Roommate - Capítulo 1

quarta-feira, 18 de março de 2020

Roommate - Capítulo 1 




Já fazia uma semana que eu estava procurando por um apartamento para dividir aluguel e contas.
A situação lá em casa já estava insuportável (pais que querem me controlar o tempo todo, mesmo eu trabalhando e recebendo o suficiente para me manter e manter todos os meus gastos).

Tudo bem que advogada estagiária que precisa lidar com despesas como compras de alto valor, cartão de crédito, academia... acaba não sobrando muito, mas eu consigo sobreviver

E, além disso, vovó adora contribuir com uma mesada carinhosa- mesmo eu tendo 21 anos e dizendo que não é preciso- mas dinheiro não se desperdiça.

Coloquei alguns anúncios pela faculdade e em grupos, essa semana vou conversar com 3 pessoas.

É um momento muito cauteloso, porque ao assumir dividir aluguel e contas com alguém, é perigoso: eu não posso desistir dali duas semanas ou meses. É um compromisso a longo prazo.

Ao sair da aula, me despedi de Melissa, minha melhor amiga, almocei por perto da faculdade e fui para uma “entrevista” que meu futuro roommate marcara.

Hoje eu vou a duas no mesmo prédio: uma no quarto andar e outra no terceiro.

É um prédio bom, perto da minha faculdade, perto de tudo, e as opções são boas: em um apartamento mora um rapaz pouco mais velho que eu e uma menina que no momento está fazendo intercambio - por isso ele recorreu a vaga temporária, para ajudá-lo com despesas nesse tempo- e outro que moram duas meninas mais ou menos da minha idade.

O que a vaga é temporária, não teria problema, porque é por 1 ano e é justamente o tempo que preciso para me formar e sair de estagiária para Trainee, que é um salário que consigo alugar um apartamento pra mim.

Mesmo que pequeno, eu consigo. Prefiro isso a dividir lugar com estranhos durante muito tempo.


Fui na das meninas primeiro, conversei com elas e pareciam bem felizes e dispostas. Fizeram uma "tour" comigo pelo local e não me senti tão a vontade quanto pensei que me sentiria - deve ser porque só havia 1 quarto e eu teria que dividir com elas 2. Sério.
Pouquíssimo espaço.
Não estou procurando por uma mansão, mas preciso de espaço para colocar minhas coisas e minhas papeladas do escritório.
Saí de lá me sentindo desesperançosa. Queria mais, de verdade.

A visita foi rápida, então precisei fazer uma hora até a próxima entrevista - do rapaz que morava no andar debaixo.
Decidi ir até uma cafeteria que achei ali por perto.
Era um dia um pouco chuvoso, definitivamente "ventoso" (existe essa palavra?), whatever, Alice, então me senti aquecida e acolhida naquele lugar.
Era todo de madeira em volta e com uns letreiros com frases fofinhas. O tipo de decoração que eu super amava!

Estava tomando meu café, quando um rapaz - de se chamar atenção - entrou no local: usava uma calça cargo com uma cor parecida àquele verde militar (mas sem estampa militar), uma blusa branca um pouco apertadinha e um lenço (sim, ele usava um lenço!) preto e branco no pescoço, bem comprido. Cabelos pretos, bagunçados, e um olhar meio perdido e pouco mais alto que eu.

Conforme não desgrudei meu olhar dele e acho que isso logo atraiu: olhou pra mim e demorou seu olhar.

Olhei pra baixo, pro meu café, sorrindo e um pouco envergonhada.

Ouvi que ele pediu um café e fiquei ainda mais apaixonada por sua voz.

Ai, Alice. Pare com isso.

Fiquei um tempo navegando na internet e vez ou outra notava o rapaz olhando pra mim (ele estava sentado de frente pra mim).

Suspiros e mais suspiros saíam de dentro de mim.


Quando olhei pro relógio vi que já estava atrasada. Saí dali de dentro correndo, sem nem olhar pra trás e fui logo pro prédio em que estava.

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