-Óbvio.
–Ela sorriu –Eu não vou te largar por nada nesse mundo. E nem Logan. Tenha
certeza disso.
-Eu
espero, Iv.
Chegamos
ao hospital, e Dr. Murphy –o meu médico desde o acidente e tudo mais –me
recepcionou, sorridente.
-Não
tem noção do quanto é bom te ver aqui, mocinha!
-É.
imagino. –Forcei um sorriso, entrando em sua sala. –Então, como vai ser?
-Como
eu já lhe expliquei, será só um exame neurológico agora, pra avaliar suas
reações no corpo e tudo mais. Depois, você pode ir pra terapia.. É no final do
corredor, vai gostar de lá. Há muitos jovens da sua idade. Mais do que imagina.
Dei
uma olhadela apreensiva pra Ivana que permanecia sentada em uma poltrona perto
da porta, e ela assentiu pra mim, sorrindo.
-Você
vai comigo, Iv? –Perguntei numa voz de criança de 6 anos quando vai tomar
vacina mas não quer ir sem a mãe.
-É
claro que eu vou, Elena. Fique tranquila.
-Eu
vou então.
-Eu
não te disse que com um apoio seria tudo mais fácil? –Murphy sorriu, me ajudando
a me deitar naquela “máquina” pro exame.
Era
daquele tipo de maquina que deitamos, e entra embaixo de tipo um “túnel”. Era
normal, mas me deixava muito apreensiva.
Fiquei
apenas alguns minutos ali, e ele desligou umas máquinas perto e me ajudou a
sair e tudo rolou super bem.
-Vou
fazer umas anotações e enquanto isso, por que não vão logo pra terapia?
-Está
tão ruim assim, Dr.? –Perguntei, pegando minha bolsa
-Elena,
querida, você está no seu primeiro dia de tratamento. Agora, nós só vamos
analisar como está
ocorrendo as mudanças em você! Ao longo dos dias e semanas
que vamos perceber o progresso.
-Tudo
bem.
-Não
se preocupe. Qualquer coisa eu vou lhe avisar. –Ele apoiou sua mão em meu
ombro, sorrindo.
Assenti,
sorrindo de volta e saí da sala com Iv.
-Foi
muito ruim?
-Não.
–Dei de ombros –Foi normal.
-Vai
dar tudo certo. –Ela apertou minha mão.
Entramos
na sala do final do corredor e minha surpresa foi imediata. Havia muitos jovens
naquela
sala, aliás, só haviam jovens.
Eles
estavam sentados em uma roda e no meio, tinha uma mulher mais adulta, de
jaleco. Ela, provavelmente “coordenava” aquele grupo.
-Nova
paciente aqui, ou só está de visita? –A moça perguntou.
Eu
fiquei parada, olhando em volta a sala e vi que tinha um menino muito atraente
ali.
Cabelo
estilo Justin Bieber –não o jogadinho de lado estilo Baby, mas o radical, quase
Boyfriend- de jeans, all star e uma camisa branca. Ele na hora focou seus olhos
nos meus quando eu entrei.
-Ela
é nova. –Ivana me deu uma cotovelada que me fez voltar a atenção pra rodinha, e
exclusivamente pra doutora.
-Ah,
então, seja bem vinda. –A médica se levantou –Entrem por favor, fiquem a vontade.
Eu sou a Doutora Hannah, e vocês são?
-Elena.
–Eu respondi, me aproximando.
-Ivana.
Eu só vim acompanhá-la.
-Ah,
pode ficar hoje, Ivana. Entendo o acompanhamento, hoje foi seu primeiro dia de
tratamento? –Assenti –Certo, sem problemas. Mas no resto dos dias é preferível
que você venha sozinha, por que
você sabe, é um grupo meio particular..
-Sem
problemas. –Eu disse, dando de ombros e me sentando na roda quando uma ruivinha
de bandana na cabeça e a loira se afastaram pra que eu me sentasse no meio delas
–Obrigada.
-Seja
bem vinda, Elena. Eu sou Kathleen. –A ruivinha falou sorridente e eu assenti
com a cabeça, sorrindo.
-E
eu me chamo Trisha. –A loirinha respondeu. -Essa sessão das duas da tarde é
nova, ou seja, todos ainda estamos nos conhecendo. Então, você pode falar um
pouco de você?
-Boa
ideia, Trisha. Nós todos estávamos começando as apresentações. Você pode
começar, Elena, se quiser é claro.
-Bem,
eu.. Bem, não tem nem uma semana completa que eu descobri sobre a doença e eu
não tenho muito o que dizer. –Falei, fitando todos por um momento –Então, eu
queria só ouvir por hoje, sabe? –
Olhei pra Hannah e ela assentiu na hora.
-Meu
nome é Pether, tenho 21 anos. –O garoto “Justin Bieber” disse na hora que eu
acabei de falar antes que ninguém falasse nada e eu começasse a ficar muito sem
graça. –Descobri que tenho câncer no estomago tem quase 1 mês e..
Pether
contou sobre sua experiência no tratamento desde então, e ele falou muito sobre
ele também. Contou poucas, mas histórias engraçadas de situações de doenças de
seus familiares, e sua confiança ajudou a outras meninas a falarem um pouco de
si também. Trisha tem câncer na tireóide e falou sobre, Kath –Eu e Trisha a
apelidamos dessa forma –tem câncer de pele há 6 meses e contou bastante sobre
si.
Nós
conversamos muito depois das apresentações, quando todos começaram a conversar
uns com os outros mesmo, e eu nunca esperei parar de ser tão negativa na minha
vida. Nós rimos, nós brincamos, nós zoamos de nós mesmas. Coisas que só quem já
tinha ou acabara de descobrir que tem câncer, sabe como é. E como está sendo ou
vai ser enfrentar tudo isso.
-

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