Roommate - Capítulo 5

quarta-feira, 15 de abril de 2020

A reação dos meus pais não foi tão positiva quanto eu esperava.

Tudo bem que eu me iludi, né.

Que é que eu estava pensando?

Que eu iria chegar, da noite pro dia, e dizer: “oi, mãe, oi pai, to indo me mudar pra casa de um menino, ok?” E que eles iriam saltitar de alegria?

Até parece.

Não houve gritos, mas houve um silêncio assustador.

Eu esperei, sim, conseguir um local de verdade para aí sim contar que iria me mudar. Eu conhecia meus pais: se eu contasse toda a ideia antes, iriam com certeza apontar todos os pontos negativos da minha ideia é até me fariam desistir dela.

MAs dessa vez, não dava mais: eu estava decidida e pronta para esse passo.

Apesar da resistência, meus pais me ajudaram a empacotar minhas coisas e, na sexta feira, quiseram até ir comigo pro apartamento pra conhecer (e conhecer Noah também, claro).

Por volta de 16h da sexta feira, Noah chegou lá em casa.
Estava vestindo uma calça jeans branca, blusa preta com uns desenhos na frente e um casaco jeans amarrado na cintura. Eu juro que se tivesse alguma roupa que ficasse ruim naquele garoto... teria que ser denunciado o estilista da roupa.
De início ele ficou bem sem graça, provavelmente achou que só seríamos eu e ele, mas depois logo se deu muito bem com meus pais.

Fiquei feliz, aliviada e muito agradecida porque ele pareceu fazer um esforço para mostrar aos meus pais que não era um serial killer e que estava tudo bem eu morar com ele. Meus pais o adoraram.

Depois de fazermos toda a mudança pro meu novo quarto (meus pais não pararam de falar do quanto amaram a minha nova casinha- consegui até mesmo mostrar a Mary pelo FaceTime!) ofereci fazer um café para todos, fiz, e ficamos conversando um pouco até quase 20h da noite.

Meus pais saíram dali com o coração apertado, notei, nem parecia que eu estava morando há menos de 15 minutos deles. Que drama.

MAs no momento em que estavam indo embora, papai e mamãe me abraçaram, dizendo:

- estamos muito orgulhosos de você. - disseram, enchendo meu coração de amor e esperança.

Depois que eles saíram, fui tomar um banho e me trocar enquanto que Noah disse que iria preparar algo para a gente jantar.

Ao sair do banho (coloquei uma roupa de ficar em casa o mais comportada possível: uma calça leggin e uma blusa curtinha e soltinha) fui para cozinha ver como estava a situação com Noah.

- tudo sob controle? - perguntei, do portal da cozinha.

- tudo. - me olhou, sorrindo. Demorou seu olhar em mim e depois fingiu que estava olhando outra coisa perto da bancada que tinha ao meu lado.

- esse final de semana posso fazer umas compras.

- Ah, é uma boa. - assentiu- há um tempo que aqui só tem comida pra um. Comprei algumas coisas, mas foi só pra fazer o jantar de hoje mesmo.

- Tudo bem. Sem problemas.

Fui até a geladeira para pegar um copo d’água e notei seu olhar sob mim. Sorri por dentro.

- precisa de alguma ajuda?

- Não, não. Estou fazendo só um macarrao, nada demais. Você gosta, né?

- sim! Tudo bem, então. Vou organizar umas coisas minhas. Amanhã vou correr de manhã.

- correr? - Noah riu, enquanto eu passava por ele.

- é, ué.

- você é toda fitness e tal?

- não. - ri, olhando-o. - nada fitness e tal. So gosto de praticar esportes e exercitar meu corpo.  - dei de ombros.

- mas sai pra correr de manhã. Que horas?

-7. - eu disse baixinho e com vergonha, saindo da cozinha.

- Caralho, Alice! - pude ouvir Noah dizendo da cozinha e ri, indo pro meu quarto.

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