Fiquei apenas olhando, sem falar nada. Tom logo se
pronunciou:
-Não queria que visse isso.
-Por que não me contou sobre ele?
-Quando eu conheço uma pessoa que me passa algo forte, a
primeira coisa que eu faço, é pintar ela. Ou algo relacionado a ela.. Enfim, só
pintar. –Assenti, me virando pra ele. –Desde aquele dia que conversamos sobre
seu pai, eu comecei a pintar coisas assim.
-Você sente pena de mim? –Franzi o cenho.
-De forma alguma. –Ele respondeu rapidamente, antes que eu
me sentisse ofendida. –Eu não sei explicar, Ariel. É apenas o que eu vejo no
seu olhar. Meus quadros falam por mim.
-Estou vendo. –Assenti, olhando a imagem novamente. –Ficou
muito bonito. –Falei, com um seco em minha garganta.
Ninguém nunca tinha feito algo tão lindo –de-mim. Porque
eu não iria pedir aquele quadro. Não mesmo.
-Espero que você não tenha se sentido ofendida, sério.
Eu.. Ah. foi apenas o que eu senti quando vi você.
-O que você sentiu? –Me virei pra ele, novamente.
-Tristeza. –Ele disse olhando em meus olhos –Ele foi embora
e deixou um buraco enorme ai dentro, não foi? –Eu continuei olhando pra ele, sem
dizer nada. Meus olhos estavam aguando já. –Ele era muito importante pra você, eu
sinto isso. Era quem você confiava seus segredos, e se assegurava quando algo
estava errado. Ele era tudo pra você.
-Você não sabe de nada. –Falei secando minhas lágrimas
rapidamente e dando as costas pra ele, tentando me concentrar em outro quadro.
Ou em qualquer outro pensamento.
-Está nos seus olhos, Ariel, eu não preciso saber ou
falar. Você quem me mostrou isso. –Tom falou sussurrando em meu ouvido.
Eu me arrepiei toda.
Virei-me pra ele, devagarzinho, e Tom segurou uma mão em
minha cintura.
-Eu não sei muito o que você faz, ou fala, mas sei muito
bem o que sente. –Ele continuava falando baixinho e sua voz me envolvendo. Seu
cheiro me envolvendo. –Você é uma bonequinha.
Independente de estar ou não
passando por uma fase difícil com seu namorado, eu não suportaria ver
você de
coração partido. Nos seus olhos, tem a tristeza de uma criança. Na sua alma, a
alegria de um bebê. Você transpassa muito o que sente, menina.
Tom depois de falar aquilo tudo, viu que não teria
palavras suficientes pra responder ele. Então, ele apenas abaixou sua cabeça e
colou nossos lábios.
Minha mão foi subindo pra seus braços, apenas se apoiando
ali.
Ele me selou, e colou nossas testas. Logo depois, se
abaixou um pouco novamente, deixando nossas línguas falarem pela gente.
Eu sentia a alma dele falar comigo, me curando. Eu senti
algo diferente. Inexplicavelmente bom.
Ele me beijava devagar e com todo cuidado do mundo, como
se eu fosse uma boneca de porcelana prestes a se quebrar. Minhas mãos agora
deslizavam pelo pouco de barba que havia na lateral de seu rosto.
Ouvimos um barulho de campainha e nos afastamos rapidamente.
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