Fiquei realmente assustada.
Era como se eu estivesse com poderes sobrenaturais e eles
estivessem se revelando aos poucos. E sempre na hora que eu menos esperava.
Rick me contou que era justamente por isso que ele havia
me procurado (por não saber o que fazer com o bebe, e o fato de que se mudaria
pra longe) e logo me contou a real novidade –que havia acontecido há pouco
tempo-.
Sua mãe estava internada no hospital, bem doente. Então, eles
não se mudariam pro Canadá nem tão cedo. Pelo que ele disse –e pelo que deu a
entender, Rick estava bem nervoso –Ela estava com..ahn, acho que ele disse
tumor, algo assim. Bem sério.
E que ele quando soube do meu acidente, parece que o
‘’mundo acabou’’ –que drama, né.
Porque eu era a única que ele tinha, depois da mãe dele porém,
com ela doente, e eu “doente” –podemos dizer assim –tudo complicou.
Fiquei bastante comovida com aquilo tudo, e senti outra
coisa voltando. Era como se eu tivesse perdido vários objetos pessoais, e
estivesse os reencontrando aos poucos.
Céus, eu me sentia tão bem quando isso acontecia.
-
Mais tarde, Rick me deixou em casa –nossa, ele deve ter
dito umas trocentas vezes, pra que o
que eu precisasse, contasse com ele e o avisasse imediatamente –e Katy não
estava por sinal.
Ela deixou um recado, avisando que só foi em casa e logo
estaria de volta.
Eu odiava ela ter de ficar de babá pra mim. Está casada, tem
seu marido, tem sua vida pra seguir. Ela realmente não tem de ficar presa a
mim.
Dei uma ligada pra ela, contando que eu já me sentia muito
melhor, não tinha mais dor de cabeça e que muita coisa da minha memória estava
voltando. Ela recusou de início, mas acabou cedendo.
Estava escurecendo quando tomei um bom banho e me deitei
no sofá pra ver TV.
Começou a passar Diário de uma paixão, e eu fui tendo umas
ideias muito.. Estranhas, digamos assim.
Automaticamente, eu me levantei, peguei meu computador,
abri o Word Pad e comecei a escrever.
Me veio na mente, como acostumava
acontecer quando eu era pequena, uma história.
Não tinha dois personagens ou um certo sentimento, mas
apenas veio uma história.
Comecei a escrever uns textos, e procurei na internet
outros também.
Achei um lindo e salvei no meu computador.
Aproveitando que eu estava mexendo ali, resolvi checar
minhas redes sociais. Foi quando eu vi, no Twitter e principalmente no Facebook,
muitas mensagens de fãs pedindo pra que eu voltasse a postar.
Dizendo que
estavam rezando por mim e pedindo pra que eu estivesse bem.
Muitas pessoas admiravam meu trabalho, eu não podia
decepcioná-las.
Publiquei um anúncio com um novo site meu (e um novo nome.
“outonostalgico’’? eca!)
Agora era vintagememories. Depois eu pensava em algo
melhor.
Publiquei uns textos que eu já tinha escrito, -e já tinha
gente comentando, dando like e essas coisas.
Isso me animou muito-.
Fiquei até de madrugada escrevendo mais e mais e nem vi a
hora passar.
-
Acordei com o som da campainha.
Céus, eu havia dormido em cima do notebook e na sala
mesmo.
Fechei meu hoobie, e fui ainda bem sonolenta, olhar pelo
olho mágico na porta.
Era um cara alto, mais ou menos nos seus quase 40. Tinha
barba e seu cabelo era batidinho, preto.
Curto, nada demais.
Mas uau, ele era
mesmo bonito.
-Oi? –Abri a porta, e ele deu um longo sorriso.
-Ariel! Não se lembra de mim?
-Deveria?
Eu estava irritada. Qual é, eu mal dormi e o cara já vem
aqui me acordar!
-Eu trabalhei com você em Londres. Era seu chefe!
-Ah, sim. –Sorri, abraçando-o. –Entre, fica a vontade.
Desculpe, mas qual seu nome mesmo?
-É Tom.
O cara deu um sorriso soberbo assim que entrou e se sentou
no sofá. E uma onda eletrizante passou pelo meu corpo. Mas não era algo bom, pelo
contrário.
De uma forma estranha aquele cara me dava nojo.


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