uma pedra
em seu sapato. Seria sempre quem iria fazê-lo ter de voltar mais cedo pra casa,
seria sempre quem ia ter de fazê-lo me levar as pressas pro hospital em uma
crise de enxaqueca, seria sempre quem ia obrigá-lo a me ajudar em sessões, e me
ajudar quando eu estivesse tento outra crise de depressão.
Feito
essa.
Mas
que, infelizmente, ele não pode ajudar, porque ele tem sua vida a seguir.
E
eu vou ser sempre quem vai impedi-lo de fazer muitas coisas. Sempre.
-
Espero que estejam gostando..
Até a próxima!
Besin, besin,
Giulia

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