Capítulo 13 - perguntas desnecessárias

terça-feira, 18 de julho de 2017
-Eu não queria que as coisas mudassem entre nós. É sério. Por favor, não leve a mal isso..

-Você.. não queria?

-A questão não é ou era eu querer ou não, mas sim que aconteceu.

-E.. ?

-E.. Eu achei melhor não dizer nada, porque.. –Suspirei –Gabriel, por favor, esqueça isso, está bem? –Ele assentiu –Por favor, não fica bravo. Tenta me entender!

-É difícil, Jú. –Gabriel riu e pronto, eu soube que estava tudo bem. –Mas tudo bem.. Vamos esquecer isso já que amanhã, vai ser um grande dia!

-E como. –Eu ri, fechando os olhos aos poucos.

Senti Gabriel dar um beijo em minha testa, e logo depois apaguei completamente.

-

-Jú.. –Senti algo deslizar pelo meu braço quando acordei assustada. –Eei, calma. –Gabriel sussurrou com aquela voz rouquinha. Aw.

-Que susto. –Eu ri um pouco –Minha.. Minha mãe..

-Não. Ela não entrou no quarto. –Suspirei aliviada. –Sei que seria constrangedor pra  gente. –Assenti 
–Só ouvi um barulho de carro, pouco agora. Acho que eles saíram.

-Devem ter tido outra reunião. –Revirei os olhos.

-Eles também são dos que trabalham o dia todo? –Assenti –E você fica aqui, sozinha?

-Sim. Eu as vezes chamo as meninas, mas é bom ficar quietinha um pouco.

Vi Gabriel ler uma mensagem em seu celular e logo depois, ele disse:

-Entendi. Jú, eu vou voltar pra casa, ok?

-Algum problema? –Perguntei, me levantando junto com ele.

-Não.. Não. minha mãe só me mandou uma mensagem, pedindo. Mais tarde eu venho pra cá, então?

-Sim! –Respondi com o coração apertado. –Por favor..

-Ok. E você já falou com sua mãe sobre a viagem? –Neguei com a cabeça. –Está com medo?

-Eu falo hoje no jantar, pode ser? –Ele assentiu.

-Até mais então.. –Deslizei minha mão por seu abdômen, sorrindo.

-Até mais. –Ele beijou minha cabeça e logo saiu.

Fiquei um pouco na internet, deitada, sem muito o que fazer. Depois separei uma roupa pra mais tarde e mandei uma mensagem pra meus pais falando sobre o jantar apenas confirmando e eles aceitaram.

Consegui achar um vestido preto, bonito que não era tão extravagante como também, não era desleixado. Era perfeito.

Agora, era só esperar por mais tarde.

-

Ding dong. –Estava terminando de dar uns últimos retoques no meu cabelo quando ouvi a campainha 
soar.

-EU ATENDO, EU ATENDO. –Desci correndo as escadas e passei pela cozinha onde meu pai já esperava pelo jantar na mesa, e minha mãe, terminava alguns temperos da comida.

-OK né.. –Meu pai disse, minutos antes de levantar.

Na hora que abri a porta, sabe aquela sensação de que vem um baque em você? Foi o que eu senti.

Gabriel estava perfeito.

Ou irreconhecível?

Ok, ele estava.. perfeito e irreconhecível. Sem querer menosprezá-lo.

Gabriel vestia uma bermuda xadrez clara com uma camisa, em gola V, azul marinho. E nos pés, um chinelo Havaiana mesmo.

Mas estava tão, mas tão fofo!

-Aw meu Deus..

-Não começa Jú. –Ele sussurrou.

-Entra, fica a vontade. –Pigarreei, como se ele nunca houvesse entrado ali. Ou dormido comigo. –Mãe.. Pai.. –Eu falei com o coração na mão, novamente.

E meus pais logo foram pra sala.

-Esse é Gabriel. Gabriel, essa é minha mãe, Ana, e meu pai, Brand. –Gabriel esticou a mão, 
cumprimentando meu pai e depois abraçando minha mãe.

-É um prazer conhecê-lo, querido. –Ela sorriu, animada. –Vamos jantar, vamos?

-Claro. –Eu e Gabriel dissemos.

Seguimos pra mesa de jantar, Gabriel sentou ao meu lado, minha mãe de frente pra gente e meu pai ao lado dela.

-Sirva-se, querido. Fique a vontade.

-Obrigado. –Gabriel disse. Coitadinho, ele estava morrendo de vergonha!

Jantamos com minha mãe fazendo perguntas inconvenientes, como por exemplo, em que Gabriel iria se formar, se ele já havia feito um curso etc.


Pior foi quando ele disse que não, minha mãe só olhou de soslaio pro papai e não falou mais nada. 

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