-Cansa, ein. –Ele falou rindo e se sentou do
meu lado, colocando seu skate do outro.
-Que disposição a sua. Fico admirada..
-Tem que gostar mesmo. –Gabriel inclinou sua
coluna pra trás, quase deitando.
-Você fica aqui o dia inteiro?
-Nas férias, sim. Mas quando tava no colégio
eu adorava sair e vir logo pra cá. Era o paraíso pra mim.
–Cheguei um pouco pra
trás e me deitei ao seu lado.
-Você anda ha muito tempo? –Na hora de
responder, Gabriel olhou pra mim, e eu pra ele e nossos
rostos estavam a
centímetros um do outro. Ele somente sorriu e respondeu meio sem graça:
-Aham.. Desde os 9 anos. Agora tenho 20..
–Ergui a sobrancelha –E você? Não tem nenhum lugar pra se refugiar?
-Nos meus 9 anos, eu ia pra casa de minha
tia... –Fiquei olhando pro céu e contando pra ele como se eu estivesse lá, voltando
no tempo. –Eu ficava desenhando roupas e roupas de barbie.. E ela sempre me
dava algumas outras, também! –Sorri
-Você gosta tanto assim de desenhar? –Gabriel
franziu o cenho – Que paciencia!
-É. –Ri um pouco –Eu adoro.. É como o skate é
pra você. –Olhei pra ele. –Seu refúgio. Eu adoro desenhar e ler também.. quando
estou triste. Parece que tudo some, sabe? –Ele assentiu –Eu gosto..
-Depois me indica seus melhores livros. Vou
experimentar outras culturas. –Eu gargalhei~.
-Olha, faço um desafio com você, ein? Porque
quem gosta de aventura, ficar o dia inteiro aqui..
Duvido que ficaria sentado
em alguma poltrona, lendo. –Ele ficou só me olhando, enquanto eu falava
e
sorrindo.
-Não sei. Se a professora for boa.. Acho que
eu aprendo rápido.
-Quase nunca vejo seus pais em casa.. Eles
devem trabalhar bastante, né?
-É. –Gabriel olhou pro céu, novamente. –Por
isso que gosto de vir pra cá. Eles em casa só ficam me
cobrando, sabe?
–Assenti, sabendo o que é ser perseguido durante anos. –É isso, por isso que
gosto de ficar aqui por horas.
-Meus pais não param em casa também. E quando
estão só ficam reclamando de mim, do meu irmão.. Tô doida pra morar sozinha.
-Eu também quero muito. Gosto de ser
independente, sem ter que precisar de alguém pra nada, sabe? –Tombei a cabeça
de lado, novamente, prestando atenção em cada palavra que ele dizia. –Mas agora
parece que tenho uma companheira pra quando quiser vir pra cá!
-Sem dúvidas! –Eu ri –Nessas férias não devo
viajar por ser as ultimas férias do colégio, eu só estou procurando faculdades,
cursos, essas coisas..
-Está animada? –Franzi o cenho
-Não mesmo. –Suspirei –Se eu pudesse, ficava
aqui assim, o dia inteiro, as férias inteiras. Gosto de sossego.
-Falando em sossego, meus tios tem uma casa de
veraneio. Eu sempre fico lá com os caras. Mas se quiser, chama suas amigas e
vamos pra lá, você vai adorar.
-Onde fica?
-Cabo Frio. Sério, quando quiser me liga e
vamos pra lá na hora –Ri.
-Ok, eu vou ver com meus pais porque no
próximo final de semana mesmo eu vou estar livre. Então, quem sabe. –Ele sorriu.
-Adoraria. Aliás.. você vai adorar. Ela é de
frente pra praia mesmo, sabe? Aos domingos tem shows..
Você ia gostar bastante.
-Não gosto de lugar com muita multidão. –Fiz
uma careta –Sei lá, sempre tem uns meio mal- encarado. –Gabriel riu.
-Mas com um skatista desses aqui pra te
proteger, o que você iria temer? –Eu gargalhei.
-Verdade, obrigada super-homem, me sinto muito
melhor agora! –ele riu junto comigo. –Vamos comer alguma coisa? Estou com muita
fome.
-É, eu também. Conheço uma lanchonete muito
boa aqui perto. Só não sei se você é chegado a coisas muito gordurosas. –Gabriel
se levantou estendendo a mão pra que me levantasse também.
-Olha.. Até como. Vamos ver, né?
-Você vai gostar, pode ter certeza.
-
-Oh meu Deus! –Eu falei de boca cheia. Se minha
mãe estivesse ali do meu lado me daria um lindo tapa na cara. Sério. –Que coisa
boa! –Gabriel gargalhou.
-Ah meu Deus digo eu! Parece que você está
descobrindo outro mundo, Júlia! Sério!
-Mas estou –tomei um pouco do refrigerante –Lá
em casa quando minha mãe começa com as dietas estranhas dela, é só salada, salada,
comida integral pra todo mundo! Eu sempre fujo pra casa das meninas –eu ri.
-Coitadinha. Mas Gabriel Carvalho veio pra te mostrar um mundo diferente. –Ele
estufou o peito ao tomar sua coca cola e nós rimos. –Você vai adorar, passa 1
semana comigo e pronto, tá tudo certo.
-O que acha? –Coloquei o restinho do sanduíche
no prato e parei pra pensar.
-Está falando sério? –Ele sorriu e foi tão, mas
tão lindo e confortante ver aquele sorriso.
-Sim, por que não? A gente marca várias coisas
pra fazer essa semana, e no final a gente viaja –Dei de ombros –Meus pais estão
super ocupados com coisas pra resolver da minha faculdade –Revirei os olhos
–Então..
-Caramba! Eu.. eu vou adorar, sério!
-Então, o que está esperando? –Levantei, peguei
seu celular em cima da mesa e o puxei pelo braço.
-Onde a gente vai?
-Onde você foi pela primeira vez que te
encantou na hora?
-Hum.. –ele parou e ficou pensando enquanto
estávamos na porta da lanchonete. –Tem um lugar que..
-Então vamos pra lá! –Fiz sinal pra que ele
entrasse logo no carro e Gabriel só balançou a cabeça,
sorrindo.
Deviam ser umas 16h já e meus pais loucos
atrás de mim, mas talvez essa seria a minha última
oportunidade de ter as
melhores férias da minha vida com alguém que eu gostei de verdade. Então eu
preciso aprender a curtir cada minuto.
-

Nenhum comentário
Postar um comentário