E se tem uma coisa que me deixa brava é achar que estou atrasada, chegar na hora, e a outra pessoa atrasar.
Mas minha raiva logo deu lugar a surpresa/ confusão quando ouvi passos apressados subindo escadas e ao me virar, vi o rapaz da Starbucks vindo na minha direção esbaforido.
Ele me reconheceu (da cafeteria) e diminuiu seu ritmo, começando a sorrir.
- oi. - disse, numa voz grave e sem graça. Pude vê-lo corar. - me atrasei, desculpe.
- oi. Tudo bem. - eu respondi, meio confusa.
Cheguei pro lado, dando espaço pra ele abrir a porta, e assim que o fez, ficou segurando
Assim o fiz.
Dei de cara com uma sala bem espaçosa, uma casa cheirosa e tudo perfeitamente arrumado.
Não sabia se ficava feliz ou desconfiada.
- está tudo perfeitamente arrumado porque a faxineira estava por aqui ontem. Mas não se preocupe, normalmente as coisas não ficam muito diferente disso. - ele disse, entrando atrás de mim.
Provavelmente reparou na minha cara surpresa, observando tudo em volta.
- Mary é minha companheira de quarto, mas ela está em um intercâmbio na Irlanda. Vez ou outra faço FaceTime com ela e ela exige que eu mostre a casa pra ela. Ela tem mania de organização. Então, se ela me ligar de surpresa e ver bagunça... as coisas não ficam muito boas. Ela me castiga mandando menos dinheiro pra pagar a parte do aluguel dela. - disse, fechando a porta e rindo. - De qualquer forma, me chamo Noah. - esticou sua mão.
- Alice.
- Hum. Por que está procurando por um lugar, Alice? - disse rapidamente me olhando de cima a baixo.
Provavelmente reparando que estou bem arrumada, com um relógio chamativo, anéis... por que preciso dividir aluguel com alguém?
- bem... sou estagiária de direito. - ele arqueou as sobrancelhas, assentindo, enquanto ia na cozinha americana, de frente pra sala e pra mim -terminando a faculdade e não aguento mais meus pais em cima de mim. O que eu ganho já é necessário para dividir um lugar com alguem.
- como eu disse antes, Mary volta em 1 ano. Quais são seus planos?
- vou estar formada. Trabalhando e ganhando o suficiente para morar sozinha.
- Quer café, uma água? - perguntou, me olhando por um momento.
- Não, obrigada. Acabei de tomar café. - eu disse, um pouco sem graça.
- eu vi. - ele respondeu, me deixando mais sem graça ainda. - como tem tanta certeza dos seus planos? Tem pessoas para te indicar pra um trabalho fixo?
- contatos do escritório. - dei de ombros, sentando-me no sofá.
- e quando planeja se mudar? Digo, se for ficar aqui com a gente. - ele voltou da cozinha com um copo de água na mão. Puxou um puff e sentou- se de frente pra mim.
- assim que eu receber o “sim”.
- você tem alergia a alguma coisa?
- nada.
- tem preferência pra alguma coisa? É uma maluca por organização feito Mary? - Noah sorriu. Ah, que sorriso.
Demorei um pouco pra responder porque fiquei observando-o. Ele notou e vi abaixar a cabeça, sem graça.
- não. Nada disso. Também não sou bagunceira.
- você disse que seus pais moram com você. Sobre o que mais reclamam sobre seus hábitos?
- estudo muito. Trabalho muito. Corro muito. - dei de ombros.
- não gosta de muito barulho? Eu toco numa banda. As vezes fico tocando violão no meu quarto. Vai ser um problema?
- Não. De forma alguma. Poderia ver os quartos?
- é claro!
Nos levantamos e Noah me conduziu por um corredor que tinha depois da sala e que dava em dois quartos e um banheiro.
Os dois quartos eram um de frente pro outro e bem espaçosos, notei. Com uma boa luz, boa cama, armário... tudo excelente.
- só temos um banheiro. É ruim pra você?
- Nao. - balancei a cabeça, vendo o banheiro. Era bem largo: com banheira e chuveiro. Pia gigante com um bom espelho, que sonho! - consigo organizar meus horários com os seus. Você faz o que, mesmo?
- toco numa banda aos finais de semana. Trabalho durante a semana. - deu de ombros, saindo na minha frente e voltando pra sala.
- certo.


Nenhum comentário
Postar um comentário