-A comida deve ter chegado. –Ele falou, indo pra porta e
atendendo ao rapaz.
-Vamos lá pra casa, o vinho está na cozinha e não tem
mesas aqui pra comer.
-Claro.
Ajudei-o com uma sacola com a comida e entramos na casa. A
porta dava acesso a cozinha. Era mais bonita do que eu esperava (ou imaginei!).
Havia uma pia enorme e em cima uns armários. Na frente, uma bancada bem grande
com umas frutas, facas e essas coisas. No canto ficava geladeira, e fogão.
-Pode colocar na mesa da sala pra mim? Eu vou pegar o
vinho.
-Sim. –Peguei a sacola na mão dele, e fui pra sala que
ficava bem ao lado dali.
Na sala tinha um piano, cara. Um piano. Só pra ter noção
da grana do cara.
No canto tinha uma mesa de vidro bem grande, e do outro
lado da sala, de frente pro piano,2 sofás enormes, mais no canto uma lareira, e
no outro lado, perto dos sofás, uma TV na parede com um painel em volta.
Coloquei a comida onde ele pediu, e arrumei, tirando da
sacola.
Não demorou muito, Tom veio com pratos, talheres, taças e
uma garrafa de vinho.
-Espero que tome esse. –Ele disse colocando o vinho na
mesa.
Era seco, o vinho que meu pai tomava.
-Sim, esse está ótimo.
Ele me ajudou a arrumar os pratos e os talheres, e se
sentou.
Comemos sem fazer muitos comentários –e porque ainda
estávamos bem sem graça ao ocorrido dentro do ateliê –e eu me ofereci pra limpar
a cozinha, mas como já esperava, ele vetou o pedido.
-A empregada chega daqui a pouco, não precisa não.
-Certo. –Peguei minha taça, ainda com o vinho na metade, e
fui pra sala, olhando uns porta retratos
que tinha em cima do piano.
Tinha fotos de uma bebezinha, e eu logo fiquei curiosa:
-Quem é? que gracinha.
-Minha filha, do primeiro casamento. –Engoli em seco.
Jesus. Ele tinha uma filha já. –Ela está
enorme.. Impressionante como o tempo
passa rápido.
-É verdade.
Ainda olhando pros porta-retratos, me sentei no sofá, já
um pouco exausta.
-Ariel, ahn.. –Tom se sentou no outro sofá, de frente a
mim, e estava um pouco sem graça. –Aquilo no ateliê não vai se repetir. Me
desculpe.
A forma que ele falou, percebi que não estava falando só
sobre nosso beijo. Mas também sobre ter dito aquelas coisas em relação ao meu
Pai.
Eu apenas assenti, tomando mais um gole de vinho
-Quer uma sobremesa? Acho que tem um bolo no forno..
-Não, obrigada. Estou satisfeita. Você cozinha?
-Quando se mora sozinho.. –Ele deu de ombros –É o jeito.
-Você mora aqui sozinho? –Tom assentiu, me olhando.
Uma dor passou pelo meu corpo. Ele era sozinho.
Nós conversamos um pouco mais, sobre trabalho e essas
coisas, e logo vi que já iam dar 16h.
-Meu Deus, Tom, você pode me levar pra casa? Está
entardecendo já.
-Caramba. –Ele olhou no seu relógio de pulso e logo se
levantou –Claro, vamos.
Colocamos nossas taças na cozinha, e corremos pro carro.
Com aquele carro –ou melhor, quase espaço-nave –rapidinho
ele me deixou em casa.
-Obrigada por tudo hoje. Adorei o ateliê. Não desista
desse talento que você tem. –Falei, arrumando minha bolsa no ombro e tirando o
cinto.
-Eu que agradeço. Até amanhã, Ariel. –Ele disse enquanto
eu abria a porta do carro.
-Até amanhã.
Subi no automático. Minha mente não parava de pensar no
que acontecera hoje a tarde. Não
acreditava que tinha feito isso com Sebastian.
-Oi amor. –Ele falou assim que eu entrei em casa. Estava
vendo TV.
-Oi amor! –Falei sorrindo e fechando a porta.
Aproximei-me dele, o beijei e ainda de pé, ele perguntou:
-Demorou.. Fez muita coisa?
Você não tem noção –pensei, enojada de mim mesma.
-


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